Publicado em 19/06/2015 as 12:00am

Homossexuais estão mais dispostos a oficializar a união

Brasileiros que vivem nos Estados Unidos oficializaram ou estão para oficializar o casamento com pessoas do mesmo sexo e o sonho será realizado na cidade que é a capital do mundo, New York City.

Por Marisa Abel

     Casar é um sonho para a maioria das pessoas, casar em NYC e em uma união homoafetiva é uma conquista para diversos brasileiros que vivem na cidade ou imediações.

     Dentre polêmicas, não-aceitação de parte da comunidade e até entre familiares, eles continuam a luta para realizar o desejo da união estável com reconhecimento federal.

     Embora o relacionamento entre eles esteja divulgado publicamente nas redes sociais, os familiares que não aceitam pedem que os filhos tenham mais discrição, por esse motivo alguns dos entrevistados pediram para apenas colocar as iniciais do nome, somente em respeito ao pedido dos pais, porém eles são abertamente assumidos de suas escolhas.

     J.G. (brasileiro) e C.C. (americano) se casaram em uma linda cerimônia realizada no início de junho em New York City, felizes eles relembram como tudo ocorreu. J. comenta que foi C. quem o pediu em casamento. “Foi ele quem fez o pedido, hahaha. Ele sentiu que nosso relacionamento teria futuro e ficou preocupado com minha situação legal aqui e a possibilidade de eu ter de ir embora. Ele falou desse jeito: ‘eu sei que é muito cedo (8 meses),  mas eu quero casar com você, minha irmã e o marido dela se conheceram e em 6 meses estavam casados e está dando certo por que eles têm 5 filhos!’. Foi a partir daí que iniciamos todos os preparativos”.

     J. está nos Estados Unidos há aproximadamente um ano, atualmente vive com o marido em NYC e diz que tudo foi feito com calma e com orientação do advogado. Embora tenham já oficializado o casamento no City of Clerk, e tenham comemorado com amigos, a festa mesmo só ocorrerá em abril do próximo ano.

     Marcelo Gompers Mello, brasileiro que também é casado com americano, diz que oficializar o camento foi a melhor maneira de poderem garantir um futuro com maior estabilidade. “Estou morando nos Estados Unidos há 10 meses, logo que cheguei conheci o Robert Gompers Mello, foram 8 meses juntos até a data do nosso casamento. Em setembro vamos celebrar com uma linda festa no Central Park. Essa oficialização é boa para nós dois e nos permite construir uma família aqui”.

     P.V. e D.V. são duas jovens meninas brasileiras que estão se preparando para o casamento que acontecerá em setembro deste ano. “Estamos ansiosas, queremos fazer algo simples mas com um toque de flor e amor no ar (risos), nossos familiares estão no Brasil e não virão nesta data mas temos amigos que compartilharão deste momento conosco. Nosso sonho é que a cerimônia seja realizada ao pôr do Sol com vista para a praia, estamos fazendo nossas pesquisas”, comenta D.V.

     Sobre a opinião destes casais, se existe alguma diferença de emoção entre o casamento hétero e o casamento homossexual eles respondem: “Achamos que a sensação de ansiedade em concretizar nossa união não se difere com a de nenhum outro casal, porém tem um ‘Q’ de superação que não podemos negar. Pensamos que a intensidade de navegar contra uma sociedade que por mais que se diga livre de preconceito ainda procede com olhares opostos aos nossos desejos de construir uma família. Isso torna nosso casamento uma vitória dia a dia”, comenta a jovem D.

     Para o brasileiro J. é mais do que um simples sim. “Talvez não diferença de emoção mas talvez um sentimento de dignidade diferente! Nós gays somos muito hostilizados e muitos de nós passamos por muitas dificuldades e preconceitos durante a vida é o sonho do casamento estável traz uma emoção incrível! Um sentimento tipo caraca nós também podem ter um casamento nos padrões ‘normais’.”

