Publicado em 28/08/2015 as 12:00am

Brasileiros falam sobre aumento da violência em Massachusetts

Apesar da onda de crimes ter aumentado, a maioria diz que se sente protegida e não tem medo

Luciano Sodré

Nos últimos meses, a onda de criminalidade que invadiu os noticiários norte-americanos se tornou alarmante. As autoridades estão preocupadas com o crescimento da violência e a segurança dos seus cidadãos. Assaltos, invasão de residência, agressões, pessoas dirigindo embriagadas, estupros e sequestros são alguns dos crimes que se tornaram comuns, principalmente em algumas cidades de Massachusetts.

O jornal Brazilian Times conversou com alguns brasileiros para saber se este crescimento assusta a comunidade e se realmente o assunto é motivo para se preocupar. A maioria afirma que tem notado um crescimento na criminalidade, mas diz que mesmo assim se sente segura morando nos Estados Unidos.

O Pastor Walter Mourisso é natural de Galileia (Minas Gerais) e mora em Weymouth (Massachusetts). Ele disse que a região em que reside possui um alto índice de invasões à residência e furtos. “Ainda não chegou em um ponto para nos preocuparmos tanto, pois podemos andar livremente pelas ruas”, fala. “Mas não posso deixar de ressaltar que a segurança mudou um pouco em relação há 10 anos”, continua.

Mourisso afirma que a criminalidade aumentou e credito este índice aos governantes atuais e a “falta de Deus no coração”. Para ele, o ser humano está deixando de acreditar nas pessoas, se tornando céticos em muitos fatores. “Já ouvi muitos falarem que não confiam mais em médicos, se sentem inseguros em relação ao próximo e buscam se afastar de todos”, disse.

Como solução para este problema, o evangélico cita que deve haver uma união entre as pessoas, uma busca em conjunto por caminhos certos e deixar de lado o “egocentrismo”. Ele explica que existe uma minoria que tenta conter a onda de crimes, dando ideias e sugestões. “Mas é abafada pela maioria que só está atrás de status, poder e interesse próprio. Quando digo isso também me refiro à comunidade brasileira”, salienta.

Falando como Pastor, ele disse que o índice de crimes está aumentando e que o ser humano deve buscar a Deus para que não cresça mais e se torne incontrolável, como no Brasil. “Não estou falando de religião e sim de Deus. As pessoas precisam saber que é importante ter Deus no coração, para que os caminhos sejam melhores”, finaliza.

O radialista Ayrton Costa, que chegou aos EUA em 2004, lembra que na época não se ouvia falar muito de assassinatos, roubos e outros crimes. Natural de Pancas, no Espírito Santo, ele atribui parte desta onda de crimes à crise financeira que se instaurou no país em 2008. “Foi após este fato que podemos perceber que a criminalidade aumentou”, disse.

Mesmo assim, ele se diz uma pessoa segura e não tem medo de andar pelas ruas e que a maioria dos crimes “é premeditada” e que os criminosos ainda não estão abordando pessoas nas ruas. “A maior parte dos roubos são invasões a residências ou pequenos mercados”, acrescenta.

Outra vantagem que ele cita é que os policiais norte-americanos são bem treinados, educados e estão nas ruas constantemente. “Chega a ser estranho ver tantas viaturas passando próximo à nos diariamente”, fala. Para ele, a polícia dos EUA é diferente da do Brasil, pois recebe todo treinamento e está apta a lidar com qualquer situação. “Mas não devemos esquecer que a melhor segurança é sempre evitar as más companhias”, continua.

Muitos americanos culpam os imigrantes pela onda de crime, mas Costa afirma que “não é fácil achar um culpado” e que tudo depende do sistema que já vem pronto das autoridades. “Em alguns estados é fácil adquirir uma arma de fogo capaz de fazer várias vitimas em fração de segundos. Penso que seria uma boa ideia uma campanha de desarmamento e dificultar a aquisição de uma arma”, fala.

Costa disse que se sente muito seguro vivendo nos EUA, pois comparado ao Brasil, as terras norte-americanas são um paraíso em termos de segurança. “Aqui a lei funciona e todos temos respeito pelas autoridades e isso inspira proteção”, finaliza.

A enfermeira Irenilda Alvernaz, que mora em Framingham (Massachusetts) há 12 anos, disse que falar de criminalidade nos EUA não é comum para ela. “Com certeza isso me assusta sim, pois antes os crimes aconteciam também, mas nos dias atuais está demais”, fala ressaltando que existem lugares que prefere não por se sentir insegura. “Em muitas festas, principalmente onde tem brasileiros (sei que serei apedrejada por falar isso) existem muitas brigas e confusões”, continua.

Ela, que é mineira de São João do Oriente, disse também que tem medo de frequentar alguns bairros de algumas cidades e que já evitou trabalhar em algumas por ter medo da violência, tais como assaltos durante o dia, brigas nas ruas, etc. “Sei que os casos estão aumentando, mas todos sabemos que as autoridades americanas estão trabalhando para resolver o problema”, fala.

Alvernaz também culpa o ser humano pelos crimes, por ele “perdeu o amor ao próximo e sai matando, estuprando e assaltando pessoas como se fosse a coisa mais normal do mundo e não pensa nas consequências. Para ela, as autoridades não podem culpar os imigrantes pela onda de crimes, pois se olhar os notícias quase todos os crimes são cometidos por norte-americanos.

Mesmo assim, ela se sente segura, pois sabe que é só ligar para o 911 que imediatamente aparece um socorro e os policias fazem de tudo para garantir a proteção do cidadão. “Me sinto melhor aqui do que no Brasil e Deus abençoe a América”, finaliza.

Para a professora e housecleaner Ronny de Lima, natural de Governador Valadares (Minas Gerais), o crescimento de casos de violência é assustador, pois quando ela chagou aos EUA há 15 anos, quase não se ouvia falar de crimes. “Eu não sinto medo de ir aos lugares, mas tenho receio quando há aglomeração de pessoas. Muita gente junta me assusta”, disse.

Ao contrário dos demais, ela afirma que a quantidade de crime nos Estados Unidos, comparados há 10 anos não tem muita diferença. “O que difere os casos de hoje para o passado é que nos dias atuais, a divulgação é maior e eles se tornam mais conhecidos. Antigamente, os crimes aconteciam, mas a mídia não divulgava tanto”, afirma ela, que mora em Lexington (MA).

Segundo ela, com o avanço da tecnologia, onde tudo que se faz pode ser filmado, publicado nas redes sociais e compartilhado em tempo real, só evidenciou o que já acontece no dia-a-dia. “E o desejo ou anseio do ser humano em postar uma notícia, seja ela de conotação desumana ou covarde, é maior que a vontade de ajudar”, continua.

Em sua visão, Ronny explica que a culpa pelo crescimento da violência é o próprio ser humano e nos EUA a violência acontece sob vários fatores. “Não podemos culpar os imigrantes, como muitas autoridades o fazem, pois a grande maioria dos crimes são praticados por pessoas de diferentes raças, sexo, idade, inclusive crianças, entre outros”, disse.

De Lima afirma que a falta de uma religião e a presença de Deus é o maior responsável pelos crimes, pois uma pessoa que, mesmo sem frequentar uma igreja, mas com Deus no coração, jamais cometerá um crime. “Nos tempos atuais, o homem quer brincar de Deus e esta brincadeira não está dando certa”, fala finalizando que se sente segura, pois sente a proteção divina, “que é o mais importante”.

Fonte: Brazilian Times

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