Publicado em 8/07/2015 as 12:00am

Ex-dono da Supreme Cars diz que foi ameaçado de morte; novo dono diz: "fui enganado"

Mais de 30 pessoas teriam sido prejudicadas nas negociações de carros com o fechamento de 3 lojas em Everett

Da Redação - Um verdadeiro impasse tem envolvido os nomes dos ex-proprietários da Supreme Cars, Rômulo e Elizandra Aguiar, e o atual dono das lojas, o hispano Leo Castilho, 34 anos. Acusações de fraude, fechamento das lojas, intervenção da polícia, dezenas de críticas no Facebook e até ameaça de morte compõem a história, que se tornou o principal assunto da comunidade brasileira na última semana.

Na edição de quarta-feira, dia 2 de julho, o Brazilian Times publicou uma matéria com reclamações de clientes que compraram veículos na Supreme Cars, mas não teriam recebido os carros. Alguns também teriam perdido o dinheiro dado como sinal para segurar o carro ou entrada para fazer o financiamento.

Na ocasião, circulou a informação de que os donos teriam fugido para o Brasil depois de ter vendido as lojas para um hispano, que já nos primeiros dias teria percebido que a quantidade de dívidas e pendências era bem maior do que aquilo que constava em contrato. Durante a apuração da reportagem, nenhum dos envolvidos atendeu às ligações do jornal na terça-feira.

Mas, na última quinta-feira, dia 2, o Brazilian Times falou com as duas partes. Como havia a informação de que Rômulo e a esposa teriam fugido para o Brasil, o jornal solicitou a ele fazer uma entrevista pessoalmente, sem mencionar o local em que ele e a esposa estão. No entanto, Rômulo não concordou e disse que foi orientado por seu advogado a somente falar por telefone. Mesmo com a insistência do jornal, ele não se dispôs a receber pessoalmente a reportagem.

O BT também entrou em contato com o advogado James Hayes, que segundo Rômulo está cuidando do seu caso, mas ele disse que não iria se pronunciar e que  manterá privacidade sobre seu cliente.

A versão de Rômulo:

“Estão me fazendo acusações levianas”

Por telefone, durante 45 minutos, Rômulo disse ao Brazilian Times que está sendo ameaçado de morte e que já recebeu mensagens dizendo que ele vai “acordar com a boca cheia de formigas”. Ele confirma que vendeu as lojas e que a responsabilidade é do novo dono que “não está sabendo administrar o negócio”. “Estão todos me fazendo acusações levianas e até inventaram que o FBI está no caso, mas esse tipo de situação nem tem a ver com o FBI”, disse.

Rômulo se defendeu dizendo que radialistas que haviam divulgado o nome dele como culpado acabaram se retratando e o entrevistando ao vivo para esclarecer os fatos. “Tem gente querendo fazer justiça com as próprias mãos e não precisa disso. Eu trabalho com carros há 13 anos, todo mundo me conhece e nunca fui a uma corte, disse.

Segundo Rômulo, ele conheceu Leo há dois anos e o contratou para trabalhar com ele na loja. “Ele começou a crescer os olhos sobre o negócio porque via que o movimento mensal era de $700 a $800 mil dólares. Eu não tinha muito capital e havia dívidas, mas mesmo assim ele queria ser sócio. Daí falei para ele se queria comprar e ele aceitou. A empresa tinha $ 656 mil dólares em dívidas e várias outras pendências, mas era só trabalhar bem e ir ajeitando tudo, pagando as mais urgentes e tinha tudo para dar certo. Procuramos um advogado para fazer um contrato e assinamos no dia 13 de junho. Ficou claro para O Leo que ele ficaria responsável por toda a situação. Transferi 100% para ele. Descontadas as dívidas, ele me pagou $ 125 mil dólares.

Segundo Rômulo, mesmo depois da venda das lojas ele ainda ficou trabalhando por uns dias com Leo para passar informações, mas ele não soube dizer exatamente qual o período.