     O momento do “Yes, I do”, foi hilariante na cerimônia de J.G. e C.C. “Nossa, caraca comecei a rir sem parar (quando fico muito ansioso, nervoso é essa minha reação haha) porém foi mágico!! Quando existe amor é incrível!”.

     Entre as muitas diferenças nestes tipos de relacionamento para J. ainda tem a questão do idioma e casar com uma pessoa de outra nacionalidade também implica a comparação de cultura. “As diferenças de idiomas a gente enfrenta de forma divertida quando faço confusão com alguma palavra tudo vira piada e a gente ri muito!!! E é muito fofo quando ele tenta falar português!!! As diferenças culturais existem sim, mas não são barreiras intransponíveis quando a gente ama”.

     As brasileiras P.V. e D.V. já planejam o futuro. “Temos objetivos, já vivemos juntas, mas queremos ir além. Um dos maiores objetivos que queremos alcançar é o de ter filhos, nós duas queremos gerar e seria muito importante que a história de nossa família tenham suas etapas concluídas uma a uma. Além desse motivo que é nosso objetivo maior, poder contar com direitos civis por estarmos casadas oficialmente é muito importante, queremos uma vida comum, com direitos iguais”.

     Sobre a aceitação elas comentam. “Nossos planos de casamento não surpreenderam nossos amigos que estão muito felizes e nos apoiando muito. Já na Família há 50% de aprovação e 50% de negação total a esta escolha. Os motivos variam de religiosidade à motivos sem nexo. Mas não há nada que impere sobre decisões tomadas com cautela e com amor, somos muito parceiras, amigas e acreditamos que ao longo de nossa trajetória a porcentagem de negação à isso diminuirá”.

     Indo contra as diversas opiniões de negação está o ponto de vista da jovem brasileira residente em NY, Lola Vieira, que é heterossexual, porém não vê nenhuma diferença. “Sempre fui a favor de qualquer tipo de união que tenha por base, o amor. Nós não escolhemos cor, raça, nacionalidade e nem sexo quando nos apaixonamos. As pessoas simplesmente se apaixonam e as vezes pode não ser por uma pessoa do sexo oposto, e não há nenhum mal nisso. Muita gente tem preconceito, outras chegam a agredir homossexuais sem motivo, simplesmente pelo fato da pessoa gostar de alguém do mesmo sexo e isso na minha cabeça não faz o menor sentido já que ela não está fazendo mal a ninguém, só está sendo feliz. Essa explosão de homossexualidade nas novelas atualmente tem trazido muito essa discussão para as pessoas que até então nunca viram o outro lado da moeda. Muita gente acha absurdo, fazem protestos, boicotes, mas por outro lado acho que depois que o choque passar, a novela pode mostrar o lado bonito do amor entre duas pessoas do mesmo sexo, simplesmente por ser amor como qualquer outro”.

     Ressaltamos que alguns Estados americanos foram os pioneiros, lá no início dos anos 2000, em legalizar a união entre pessoas do mesmo sexo e dos sete Estados que aderiram na época, New York já se destacava na lista. Atualmente 36 dos 50 Estados americanos celebram a cerimônia oficialmente.

     Os pioneiros, da era moderna, a permitirem a união em todo território nacional foram os Países Baixos. O Brasil é um dos poucos países que oficializa este tipo de união em todo o território nacional, isso ocorreu a partir de 2013.

     Vale lembrar que desde a antiguidade a união afetiva entre pessoas do mesmo sexo ocorriam em cerimonias simples ou mais ritualizadas. Relatos históricos podem comprovar esses relacionamentos, tanto na China durante a Dinastia Ming ou em Roma, de acordo com documentos históricos, o Imperador Nero se envolveu em uma cerimonia com Pitágoras e também o Imperador Heliógabo era “casado com um de seus escravos.

Fonte: Brazilian Times

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