Publicado em 1/07/2015 as 12:00am

Supreme Cars será investigada por não entregar carros a clientes

Denúncias afirma que os ex-donos fugiram para o Brasi. O BT tentou contato com eles, mas não conseguiu

Da Redação

     A Supreme Cars, concessionária brasileira de carros que atuava há 13 anos em Everett (MA), está sendo investigada pela polícia por ter deixado clientes sem receber carros pelos quais já teriam pago a entrada. Informações da polícia de Boston são de que donos da empresa, Rômulo e Elizandra de Aguiar, teriam fugido ontem para o Brasil em um vôo para Flórida e depois para Goiânia (GO). Segundo as autoridades, eles embarcaram para Brasil apenas 15 minutos antes do FBI entrar no caso.

     A Supreme Cars tinha 3 lojas em Everett, sendo que a terceira unidade foi inaugurada há cerca de um mês. Duas estavam localizadas na Ferry St e uma na Everett Ave. Ontem à tarde, policiais lacraram as lojas, segundo informações de uma cliente que se diz lesada pela empresa e que fez uma última tentativa de ir à loja resolver sua situação.

     Vários clientes reclamaram que pagaram a entrada para compra um carro da Supreme Cars, mas que não conseguiram obter o veículo. Está circulando entre os clientes a informação de que há duas semanas o casal teria vendido as três lojas para um ex-funcionário hispano, chamado Leo. O valor da transação seria de $ 240 mil dólares.

     Ontem à tarde, o Brazilian Times ligou para Rômulo e sua mulher Elizandra, mas os telefones não atenderam e nem deram a opção de deixar recados na caixa postal. A reportagem também tentou contato com Leo para que ele explicasse toda a história, mas também não obteve sucesso nas ligações. Os telefones das três lojas também não atenderam ontem.

     Segundo apurou a reportagem, as lojas tinham 13 funcionários, que trabalharam até a última sexta-feira, mas não haviam recebido seus salários. Eles só teriam sido pagos ontem de manhã, mas já dispensados em seguida.

      

     Brasileira está indignada

     A brasileira Elizabeth Moreira, que é de São Paulo e já esteve por aqui em várias temporadas (a última há seis meses), é um das clientes da Supreme Cars que está indignada pelo atendimento e por ter sido enganada.  

     Ela conta que comprou um carro em fevereiro, uma BMW F5, e após somente duas semanas começou a ter problemas com o veículo. “Eu fui até a loja e eles até arrumaram, mas depois o carro continuou a dar problemas. Como não conseguiam resolver, eles próprios sugeriram trocar meu carro, mas para isso eu teria de fazer um novo financiamento e usar o que havia pago como entrada. Foi o que fiz na esperança de ter o carro, mas depois que assinei os papéis não deu mais certo”, conta. Ela diz que usa o carro para fazer entregas para sua mãe, que é comerciante.

     Segundo Elizabeth, a loja deu cinco dias de prazo para entregar outro carro, da marca Honda. “Mas ficaram me enrolando por 40 dias. Daí liguei lá na sexta-feira passada e uma funcionária me confidenciou que a loja tinha sido vendida. Com isso eu e meu marido falamos que iríamos pessoalmente lá nesta segunda-feira, mas quando chegamos já encontramos os funcionários de braços cruzados esperando o pagamento e para serem dispensados”.

     De acordo com Elizabeth, o dono do banco parceiro da Supreme Cars foi às lojas para recolher as chaves dos carros e levá-los. “Depois a polícia até colocou cadeados e nem deixou um mecânico que trabalhava lá pegar as ferramentas dele”, continua. Alguns carros ainda estavam estacionados no pátio no final da tarde de ontem.

     Elizandra diz que perdeu cerca de 630 dólares e que as parcelas do novo financiamento começariam a ser descontadas nesta quarta-feira, mas ela já procurou um advogado para resolver o problema. “A pessoa que consultei me disse que podemos entrar com uma ação coletiva, pois assim temos mais força para recuperar nossos prejuízos. Hoje estou com um carro ruim, que precisa de manutenção a todo momento, sendo que até esses dias eles me falavam que o financiamento só não tinha sido concluído porque o gerente do banco havia entrado em férias”, explicou.

     Indignada, fez um post no Facebook, no Bazar de Boston, onde contou um pouco da situação. Circula também a informação de que outro brasileiro teria pago US$ 4 mil à Supreme Cars, mas o carro não foi entregue.

     Como não conseguiu contato com nenhuma das partes envolvidas, o Brazilian Times não tem a versão das pessoas acusadas.

Fonte: Brazilian Times