Publicado em 5/10/2015 as 12:00am

Filha de colunista do Brazilian Times faz trabalho comunitário no Camboja

Após retornar do Camboja, Celinne da Costa realizará uma série de palestras que visam encorajar os participantes a se envolverem mais em obras sociais

Da redação

Da redação

Celinne da Costa, de 24 anos, passou duas semanas em agosto desse ano lecionando inglês para crianças no país asiático

Nascida em Roma, Itália, filha da mineira Arilda Costa McClive, e radicada nos EUA desde os 10 anos de idade, Celinne da Costa, de 24 anos, revelou à equipe de reportagem do BV que uma das suas maiores paixões é viajar e conhecer outras culturas. Entretanto, a jovem, graduada em Publicidade e residente em Nova York, vê o mundo com lentes diferentes de um turista convencional. Ao invés de simplesmente conhecer os locais turísticos e aprazíveis, ela tenta entrar em contato com a população local para entender a cultura, costumes e levar em sua “bagagem” os ensinamentos aprendidos.

Tal forma de ver a vida a fez criar o Blog “The Nomads Oasis” (O oásis do nômade, em tradução livre), no qual postava as experiências vividas durante as viagens. Fluente em italiano, inglês e português, em pouco tempo Celinne atraiu vários internautas com seu “diário de bordo”.

“Eu nunca vivi na mesma casa por mais de poucos anos. Toda a minha vida é pontilhada com memórias de mudanças e adaptações. Eu nasci no coração de Roma, Itália, de uma mãe imigrante brasileira e um pai italiano criado alemão. Acelerando 10 anos: Eu estou correndo no quintal da casa da minha avó no Brasil, primos, galinhas e pés de manga. Mais um ano se passa, e eu me vejo caminhando nos corredores de uma escola elementar desconfortavelmente limpa e estéril em um subúrbio de Connecticut”, postou Celinne sobre suas memórias no “The Nomads Oasis”.

Essas experiências fizeram com que ela desenvolvesse o gosto por viagens e isso a levou a lugares distantes como a Tailândia e até o Camboja, onde em agosto desse ano ela lecionou por 2 semanas o idioma inglês para alunos entre o 1º e 6º ano. O seu Blog chamou a atenção de um antigo executivo de sucesso que abandonou a vida milionária para viajar o mundo de motocicleta. Durante essa aventura, ele percebeu que as pessoas que o trataram com mais generosidade eram justamente aquelas mais pobres materialmente. Em decorrência disso, ele fundou a ONG “Human Interaction Project”, que ajuda essas comunidades carentes. Ele a convidou para participar do programa desenvolvido no Camboja. Na volta aos EUA, ela foi convidada novamente pela ONG para realizar palestras pelo país que visam motivar os participantes a se envolverem mais em ações sociais do gênero, tendo como base a experiência de Celinne adquirida no projeto.

A guerra civil no Camboja deixou um rastro de dor e sofrimento à sua população, que teve parte dela transferida, em caráter obrigatório, para campos de trabalho forçado de colheita de arroz. Esses campos eram a versão “crioula” dos campos de concentração da Alemanha nazista e os “gulags” da União Soviética. Ali torturaram e assassinaram dezenas de milhares de pessoas que não compartilham de sua ideologia socialista, e várias pessoas que usavam óculos foram vítimas de fuzilamento, só porque tinham de usá-los e também aqueles que sabiam ler e escrever, porque muitos dos revolucionários eram analfabetos. Esse triste período histórico deixou cicatrizes e influências no país que podem ser observadas nos dias de hoje. Voluntários de ONGs, como Celinne, presenciam nitidamente o verdadeiro abismo social existente no Camboja. Segundo ela, um dos grandes problemas enfrentados pela população no Camboja é o ensino público deficiente. “O sistema é projetado para as pessoas falharem, ou seja, não há saída. O pobre tende a permanecer pobre e o rico mais rico”, comentou. “Esses milhões de dólares que o país recebe em doações; simplesmente desaparecem”.

“O saber e o ver têm uma diferença enorme”, disse Costa, com relação às dificuldades que ela presenciou enfrentadas diariamente pela população carente no Camboja. A corrupção é generalizada no país e o ensino público altamente deficiente, tornando quase impossível a mobilidade social. Em virtude disso, os US$ 2.500 que ela recebeu do programa serão doados para manter um estudante cambojano por 4 anos na universidade local. Na década de 70, o país do sudeste asiático foi vítima de um golpe de estado e grande parte de sua população foi dizimada.

Se cada um fizer um pouco com relação ao próximo, consequentemente, o conjunto das ações teria uma abrangência muito maior, acredita Celinne. (Fonte: BV)

Fonte: Brazilian Voice