Publicado em 15/07/2015 as 12:00am

Brasileira de 23 anos já serviu o Army na Coreia e no Afeganistão

Bárbara Byun, especializada em mecânica, vive na base de Fort Bragg, na Carolina do Sul

Fabiano Ferreira

A brasileira Barbara Byun é uma mulher corajosa. Com apenas 23 anos ela já tem em seu histórico profissional duas missões pelo Army (Exército Americano): Coreia do Sul e Afeganistão. Sua trajetória no exército começou aos 17 anos, quando ela ainda fazia a High School em Everett (MA).

Ela conta que começou a se interessar em servir o exército em função dos aprendizados que teria, a possibilidade de viajar para outros países e a honra de pertencer a uma organização respeitada. Foi quando falou com a mãe, Vânia Fazio, que deu total apoio à filha.

Bárbara chegou aos Estados Unidos quando tinha 9 anos, junto com a mãe, vindas de Uberlância (MG). Na ocasião em que se alistou para o exército morava em Wakefield, mas deu entrada na documentação na cidade de Peabody. Em pouco tempo passou pelos testes físicos e mentais no Maps, em Boston, e foi convocada para o seu primeiro treinamento em maio de 2011.

Foi a primeira vez que saiu de perto da mãe e foi para Fort Jackson, na Carolina do Sul. Lá ficou por seis meses, passando pelo treinamento básico e depois estudando mecânica, a área de atuação que escolheu para servir no Army. “Foram muitos desafios na época. Comecei do zero e lá eu era mais um número. Recebia ordens o tempo todo, desde a hora que acordava, para as atividades rotineiras e de trabalho, até a hora de dormir. Mas eu sempre pensava que o sacrifício era temporário e necessário para conseguir chegar aonde eu queria”, conta.

A maior parte dos que servem o Army é formada por homens, mas Bárbara conta que quando fez os treinamentos também havia outras mulheres.

Após concluir os treinamentos, em novembro de 2011, ela ficou alguns dias em férias e logo foi chamada para sua primeira missão, na Coréia do Sul, por onde ficou por um ano. “Os Estados Unidos têm base na Coréia há mais de 60 anos para manter a paz no território. Então fui para lá para trabalhar normalmente na base, mas tínhamos que estar preparados em duas horas para caso fôssemos recrutados para algum combate”, conta.

Rotina de trabalho

No dia-a-dia, Bárbara trabalhava normalmente e aos finais de semana podia ter folgas para fazer o que quisesse. A rotina começava às 6am, com exercícios físicos, e depois o trabalho consistia na manutenção de caminhonetes e caminhões usados pelos soldados.

Ela lembra que houve um período em que eles ficaram em alto grau de alerta, quando o presidente da Coréia morreu e seu filho tomou o poder e mencionava querer atacar os EUA. Mas tudo se encaminhou tranquilamente e nada de grave foi registrado.

Nesse período, ela matava a saudade da mãe falando por telefone e Skype, sempre que possível.

Casamento e missão no Afeganistão

Foi na época em que serviu na Coréia do Sul que Bárbara conheceu seu marido, Andrew Buyn, que também pertence ao Army. Os dois se conheceram cerca de 4 meses antes de terminar a missão. Depois ela voltou para Fort Bragg, na Carolina do Norte, e após 7 meses ele também foi enviado para lá.

Eles se casaram em julho de 2013 em Las Vegas, na Califórnia, onde aproveitaram para passaram uns dias juntos, já que as agendas deles quase nunca coincidiam.

Em agosto de 2014, Bárbara foi enviada para o Afeganistão, na mesma missão de Marlos Acordi, brasileiro que na semana passada também foi tema de matéria no Brazilian Times.

Grande aprendizado

Bárbara acaba de completar 4 anos no Army, contando os treinamentos e as missões. Ela diz que nesse tempo, o maior aprendizado que teve foi o crescimento interior vindo pela convivência com outras pessoas e culturas, principalmente por ter conhecido outros países.

Ela tem mais 16 meses de contrato no Army e ainda está pensando se pede renovação e transferência para uma base na Califórnia ou se segue com os planos dela e do marido, de ir para Los Angeles, cidade Natal dele, e lá ingressar na carreira policial.

Fonte: Brazilian Times