Publicado em 11/09/2015 as 12:00am

Igreja Santo Antônio de Somerville (MA) celebra 100 anos

Eles se reuniram para celebrar os 100 anos de fundação da igreja, dos quais 25 anos são totalmente envolvidos com a comunidade brasileira.

Stael DeMelo

O dia 6 de setembro de 2015 foi um dia especial para os fiéis da Paróquia Santo Antônio, na cidade de Somerville (Massachusetts). Eles se reuniram para celebrar os 100 anos de fundação da igreja, dos quais 25 anos são totalmente envolvidos com a comunidade brasileira.

Durante todo o dia, houve vários atividades para a celebração, entre elas, a missa, consagrações, hóstia, louvor, entre outras.

Os convidados se reuniram no salão de festas onde foi servido um almoço de confraternização.

O Padre Ademir Guerini, atual sacerdote da paróquia, que é um brasileiro de origem Italiana, conversou com a redação do BT e contou um pouco sobre essa celebração e a história da igreja. Ele nasceu em Charqueadas, Rio Grande do Sul, e foi ordenado como Sacerdote no dia 3 de janeiro de 1987.

 

Brazilian Times - Porque a escolha em ser um Padre?

Padre Ademir Guerini - Toda vocação tem um pouco de mistério, porque ela nasce com a gente e encontra um momento na história para se realizar. Às vezes me pergunto: porque um escolheu ficar juntos para sempre? Porque a mulher escolheu aquele e não outro e vice-versa. E toda vocação, chamado, que você segue te realiza, plenifica, dá sentido ao teu caminhar. A vocação tem estes mistérios bonitos que você não planeja para vivê-los, mas vem para realizá-los, como no caso a festa dos 100 anos.

 

BT - Qual a motivação que o levou a organizar essa festa?

PA - A motivação para organizar esta festa aconteceu exatamente há uns dois anos, conversando com as senhoras voluntárias que trabalham semanalmente no bingo. Vendo as fotos dos antigos paroquianos fixadas nas paredes do escritório. A partir daí li um artigo sobre a história da paróquia e vi que estávamos para completar 100 anos. Comecei a pensar na renovação da igreja, do salão da escola. Comecei um caminho que nunca pensei em passar por ele. Lidar com arquitetos, construtores, licença para a reforma. Foram desafios que aceitei e depois ver tudo isso concluído foi, sem dúvida nenhuma, uma alegria muito grande. Logo depois reuni o conselho paroquial, formado por americanos e brasileiros e a resposta foi positiva. Começamos organizando um livro com as fotos dos paroquianos que deve sair em dois meses, com fotos da festa incluídas. Tudo que fizemos neste ano levava o carimbo dos 100 anos. Por exemplo, a festa do Dia das Mães, Festa Junina, Festa do Nosso Padroeiro Santo Antônio e agora Aparecida.

 

BT - Qual a autoridade convidada para fazer a celebração na igreja?

PA – Foi o Cardeal Sean O’Malley, OFM Cap. Ele era Capuchinho antes de ser bispo. Ele foi bispo nas Ilhas Canarinhas, depois veio para Fall River, acho que em Miame por alguns anos, e por fim em Boston.

 

BT – Por que tudo isso?

PA - Todo aniversário é importante, e com muito mais razão os 100 anos de uma Igreja-Comunidade fundada por Italianos, mantida por Ítalo-americanos e agora brasileiros. Você imagina a luta dos italianos quando chegaram aqui, desprovidos também eles de infraestrutura para organizar-se como comunidade. Aos poucos eles foram construindo todo este patrimônio que hoje nós podemos usufruir. Tudo isso não foi feito de um dia para outro, foram mais de 60 anos de trabalho. Ao completarem 75 nos de existência, o ‘jornalista’ ítalo-americano terminava o seu artigo dizendo que o próximo milestone de St. Anthony Parish seria os 100 anos, porém, como seria isso, não fazia nem ideia do que podia acontecer. Hoje podemos dizer que a festa fez “jus” ao trabalho realizado por eles e mantido por não na esperança de um futuro esperançoso para Santo Antônio. Por isso, a celebração era trazer presente a memória destes imigrantes, seus esforços e dedicação para construir esta igreja e, também suas alegrias. Imagino que devem ter celebrados muitos aniversários, casamentos, festas patronais, festa italianas como la bella polenta, la bella polenta se manja cosi. As pequenas conquistas ao longo dos anos deviam ter sido celebradas com júbilo, assim como na própria língua italiana e ao estilo italiano. A vida do imigrante renasce no novo país.

Fonte: Brazilian Times