Publicado em 5/08/2015 as 12:00am

Brasileiro é premiado nos EUA por criar peças metálicas leves em 3D

Técnica que reduz peso do material em 50% foi reconhecida no Iproday. Samar Moreira, de São Francisco, RJ, participa do 'Ciência Sem Fronteiras'.

Da redação 

Nascido e criado na cidade de São Francisco de Itabapoana, no Norte Fluminense, o aluno de engenharia de produção Samar Moreira Reis, de 21 anos, não imaginava que poderia receber um prêmio nos Estados Unidos tão precocemente. Ele e outros oito brasileiros foram os vencedores na categoria de melhor projeto em inovação do Interprofessional Projects Program, o Iproday, na cidade de Chicago. A equipe desenvolveu técnicas de fabricação que permitem produzir peças metálicas de bicicletas mais leves em 3D. O peso é reduzido em aproximadamente 50%. A premiação aconteceu no dia 24 de julho.

“Não acreditei quando minha pesquisa foi anunciada como vencedora, pois todos os projetos foram excelentes. Os jurados, engenheiros e visitantes ficaram impressionados com o nível do nosso trabalho e eu e minha equipe recebemos a premiação de melhor projeto em inovação envolvendo impressão 3D”, explicou Samar.

O prêmio Special Recognition, Track 4: Innovations in 3-D Printing foi entregue aos estudantes pelas mãos do embaixador brasileiro emChicago, Paulo César de Camargo. O Iproday 2015 contou com aproximadamente 50 projetos divididos em 8 categorias.

O projeto desenvolveu o tema sobre aplicação de técnicas inteligentes de produção/manufatura. Após passar por uma escola estadual em São Francisco, Samar está há um ano nos Estados Unidos fazendo intercâmbio através do programa "Ciência Sem Fronteiras", do Governo Federal, e estuda na University of Nevada, localizada em Reno. O "Ciência Sem Fronteira" promove intercâmbio e possibilita que alunos de graduação e pós-graduação façam estágio no exterior.

Segundo Samar, os estudos são separados por categorias.

"Eu e minha equipe, juntamente com o nosso mentor professor William Maurer, que é alemão, desenvolvemos técnicas de fabricação de algumas partes metálicas de bicicletas, reduzindo o peso delas em aproximadamente 50%. Aumentamos a complexidade das peças, reduzindo a quantidade de material utilizado e criando um novo design com a impressão em 3D", explicou o estudante, acrescentando que o projeto pode ser expandido para outros setores da indústria, como o automotivo.

Ingresso ao programa
O estudante de Engenharia destacou a dificuldade em ser aprovado no programa "Ciência Sem Fronteiras" e chegar aos Estados Unidos. Ele conta que, no início de 2014, se candidatou e escolheu o edital dos Estados Unidos, pois sempre foi seu sonho viver e estudar no país. O processo de admissão foi bem longo e muitas vezes com altos e baixos. A primeira etapa foi a aprovação da Uenf, que atestou o rendimento de Samar como aluno de excelência. Após a aprovação da universidade ele realizou um teste de inglês para saber se tinha as noções básicas do idioma.

“Após meses e meses de processo, recebi a notícia que havia sido aprovado no programa Ciências Sem Fronteiras em junho de 2014. Em agosto de 2014 cheguei aos Estados Unidos para estudar na University of Nevada por aproximadamente 15 meses. Semanas antes de terminar meu primeiro semestre acadêmico, em abril 2015, me apliquei para um projeto de pesquisa no Illinois Institute of Technology (IIT), na cidade de Chicago. Fui aprovado pela IIT e vivi a experiência de poder trabalhar com pessoas extraordinárias”, ressaltou Samar.

Passado e futuro
Na pré-adolescência, o jovem que gostava de jogar bola pelos bairros de São Francisco de Itabapoana lembra que começou a acumular prêmios desde quando estudava na Escola Estadual Agostinho Chrysanto de Araújo, localizada na Praia de Santa Clara. Samar e outros alunos foram premiados com menção honrosa na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) nos anos de 2006 e 2008. Os estudantes chegaram receber das mãos do então Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, um notebook durante uma homenagem no Ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro.

“Para o futuro, meus planos são terminar o intercambio nos EUA e concluir a minha graduação no Brasil, bem como ingressar na minha pós-graduação/mestrado aqui nos Estados Unidos, onde acesso a laboratórios de alta tecnologia”, finalizou Samar Moreira Reis.

Fonte: Brazilian Times