Publicado em 23/10/2015 as 12:00am

Quadrilha que promete facilitar visto americano é presa no Rio de Janeiro

Os bandidos falsificavam documentos e davam até aula particular para ensinar a enganar os funcionários do consulado

Um alerta para brasileiros que querem viajar para os Estados Unidos. Quadrilhas andam prometendo facilitar o visto americano, mas é um golpe.

No Rio de Janeiro, um desses grupos foi preso. Os bandidos falsificavam documentos e davam até aula particular para ensinar a enganar os funcionários do consulado.

As malas já estavam prontas para viagem, mas eles não foram longe. A mulher que faz parte da quadrilha e quatro pessoas que pagaram pelos serviços criminosos foram presas quando ainda estavam na fila do consulado americano.

E o material apreendido revelou um sofisticado esquema de falsificação de documentos. Tudo era falsificado para mostrar que os candidatos ao visto americano não tinham a intenção de viver nos Estados Unidos. Só que segundo a polícia, tinham sim.

Para isso a quadrilha falsificava escrituras para parecer que o candidato era dono de imóveis. Extratos bancários com saldo gordo, diplomas universitários, vistos de entrada em outros países e até declaração de Imposto de Renda. “Entrava no sistema da Receita Federal, pelo website, informava dados inverídicos, emitiam o recibo e também falsificavam escrituras públicas para dizer que seus clientes teriam uma renda compatível para poder viajar”, afirma o delegado Aloysio Falcão.

A quadrilha não conseguia apenas os documentos falsos. Quem pagava pelos serviços também tinha direito a um cursinho preparatório, um treinamento que podia durar até duas semanas para aprender as perguntas feitas no consulado. As questões que simulavam a entrevista estavam em papéis encontrados na casa onde a quadrilha recebia os interessados em Queimados, na Baixada Fluminense.

O consulado americano percebeu a repetição de respostas em várias entrevistas e procurou a polícia. As investigações revelaram que a quadrilha agia desde 2008. E cobrava 7 mil dólares, cerca de R$ 27 mil, por pessoa.

Os policiais já sabem também que pelo menos outros dois brasileiros que vivem em Boston, nos Estados Unidos, fazem parte da quadrilha. Eles recebiam os brasileiros lá. E aqueles que não podiam pagar eram obrigados a trabalhar para os criminosos. A polícia americana foi avisada.

Valéria, que fazia os contatos com os interessados no Brasil, pode pegar até nove anos de cadeia por associação criminosa e uso de documento falso. Mas quem contratou os serviços da quadrilha também pode ficar preso por muito tempo.

“Quem se vale do serviço está cometendo o crime, uso de documento falso, que é pena de um a cinco anos”, explica o delegado Aloysio Falcão.

Em Minas Gerais, um outro golpe está sendo denunciado por quem queria tirar o visto americano.

João e três parentes dele se dizem vítimas de uma mesma quadrilha. Eles já tiveram o visto negado uma vez e decidiram procurar ajuda de pessoas que se apresentaram como despachantes.

Chegaram a sair de São Gotardo, no interior de Minas, e foram a São Paulo. João conta que foi levado pelos supostos despachantes a um hotel e que tiveram as impressões digitais recolhidas dentro do próprio hotel.

Com a promessa de receber o passaporte pelo Correio, ele pagou R$ 6 mil. O documento chegou, mas em branco. Os supostos despachantes sumiram. “Fez a gente ir no shopping tirar a foto, arrumar tudo certinho dizendo que a gente nem ia precisar ir no consulado. Dizendo que tinha um contato no consulado. Foi R$ 6 mil de cada da minha família. Foram quatro pessoas. Prejuízo de R$ 24 mil”, conta o comerciante João Frederico de Camargo.

O serviço também era anunciado em uma rede social. Outras duas pessoas afirmam que caíram no mesmo golpe. O mototaxista Eduardo Júnior Silva perdeu R$ 3 mil e também recebeu o passaporte sem visto. “Teve gente que vendeu tudo que tinha para conseguir o dinheiro para dar para ele e ele foi embora”, diz.

O pai de Daniane, que viajou com Eduardo para São Paulo, deu R$ 7,5 mil para quadrilha. “Ele ficou arrasado porque ele tinha muita vontade de ir lá e rever o irmão dele. Ele ficou muito triste, principalmente, pelo dinheiro”, afirma a estudante Daniane Amaral.

Fonte: Brazilian Times