Publicado em 6/07/2015 as 12:00am

Em NY, brasileiros e latinos apoiam o boicote a Donald Trump

Na corrida eleitoral pela cadeira tão almejada no mundo, a da presidência dos Estados Unidos da América, o empresário Donald Trump fez um discurso que ofendeu a classe imigrante, principalmente a latina e mexicana, ao chamar os imigrantes mexicanos de "t

Marisa Abel

     Na corrida eleitoral pela cadeira tão almejada no mundo, a da presidência dos Estados Unidos da América, o empresário Donald Trump fez um discurso que ofendeu a classe imigrante, principalmente a latina e mexicana, ao chamar os imigrantes mexicanos de “traficantes e estupradores”.

     “Quando o México envia seu povo, ele não envia os melhores, eles estão trazendo drogas, estão trazendo crimes, são estupradores, e acredito que alguns são boas pessoas, mas eu converso com os guardas das fronteiras e eles me dizem que é isto  que está acontecendo”, narrou o pré-candidato Republicano.

     O comentário gerou revolta entre os imigrantes e também entre muitos americanos. A emissora NBC decidiu rescindir seu contrato com o bilionário e afirmou que não transmitirá mais os concursos "Miss EUA" e "Miss Universo", realizados por uma empresa do empresário.

     A atriz Rosalyn Sanchez, natural de Porto Rico e  que durante quatro anos foi uma das estrelas do seriado “Whitout a trace”, comunicou através de suas páginas nas redes sociais a saída do evento. “Como Latina e orgulhosa de minhas raízes e cultura e tudo que temos construído para esta nação, decidi cancelar minha participação no ‘Miss USA’. Não tolero palavras tão desrespeitosas que saíram da boca do senhor Trump”.

     A maior loja de departamento do mundo, a Macy’s, também cortou relações com o empresário, já que comercializa parte dos produtos que ele comanda. A assessoria de imprensa da Macy’s disse não estar de acordo com as palavras e não tem qualquer tolerância para a discriminação pelo fato de Trump ter chamado o povo mexicano de “bandidos e estupradores”. No entanto Trump rebateu dizendo que o cancelamento com a Macy’s foi por estar cansado pelo fato de seus produtos comercializados na megastore serem fabricados na China. "Eu nunca fui feliz com o fato de que as gravatas e camisas serem feitos na China, e que devo iniciar uma nova linha de produtos em algum lugar no futuro, eu insistiria que eles são feitos na América", disse ele.

     Sobre a emissora ele comentou: "A NBC é fraca e, como todo mundo, está tentando ser politicamente correta - é por isso que nosso País passa por sérios problemas", afirmou Trump que também disse que vai processar a empresa por quebra de contrato.

     Ao tentar se defender de toda essa repercussão de comentários, Trump disse que estava se referindo aos imigrantes ilegais e o fato de ilegalidade ser crime, porém isso repercutiu em toda a comunidade imigrante, sendo mexicanos ou não, pela forma desrespeitosa e preconceituosa como foi dita.

     Brasileiros que vivem aqui nos Estados Unidos se mostraram tristes com os comentários e alguns ficaram revoltados com o empresário.

     “Pra falar a verdade nem fiquei chocada pois veio de uma pessoa que não tem nenhuma ligação com a realidade do País. O que me assusta é uma pessoa assim querer ser presidente. Mas enfim, somos todos imigrantes aqui na América e somos todos parte importante da história desse País. São as pessoas que vem para cá lutar por uma vida melhor que dão o melhor de si, que trabalham duro, que constroem. E criam seus filhos com dignidade e muitas vezes através de seus sacrifícios eles se formam e fazem ainda mais pelo país, pois juntam o diploma com o ‘hard work’ que aprenderam em Casa. O Sr Trump não vai ser demitido pois acredito que jamais chegará ao emprego que está almejando. É importante lembrar que aqui muitos ignorantes como ele chamam todos os ‘Latinos’ de  ‘Mexicanos’ e assim sua intenção foi ofender Latinos em geral. E mesmo depois da crítica ele tem se mantido forte em suas palavras preconceituosas e desrespeitosas”, desabafou a apresentadora de TV, Fabiana Saba, que atualmente mora em NY.

     O empresário Ilson Gonçalves, que vive há 11 anos nos Estados Unidos comenta:  “Em um país considerado a terra da liberdade, onde os imigrantes favorecem a economia, não acho que seria sábio descartar os imigrantes. Vivemos em uma das maiores economias do mundo e sabemos que grande parte disso envolve os imigrantes, que vem tentar a vida aqui com suas famílias em busca de um futuro melhor. Tenho a impressão de que o senhor Trump não está enxergando a América com olhos de um verdadeiro guerreiro que luta e defende seu País, mas sim de um crítico que inflama ódio e desrespeito. Que Nessa corrida presidencial vença o melhor para o nosso País e não dos interesses capitalistas. Deus abençoe a América!”

     Tasia Avelino, que neste quatro de julho completa 9 anos vivendo aqui, diz estar indignada. “Foi ridículo, preconceituoso, vil e cruel se referir a um povo de maneira tão depreciativa e pejorativa, ainda mais se tratando de um povo que tanto contribui para o sucesso deste País. Ao afirmar que o México não enviava aos USA o seu melhor, e acusar seus imigrantes de bandidos, ele não só afrontou os mexicanos, bem como todos os latinos e hispanos que aqui estão. É sabido que este povo é responsável por mais 50% da força braçal que move este País, força esta que é a mesma que fomenta a geração de renda, seja ela interna ou externa, isto sem contar nos tantos imigrantes que a cada dia mais se tornam expoentes em áreas de extrema relevância para o País e para o mundo, áreas que vão desde da medicina até a robótica. A decisão da NBC foi certíssima e um ato de respeito para com os imigrantes que aqui estão e que diariamente saem das suas casas para oferecer o seu melhor para os EUA, que é uma potência por que soube aglutinar várias raças e dar valor aos seus respectivos potenciais, este é o país das oportunidades, da liberdade, do respeito, dos direitos e dos deveres”.

     Nossa colunista Claudia Cascardo finaliza: “Achei que ele agiu precipitadamente e não viu as consequências, pois o País é movido pelos imigrantes”.

Fonte: Brazilian Times