Publicado em 16/10/2015 as 12:00am

Brasileiros falam sobre condenação de Marcello

A sentença foi aplaudida pela grande maioria das pessoas, mas alguns ainda se mostraram contrário a uma pena tão severa.

Da redação

Marcello (Branco) de Almeida foi condenado, na quarta-feira (14) a prisão perpétua pelo assassinato da ex-namorada em setembro de 2011. O caso tomou conta da mídia norte-americana e movimento a comunidade brasileira. A sentença foi aplaudida pela grande maioria das pessoas, mas alguns ainda se mostraram contrário a uma pena tão severa.

O Brazilian Times foi às ruas para saber se realmente a comunidade aprova a prisão perpétua como uma pena ideal para crimes de homicídio.

Júlio Morais, candidato a vereador pela cidade de Everett (Massachusetts), disse que achou justa a condenação. Para ele, o fato de haver uma separação de um casal ou qualquer ou motivo não justifica qualquer tamanha violência. Este ato não envolveu somente os dois, mas o filho do casal, que ficou sem a presença da mãe e do pai em sua criação. A família de ambos os lados também sofrem com as perdas. Nesta sociedade existem leis que mantém a ordem e elas devem ser respeitadas.

Márcio Porto, ativista e diretor-executivo da Central do Trabalhador Imigrante Brasileiro (CTIB), afirmou que a condenação foi justa e que em qualquer país ou em qualquer lugar, “justiça tem que estar acima de qualquer pessoa”, mas que ninguém pode fazer justiça com as próprias mãos. “Sabemos que o dia-a-dia na América é muito estressante e que a comunidade trabalha muito e isso tem sido prejudicial para muitos. Mas todos deveriam tirar um tempo para relaxar, se divertir, interagir com outras pessoas e cuidar um pouco da mente”, fala. Para o ativista, ninguém pode ir contra a decisão do Júri e ressalta que se o brasileiro escolheu os Estados Unidos para morar, ele deve respeitar as leis e seguir a tradição deste país.

Rayanne Sabará, empresária natural de Cariacica (Espírito Santo), é mais uma que achou justa a condenação e afirma que “ninguém tem o direito de tirar a vida de um ser humano, somente Deus tem este poder”. Ela acrescenta que a lei nos EUA existe e é cumprida e todos precisam ter consequência  dos seus atos. “Ele mereceu prisão perpétua, pois não é um homem que possa estar em uma sociedade. Ele oferece um risco grande, Mesmo tendo se arrependido ainda é um grande perigo”, afirma.

Ela ressalta que muitas mulheres sofrem abuso doméstico e por se sentirem ameaçadas não têm coragem de denunciar seus agressores ou buscar uma ajuda. “Infelizmente quando as mulheres que sofrem estes abusos ficam caladas, o final, na maioria das vezes, é este – assassinatos cometidos por seus parceiros”, conclui.

Dário Galvão, ativista comunitário, acredita que a justiça foi feita, mas que a humanidade precisa entender que “a vida foi dada por Deus e somente ele pode tirar”. Ele disse que não é a favor da pena de morte, mas defende que criminosos que cometem assassinatos devem mofar na cadeia. Para ele, a pena aplicada foi de acordo com o que o brasileiro cometeu. “Os anos de vida dele atrás das grades vai ser para pensar no que fez e que existe uma família que também está sofrendo como ele, pois não tem mais a filha para abraçar e beijar”, acrescenta.

A empresária Ronny de Lima também concorda com a pena aplicada e ressalta que ficou provado que o brasileiro planejou tudo. Para ela são duas vidas perdas: a de Patrícia que foi morta e a de Marcello que viverá preso até o final da sua vida. Além disso, ela cita a destruição das famílias que perderam seus entes queridos, um filho que ficou sem a mãe e poderá não ver mais o pai.

Em relação a violência doméstica, Ronny comenta que tanto mulheres quanto homens devem se lembrar que neste país a lei funciona para todo mundo, sem distinção classe social, religião, status imigratório ou raça. "Se você se sentir ameaçada, procure ajuda através da polícia ou com o seu próprio médico”, fala. “Todas as vezes que faço uma consulta médica, a enfermeira me pergunta se eu me sinto segura em casa. Este é o momento de abrir o jogo”, continua. “Você não esta sozinha”, conclui.

Já a ativista Lídia Souza, diretora do grupo Solidariedade, disse que a condenação foi justa diante das leis humanas, mas que perante Deus não seria. Ela aproveita a oportunidade para alertar o problema da violência doméstica “que tem crescido assustadoramente em Massachusetts”.

A ativista explica que existem muitos órgãos e departamentos policiais que cuidam exclusivamente deste assunto. “As mulheres imigrantes não devem ter medo de denunciar ameaças ou agressões, mesmo que elas estejam vivendo ilegalmente no país”, afirma.

Fonte: Brazilian Times