O Brazilian Times questionou Rômulo porque ele não avisou aos clientes que estava vendendo a loja e ele disse que não fez isso porque a maioria das grandes corporações não faz isso e que ele era “a cara” da Supreme Cars e que não queria anunciar para não espantar a clientela. “Eu quis sair sem fazer estardalhaço”, disse.

Ele afirmou para a reportagem que não imagina que as coisas tomariam esse rumo e que desejava que Leo fosse feliz com o negócio. “Ele me disse que a prima dele iria colocar dinheiro para continuar a tocar o negócio. Quando vendi avisei que eles precisariam de pelo menos $80 mil para manter todas as negociações iniciadas em dia”, continua Rômulo.

O Brazilian Times perguntou a ele porque acha que tudo isso ocorreu e que agora toda a comunidade brasileira o está culpando, além do Leo, que também diz ter sido enganado. “Para ser sincero acho que teve inveja, olho gordo e cobiça no que é dos outros. Ele viu que a empresa vendia muito, que fazia contrato de garantia estendida e que faturava até $7 milhões brutos por ano. Também me via andando de BMW nova, mas não levava em conta que era financiada. Eu tinha a empresa, mas não tinha capital e expliquei isso. Ele (Leo) achava que era o cara, mas não tinha o timbre e a experiência necessária para o business e aconteceu isso”.

Rômulo afirma que o contrato da venda está em seu poder e do seu advogado e que nele também consta que ele está proibido de ter uma atividade igual ou parecida a pelo menos 50 milhas de distância das lojas que foram vendidas.

O Brazilian Times também perguntou para ele quais eram seus planos de trabalho após vender o negócio, já que nos últimos 13 anos teria se dedicado somente a esta área. Rômulo disse que não comentaria sobre o assunto e disse que depois da assinatura do contrato foi para Cape Cod relaxar e descansar com a família.

Nos minutos finais da entrevista, Rômulo afirmou que Leo sabia como estavam os negócios muito mais do que ele. “Eu nem ficava muito na loja nem tinha muito contato com os clientes”, disse. E continuou: “Eles aceitaram o negócio como estava e deveriam ter contratado um consultor para saber o que deveriam fazer. Eu não quis de maneira alguma lesar e isso nunca foi minha intenção. A Supreme Cars tem um seguro que é para ser usado justamente no caso de quebradeira”.

A vesão de Leo:

“Sou apenas um pedaço do prejuízo que ele causou"

O Brazilian Times também falou com Leo Castilho, por telefone, para saber sua versão sobre o caso. Ele também não quis atender a reportagem pessoalmente. Veja o que ele disse:

“Eu era apenas um empregado, muito trabalhador. Vi que o local tinha potencial para crescer e eu confiava nele (Rômulo). Todos nós confiávamos nele. Então, quando veio a oportunidade eu ofereci de comprar o negócio. Minha prima tinha o dinheiro, demos $125 mil de entrada e gastamos mais $100 mil. Daí descobrimos que ele tinha mentido, pois tinha dívidas além do que ele havia mencionado. As dívidas dele chegam a $4 milhões de dólares. Ele deve para clientes, deu desfalques em bancos e nas companhias que emprestavam os carros para ele vender. Quando acionamos a polícia ele já tinha fugido. Ninguém sabe onde ele está! Ele liga para as rádios e diz que está sendo ameaçado, mas ele está com medo do desfalque que ele deu em várias companhias. Sou apenas um pedacinho do montante que ele deve e do prejuízo que ele causou a muitas pessoas.  Por que ele não aparece a vai para a corte? É isso que eu quero. Ele não se preocupou com minha família, com a família de outras pessoas. Agora me deixou numa situação difícil com $250mil dólares em dívidas. Ele me usou! Porque ele sabia de todas as dívidas dele, não falou a verdade, sumiu do mapa e ainda fica ligando para programas de rádio dizendo que está sendo ameaçado. Fizemos um contrato com ele. Ele nunca transferiu as licenças da companhia para nosso nome. Tentamos sentar com ele para conversar sobre tudo na segunda-feira (dia 29), mas ele não apareceu. Na quarta-feira, quando a polícia foi atrás dele, ele tinha desaparecido. Existem até o momento, no mínimo, 30 reclamações contra ele”.

