Publicado em 17/06/2015 as 12:00am

Mila Burns celebra trabalho nos EUA e fala sobre a comunidade brasileira

Bate-papo com a apresentadora da TV Globo reuniu jornalistas de vários estados americanos em NY

FABIANO FERRERA

     Para comemorar os quatro anos do telejornal “Globo Notícia Américas" e celebrar seu trabalho nos Estados Unidos, a apresentadora Mila Burns recebeu na semana passada jornalistas de vários estados americanos para discutir o futuro da comunidade brasileira no exterior, seus desafios e suas conquistas. O encontro aconteceu no escritório da TV Globo em Nova Yorque e foi bastante descontraído, com assuntos abrangendo a experiência da jornalista nos EUA e até pontos sobre sua rotina.

     No bate-papo, Mila afirmou que um dos desafios do programa é acompanhar as demandas da comunidade brasileira que vive nos Estados Unidos e prestar um serviço a todos os assinantes da Globo Internacional. “Sinto-me privilegiada, não só como apresentadora, mas como parte da audiência mesmo", disse na ocasião.

     Mila Burns está no comando do telejornal “Globo Notícia Américas” desde a sua estreia, acompanhando de perto os eventos da comunidade, filtrando os assuntos e os temas de interesse para as assinantes do canal.

Leia abaixo os principais trechos da conversa com Mila: 

     Imigração

     “2016 está aí e tenho esperança de que pode haver alguma mudança em relação à Lei de Imigração, pois será um ano eleitoral. Temos tudo para pressionar e estaremos com a faca e o queijo nas mãos. É um sonho que espero ver realizado”.

     Integração à comunidade

     “Sou jornalista, mas me sinto parte da comunidade e não só alguém que reporta os fatos. Quando me mudei para os EUA também passei os mesmos apertos que todos passam, conversava com americanos sem saber se estavam me entendendo. Ao mesmo tempo em que eu entrevistava também fui recebendo ajuda das pessoas”.

     Planeta Brasil

     “Durante um ano fiz o “Planeta Brasil”, o que foi uma experiência incrível. Muitos achavam que eu viajava de avião, mas eu fazia tudo: dirigia, produzia o programa e fazia as entrevistas. Houve várias situações curiosas e em algumas cidades eu até descia com o cachorro e minha gata”.

     Contato com as pessoas

     “Mesmo não estando mais no Planeta Brasil continuo a ter contato com a comunidade e meus amigos são da comunidade. Sempre que tem um evento da comunidade tento ir, mas para manter contato ligo para as pessoas e tenho lista de contatos de vários estados. Ligo para instituições e agora tenho contato até maior do que na época do programa”.

     Culturas brasileira e americana

     “O que me ajuda a manter a brasilidade e assimilar a cultura americana é o fato de eu estar vinculada à comunidade acadêmica. Fiz mestrado na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, em Estudos Latinos Americanos. Agora estou fazendo doutorado em história da América Latina. No Brasil estudamos pouco sobre a história americana e lecionar aqui me ajudou bastante neste sentido”.

 

     Força das redes sociais

     “Acho que as redes sociais são importantes porque nelas as pessoas podem ter voz, fazer comentários e questionar. As mídias sociais dão retorno muito rápido, mas não se pode levar ao pé da letra o que se vê nas redes sociais. Nossa função como jornalistas é moderar e ser fonte de credibilidade. Nem sempre o que se vê é jornalismo e sim só opinião”. Com isso, a mídia comunitária está mais forte ainda. As mídias sociais trouxeram proximidade com o público”.

      Produção de matérias

     “Para ficar por dentro dos fatos e selecionar os melhores assuntos assino vários jornais e revistas. Leio o tempo todo, principalmente as seções sobre América Latina. Também recebo boletins diários de agências e vou filtrando o que mais importa”. Coleto as informações que acho importantes, mas às vezes para assuntos da comunidade não temos imagens. Já cheguei a usar o Skype pelo celular para entrevistar o embaixador brasileiro em Cuba”.  

      Evolução da comunidade

      “Nesse tempo em que estou aqui percebo que a comunidade brasileira tem mudado muito. O nível de escolaridade dos brasileiros está mais alto. Há muitos estereótipos sobre quem vem para cá: o milionário que brilhou no Brasil e vem para os EUA ou aquele que veio nadando. Hoje, 95% são pessoas que têm emprego e quando tudo começa a dar certo e vê que vale a pena começa a se integrar aos americanos, mas com pé no Brasil”.

     Futuro do brasileiro

     “Imagino para o brasileiro um futuro com mais escolaridade, com acesso às universidades. Daqui a 5 anos vamos estar em outro patamar e conseguir mais representatividade para a comunidade latina. E o papel do Globo América é  ajudar a comunidade amadurecer e se integrar ainda mais.

     Lado imigrante

     “Não tem um único dia em que eu não lembre que sou latina. As pessoas me fazem lembrar, principalmente em dinâmicas sociais que não existem como, por exemplo, chamar alguém para instalar um móvel ou pedir ajuda para o porteiro. Aqui não tem isso”.

     Volta ao Brasil

     “Por enquanto não penso em voltar ao Brasil, pois estou muito feliz aqui. Antes eu tinha planos traçados ano a ano. Agora estou um ano após o outro descobrindo novidades. Estou muito feliz, gosto da minha comunidade e do telejornal que apresento”.

Fonte: Brazilian Times

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