Publicado em 7/10/2015 as 12:00am

Começa julgamento de brasileiro que matou ex-namorada em Marshfield (MA)

Quatro anos depois e as testemunhas se emocionam ao se lembrar da cena do crime e do corpo de Patrícia envolto em sangue e perfurado pelas facadas

Da redação

Quatro anos depois que Patrícia Fróes, 24 anos, foi assassinada a facadas no corredor do lado de fora do seu apartamento em Marshfield (Massachusetts), um depoimento emocionado e assustador marcou o primeiro dia de abertura de argumentos e testemunhos do julgamento do homem acusado de ser o assassino.

A audiência aconteceu manhã de segunda-feira (05), no Tribunal Superior em Brockton e o júri era formado por nove mulheres e cinco homens. Na abertura, os promotores afirmaram que o brasileiro Marcello Almeida emboscou a sua ex-namorada no Fox Run Apartments, na Plain Street e a esfaqueou 10 vezes usando uma faca de cozinha.

Almeida, um imigrante indocumentado do Brasil, responde processo por assassinato em primeiro grau da ex-namorada, também brasileira Patrícia Fróes, que tinha dois empregos, sendo um na área de limpeza de casas e outro em uma lanchonete de fast-food.

O assassinato foi deliberado, premeditado e feito com “extrema atrocidade e crueldade”, conforme relatou Sharon Donatelle, uma assistente do Procurador-Geral do Condado de Plymouth (MA).

Já o advogado de defesa do brasileiro, Jack Atwood, disse aos juris que o assassinato foi um ato passional e um simples caso de homicídio culposo, onde não há intenção de cometer o crime.

Atwood, um advogado de Plymouth, disse que Fróes empurrou Almeida durante uma discussão na manhã do dia 26 de setembro de 2011, no apartamento em Marshfield. “Ele a atacou e matou, e então tentou tirar sua própria vida. Como eu disse, esse foi um crime feito no calor da paixão. Isso não é um assassinato de primeiro grau”, afirmou.

O julgamento começou na semana passada com a escolha do júri e uma “visita de campo” ao local do assassinato. Na manhã de segunda, Donatelle disse ao júri que Fróes tinha apenas 18 anos quando conheceu Almeida, no Brasil. Na época ele tinha 35 anos e os dois iniciaram um relacionamento.

Depois, Almeida se mudou para os Estados Unidos e Fróes soube que estava grávida. Dois anos depois, em 2007, ela deixou o seu filho com a sua mãe no Brasil e se juntou ao companheiro em Marshfield, no mesmo local onde foi assassinada depois.

Donatelle acrescenta que “no início do verão de 2011 houve um aumento de estresse e brigas entre o casal”. Depois de algum tempo, Fróes decidiu terminar o relacionamento com Almeida e foi morar com uma tia na cidade de Quincy por três semanas. Mas depois, a brasileira voltou a residir no mesmo condomínio de apartamentos que viveu com o acusado.

Ela voltou para o local e foi morar com velhos amigos em um apartamento abaixo do de Almeida, que continuou a perseguindo e sempre afirmava que iria matá-la se ela não voltasse para ele, segundo afirmou a Promotoria. Mas em uma manhã de segunda-feira, há quatro anos, Fróes saiu do apartamento onde estava e encontrou o ex-namorado no corredor.

"Almeida armou-se com uma grande faca de cozinha de cabo preto e ficou do lado de fora à espera da vítima”, disse Donatelle. "Ela não tinha a menor chance", continuou. A brasileira foi esfaqueada nas mãos, peito, torso e pescoço.

Um dos amigos que dividia apartamento com Fróes, Luis Garcia, foi a primeira testemunha de acusação. Com voz embargada e bastante emocionado ele descreveu como a sua namorada gritou desesperada que Almeida estava matando a amiga no corredor. "Havia sangue por toda parte, nas paredes e no tapete. O peito dela estava coberto por sangue", disse.

Garcia e outra testemunha que morava no prédio afirmaram que viram Almeida caminhando para longe do corpo Fróes.

Almeida, que estava sentado ao lado de um intérprete, durante o julgamento, ouviu todo o depoimento das testemunhas, mas ainda não depôs. A morte de Fróes foi o primeiro assassinato em Marshfield em mais de 10 anos.

Fróes era da cidade de Frei Inocêncio, na Região Leste de Minas Gerais. De acordo com a mãe da vítima, Roseli Fróes, o ex-marido da filha nunca aceitou o término do relacionamento. "Ele ameaçou ela Patrícia e falou que não iria pagar o dinheiro que estava devendo para ela, ia comprar um revólver e dar um tiro na cabeça dela", disse.

A mãe do suspeito, Carmem Machado, conformou que o filho não aceitava o fim do relacionamento.

Fonte: Brazilian Times