Publicado em 14/08/2015 as 12:00am

Brasileiras comentam sobre ética profissional das babás

Após os escândalos envolvendo a babá Christine Ouzounian, que é apontada como pivô da separação dos famosos Ben Affleck e Jennifer Garner e ter sido fotografada com anéis de Tom Brady, marido de Gisele Bündchen, brasileiras comentam sobre ética

Marisa Abel

Casos de babás que se envolvem sexualmente ou emocionalmente com os maridos de suas patroas acontecem com certa frequência e após o escândalo com os famosos citados acima, o caso se tornou o assunto do momento na mídia e redes sociais.

Além das milhares de piadinhas sobre o assunto o que está em pauta é a ética profissional e conduta que estas profissionais tem de ter no ambiente de trabalho, já que trabalham diretamente com as famílias e muitas vezes são tratadas como membros da própria.

Maria da Penha, brasileira que está há quase 20 anos nos Estados Unidos, relata que quando seus filhos eram ainda crianças quando recebeu a notícia que sua excelente babá queria a demissão. “Tentei de todas as formas saber o que estava acontecendo, pois eu adorava o trabalho dela, as crianças a amavam e ela também gostava de estar conosco. Depois de pressioná-la a me contar qual era o problema, ela disse que meu marido naquela época, e pais dos meus filhos, se insinuou para ela. Chateada com a situação ela achou melhor partir. A traição só não aconteceu porque a babá não quis, neste caso ela foi, além de profissional, uma pessoa que demonstrou muita moral. Independente do fato não ter sido consumado, meu casamento acabou ali.”.

Situações como esta acontecem, porém os mais conhecidos são os que resultam na traição e consequentemente em divórcio.

Déia Abreu, que mora nos EUA há alguns anos e há mais de doze meses trabalha como babá para uma família americana relata. “Acho que como Baby-sitter devemos nos dar o respeito! E se nos confiaram a própria casa como ambiente de trabalho o menino que devemos ter é respeito com quem nos deu o trabalho. E isso deve acontecer não só com trabalhos de baby-sitter, respeito deve ser mantido em qualquer outro ambiente de trabalho ou profissão. Trabalho com esta família há um ano e se você me perguntar a cor dos olhos da marido da minha empregadora eu não sei dizer”.

Do ponto de vista de quem contrata, Micheli Menezes, residente em NYC e há mais de 25 anos vivendo aqui nos EUA concorda com a babá Déia Abreu. “Eu acho que não só uma babá, mas qualquer profissional deve se portar com respeito e respeitar o ambiente de trabalho, essa é a palavra chave para qualquer tipo de relacionamento profissional.”

Com mais de 5 anos de experiência com crianças e há 2 anos trabalhando como babá nos EUA a brasileira Aline Santos relata que nunca teve problemas com seus patrões e que jamais teria algum tipo de relacionamento com eles. “Tenho respeito muito grandes pelos meus chefes e eles por mim, mesmo que eu fosse solteira eu não sairia, meu pensamento é primar pelas crianças e o bem delas acima de tudo, para isso foi contratada. Ter um caso com meu chefe e destruir um casamento é destruir o universo destas crianças”.

Muitas pessoas criticam as mulheres que permitem que babás “bonitas” cuidem de seus filhos, porém o fato é: mulher bonita não pode trabalhar? Mulher bonita não pode escolher a profissão a qual deseja se dedicar? Para Aline a situação é clara. “Eu acho que a mulher luta por seu espaço na sociedade e acho um absurdo quando as características físicas são levadas em consideração. Quer dizer que mulher bonita não pode ser babá, enfermeira, frentista ou qualquer outra profissão que poderá chamar a atenção de seus superiores ou homens em geral? Homem pode trabalhar do que quiser que não será criticado, e por que que com mulher tem de ser assim?”, questiona a babá.

Jamile Schemelzer vive nos EUA há 8 anos, atualmente na Philadelphia ela diz nunca ter tido problemas com relação a aparência física, porém tem suas dúvidas quanto ao primeiro emprego como babá. “Acredito que no meu primeiro trabalho como babá isso possa ter sido algum problema porque a mãe da criança era muito grossa comigo. Me tratava muito mal, mais do que o costume, mas nunca me disseram nada. Já a família para qual trabalho hoje em dia são de uma educação sem limites. Acho que jamais eles comentariam algo do tipo, até porque são bem bonitos. Acho que o problema não está na aparência e sim no bom senso. No início usava maquiagem leve ou um rímel e o pai da criança comentava, comecei a trabalhar de cara limpa e quando saí deste trabalho o bloqueei dos meus contatos pois sua mensagens eram impróprias”.

Há 12 anos trabalhando como babá em NYC, Thaizinha Cataldi, relata seu ponto de vista sobre o caso de Bem Afleck. “Estourou com ela que é baba, mas quem sabe com quantas eles já as traíram? O fato de ela ser baba de um deles (ou dois, não sei) não significa que isso os fizeram traí-las, ela foi safada por pegar homem casado, e pior o patrão, estava ali próximos e isso facilitou, mas poderia ser housekeeper, professora de natação, música, instrumento, ou qualquer outra coisa, assim como poderia ser uma garota que eles conhecessem em algum jogo (o de pôquer, mesmo) que eles jogam constantemente, ela com certeza se aproximou dele(s) por algum motivo, ou tenha se apaixonado ou por safadeza é interesse, já nesse caso, quem traiu mesmo foi o homem, se deixou levar por uma garota fora do seu casamento, e ela é linda e atraente, juntou a fome com a vontade de comer, então ela traiu, mas ele foi o mais vagabundo, por ser casado. Quanto a mim, o meu modo de agir e pensar, sou babá, e vivo mais tempo dentro da casa deles do que da minha, nunca fui trabalhar com roupas que chamam atenção, decotes ou cumprimentos inadequados, nunca tenho brincadeiras íntimas com meus patrões, ‘por mais engraçado que ele seja, o meu é’, apenas sorrio, e nunca olho fixo olho a olho, acho que o olhar manda muito, nunca falo de assuntos particulares pra ele tipo, decepção amorosa, brincadeiras em finais de semana, paqueras, ou coisas parecidas, nunca fico lamentando minhas tristezas dando uma de coitadinha, isso aproxima muito as pessoas e as tocam com vontade de ajudar ou de pena para consolar, isso também é fora do profissional, enfim, minhas atitudes com meus patrões são extremamente a trabalho voltado às crianças, as únicas coisas que falo com ele são voltadas à aluguel de casa, que está caro ou coisa a esse tipo, sempre procuro não envolver em assuntos da família, nada que acontece dentro da casa deles me diz respeito, a não ser se for sobre as crianças, pra se ter uma ideia, trabalhei 7 anos na mesma família e não sei a profissão do meu ex-patrão, e o atual é da mesma forma, só sei que ele trabalha em NJ, mais nada! Sobre a vida deles nada me diz respeito, como profissional, qualquer pessoa tem que ser profissional, principalmente estando dentro da casa deles, a vida deles é deles é não minha, não quero NUNCA, tomar o lugar da minha patroa e nem nunca tirar vantagem do patrão! Caráter e personalidade a pessoa tem ou não tem, a profissão (baba) não a levou a trair! Ela não presta e nem eles”.

Fonte: Brazilian Times