Cliente diz que perdeu $4.200 mil dólares

O brasileiro Saul Montoura Silva, que veio de Conselheiro Pena (MG), mora Medfor e está há 4 anos nos Estados Unidos, é outro que se diz vítima da Supreme Cars. Ele contou ao Brazilian Times que comprou um carro há 30 dias, deu entrada $3 mil dólares de entrada e pagou mais $1,2 mil de impostos, mas até agora não recebeu seu Sonara/Hyundai. “Quando comprei o carro me disseram que em uma semana entregariam tudo pronto. Assinei todos os documentos do financiamento e fiquei aguardando. Mas depois de uma semana me ligaram dizendo que teriam de trocar de banco e queriam que eu assinasse outro contrato. Um vendedor veio até mim e novamente assinei. Me pediram um prazo de menos de uma semana para entregar o veículo, mas o tempo passou e nada. Eu comecei a desconfiar que tinha algo errado depois da troca de banco, mas mesmo assim achei que fosse receber o  carro. Mas quando resolvi ir até a loja para ver o que estava acontecendo já cheguei lá encontrei policiais. Eles me orientaram a ir até a delegacia para dar queixa. Agora a primeira parcela está programada para cair na minha conta nesta semana, mas estou aguardando retorno do banco para saber se vai dar certo o cancelamento”, conta.

Ele acrescenta dizendo que na sexta-feira anterior ao fechamento das lojas um vendedor ligou para ele oferecendo um seguro de $800 dólares e queriam o número do cartão de crédito, mas ele não concordou.

Outra brasileira que afirma ter sido lesada é Fabiana Bravim, que é de Aimorés (MG) e mora há 9 anos nos EUA. Ela disse que em 15 de junho foi até a loja e escolheu uma Equinox. “Eu até tinha levado o dinheiro da entrada, uns $4 mil dólares, mas deixei apenas $500 dólares como sinal para segurarem o carro. Eu disse que só daria a entrada quando me entregassem o veículo e isso foi minha sorte, pois senão tinha perdido mais”, afirma Fabiana.

De acordo com ela, prometeram o carro para o último dia 29 de junho, mas depois disso ela não conseguiu mais falar na loja. “Foi quando vi no Facebook tudo o que estavam falando e percebi que fui lesada.

Banco diz que está orientando clientes

Segundo Mike Michael Parsons, CFO (Chief Financial Officer) do Source One Financial Corporation (Norwell – MA), um dos bancos que financiavam veículos para a Supreme Cars, o maior problema foi o fechamento repentino das lojas e o desaparecimento do ex-dono. “Encontrei Rômulo Aguiar em suas 3 lojas no dia 26 de junho e ele me disse pessoalmente que ficaria aqui por longo prazo. Mas ele sumiu e se recusa a atender telefonemas ou emails. Agora, dezenas de clientes estão no escuro sem saber o que fazer. Estamos verificando as necessidades de nossos clientes e nossos prejuízos”, disse ao Brazilian Times em entrevista por email.

Mike afirmou que agora está ajudando os clientes a registar seus carros e dando andamento aos processos de vendas. No entanto, ele ressalta que isso é possível somente para os que fizeram financiamento, pois os que deram algum dinheiro como sinal terão de procurar a polícia e reportar o que aconteceu. “Pedimos aos clientes que procurem nosso departamento de atendimento para esclarecer dúvidas. Estamos trabalhando para ajudar a todos os consumidores. Nosso número de serviço ao cliente é (781) 871-6433(781) 871-6433. Ele finalizou dizendo que espera o reaparecimento do empresário para que “lance luz sobre estas questões”.

Fonte: Brazilian Times