Publicado em 12/08/2015 as 12:00am

Advogado que usou a mídia brasileira para ludibriar clientes é condenado em Massachusetts

David Zak utilizou programas brasileiro de rádio para prometer a redução, pela metade, dos valores das hipotecas, alegando que ele tinha uma "fórmula secreta" e "números mágicos"

Da redação

O advogado David Zak, de Revere (Massachusetts) e suas duas empresas foram condenados a pagar mais de $625.000 por prejudicar proprietários com propagandas enganosas e exigir milhares de dólares em taxas de adiantamento para modificação de hipoteca e serviços que eles não conseguiram entregar. A informação foi anunciada pelo escritório da Procuradora-geral de Massachusetts, Maura Healey.

"No momento em que os proprietários estavam lutando para pagar as suas hipotecas, este advogado abusou da confiança dos seus clientes e deliberadamente explorou a situação financeira de cada um, exigindo taxas exorbitantes com falsas promessas, deixando os imóveis ainda mais vulneráveis", disse Healey. "Este julgamento põe fim a estas práticas enganosas e injustas, e confirma que aqueles que procuram se aproveitar financeiramente da crise de seus das pessoas serão responsabilizados", continua.

O acórdão obriga os réus a pagar mais de US$625.000 dólares, incluindo US$400.000 em penalidades civis, mais de US$68 mil dólares em honorários advocatícios e custos, e US$157.000 dólares em restituição para cerca de 65 clientes que se denunciaram o escritório à Procuradoria-Geral.

A maioria dos clientes é formada por imigrantes de língua espanhola e portuguesa. Em anúncioS divulgado em programas de rádio em espanhol e português, Zak prometeu reduzir pela metade os valores das hipotecas, alegando que ele tinha uma “fórmula secreta” e “números mágicos”desconhecidos pelos outros profissionais da área. Desta forma, ele afirmava que tinha meios para modificar os valores dos empréstimos.

A Procuradoria informou, ainda, Zak cobrava altas taxas dos seus clientes latinos, e em alguns casos o dobro do que é cobrado por escritórios que atuam no mesmo ramo.  Ele encorajava os latinos a deixar a hipoteca atrasar de forma intencional, não conseguiu traduzir adequadamente alguns documentos, deturpou o andamento de casos para alguns clientes e não conseguiu cumprir com o compromisso que era modificar o valor das hipotecas.

Sob os termos do acórdão, Zak e suas empresas estão proibidos de se envolver em publicidade enganosa ou solicitar, organizar ou aceitar taxas de adiantamento para a assistência em casos de hipoteca ou serviços do gênero.

Quando os clientes procuravam por respostas, ele os ameaçava, intimidava e agia com um comportamento humilhante. Marlon Hernandez, 39 anos, pai de três crianças, que trabalha em dois empregos para sustentar a família, disse que atrasou o pagamento de suas hipotecas em 2009 e pagou Zak o valor de US$5,600 para negociar com o seu banco.

Segundo ele, “depois de um ano, o escritório do advogado enviou uma carta dizendo que o seu trabalho foi basicamente concluído". O imigrante de El Salvador disse que exigiu uma reunião com Zak e disse “que pagou um valor alto e não achava que o trabalho estava feito”. Agora, o trabalhador espera que o banco tome o seu imóvel, em Malden, a qualquer momento.

A comissária Sunila Thomas-George disse em um comunicado que “a conduta do advogado é desprezível” e quando os tempos de crise surgem, as famílias trabalhadoras lutam para pagar as suas hipotecas. “A última coisa que precisam é ter um advogado explorador tentando extorquir milhares de dólares, devido a deficiência em fala inglês por parte dos latinos”, disse ela.

Fonte: Brazilian Times