Publicado em 17/11/2015 as 12:00am

Brasileiros falam sobre ameaças terroristas aos EUA

O medo se instaurou em muitas comunidades.

Depois dos ataques ocorridos em Paris (França) comandados pelo Estado Islâmico, um vídeo veiculou na internet mostraram supostas ameaças feitas pelo grupo de que os Estados Unidos seriam atacados muito em breve. A veracidade da ameaça não foi confirmada, mas muitas pessoas estão temerosas pelo que possa acontecer. Isso porque para alguns especialistas, já deve haver terroristas dentro do país esperando somente a ordem de ataque.

O medo se instaurou em muitas comunidades. Mas será que os brasileiros também estão temerosos com as ameaças. O Brazilian Times conversou com alguns para saber o que pensam sobre o assunto e se realmente o medo existe. Outra questão é se o ódio ao imigrante cresceu depois dos ataques em Paris.

O ativista Márcio Porto, natural de Campina Grande (Paraíba), demonstrou que está revoltado com as ações do Estado Islâmico, o qual segundo ele deve ter um basta o quanto antes. “As autoridades mundiais precisam parar estes atos de terror antes que mais milhares de pessoas morram”, disse ele ressaltando que “se sente profundamente triste com o que aconteceu em Paris”.

Mesmo diante das ameaças posterior aos ataques na França, Porto acredita que este caso é isolado e não trará consequências para o trabalhador imigrante nos Estados Unidos. “Estou falando do crescimento ao ódio aos imigrantes”, explica. “A cultura dos EUA sabe assimilar e diferenciar muito bem o imigrante latino dos demais e sabe que nós não trazemos na bagagem questões política-religiosas”, continuou.

Aproveitando a oportunidade, Porto falou sobre o caso em Mariana (Minas Gerais) e externou sua solidariedade ao povo mineiro, “que também foi vítima de outra forma de terrorismo, o da ganância econômica”.

O chef de cozinha Zeca Chaves, reside em Westborough (MA) e é natural de Anápolis (Goiás). Ele disse que o seu sentimento quando soube do atentado em Paris foi de tristeza e “um nó na barriga por saber que pessoas, seres humanos como ele ainda podem passar por coisas desse tipo em pleno 2015”, uma época marcada por tanta liberdade.

Ele não consegue entender como pessoas que se dizem religiosas tiram vidas com base em crenças mal interpretadas. “Estamos em uma época que o ser humano já deveria abraçar as desigualdades, negro e branco viverem lado a lado, religiosos se respeitarem e o ser humano ser valorizado”, disse.

Em relação ao vídeo de aviso dos ataques aos Estados Unidos, Zeca prefere se manter tranquilo, mas não deixa de mostrar o seu medo. Segundo ele, é aterrorizante, pois tem família e sua vida é neste país. “Inclusive tenho um irmão que estava de férias há dois meses na França. Por isso o temor, pois um ato terrorista pode acontecer em qualquer lugar a qualquer momento”, disse. “Saber que um dos meus poderia ou pode ser morto por pessoas insanas e covardes a ponto de matar crianças e cidadãos de bem é muito angustiante”, disse.

Ele também afirma que as pessoas devem continuar a vive e não ter medo de sair em público, ir à locais históricos para conhecer a cultura do país. “Temos o direito de ir e vir e o direito de viver”, fala. “Ainda não tive tempo de saber se os norte-americanos estão mais retraídos em relação aos imigrantes, mas graças a Deus o nosso nome de brasileiro é bem visto por eles, como povo alegre e trabalhador”, continua.

Para finalizar, ele cita que em 1963, Martin Luther King fez o famoso discurso histórico em que dizia que ele tinha um sonho de que os seres humanos, independente da cor da pele, sexo ou religião, pudessem viver em paz. “Sessenta e dois anos depois, esse sonho ainda é só um sonho. Muito triste”, conclui.

A fotógrafa Helenita Morais, nasceu em Timóteo (Minas Gerais) e vive em Boston (MA). Ela disse que quando soube do atentado e ficou muito triste. “Confesso que levei sim um choque, uma tristeza misturada com um susto muito grande, um sentimento de medo e ao mesmo tempo uma dor imensa no coração em ver as cenas das pessoas correndo em desespero no momento do ataque”, disse.

Ela também ressalta que se sentiu triste pelas famílias que perderam seus familiares e que foi um acontecimento devastador, “uma covardia a sangue frio”.

Em relação aos ataques aos Estados Unidos, ela afirma que todos devem ficar mais atentos, pois o país já foi alvo de terroristas no passado e pode muito bem ser novamente. “Devemos ouvir e acatar as ordens das autoridades, evitando lugares de grande público que possam ser objetivos desta onda de terror”, disse. Helenita ressalta que as pessoas devem se apegar a Deus e se unir em oração pedindo proteção pela vida das pessoas.

Ela também não sentiu ódio aos imigrantes por parte dos norte-americanos. “Trabalhe em um evento logo após o acontecido e não percebi nenhuma diferença em relação ao tratamento ao imigrante. Conversamos sobre o assunto e todos estavam bem tranquilos. Sabendo separar bem entre imigrantes e terroristas”, afirma. “Claro que em toda regra se há uma exceção e com certeza vão aparecer aqueles que vão querer atacar a nossa comunidade usando o terrorismo como base", continua.

Assim como Porto, ela também lembra a tragédia de Mariana, que aconteceu quase no mesmo período em que os ataques na França. Helenita também comenta o fato de muitas pessoas terem feito críticas nas redes sociais às pessoas que trocaram as fotos de perfil pela bandeira francesa. “Isso foi motivo de muitos desentendimentos nos últimos dias. É muito triste ver tudo isto, pois no meu ponto de vista, cada um tem direito de se expressar como quiser e não existe tragédia maior ou menor, dor maior ou menor, mas o que importa é estarmos de coração aberto a ajudar um ao outro e orarmos por todas as nações”, afirma.

 

Outro profissional da fotografia conversou com o BT. Linimberg Oliveira, natural de Recife (Pernambuco) e reside em Malden (MA). Ele fala que seu sentimento foi de uma dor e tristeza imensa pelos mortos e seus familiares. Ele também demonstra uma grande preocupação pelo que pode vir acontecer no futuro no mundo, inclusive nos Estados Unidos. “Também fiquei muito triste por todas aquelas famílias de refugiados que já não eram bem-vindos em quase todos os países e que agora serão tratados como ‘Persona non grata’”, disse.

Em relação às ameaças de ataques aos EUA, ele disse que sente um pouco medo, sim, mas não inseguro, pois acredito que não será fácil fazer o mesmo tipo de ataque neste país. “Principalmente agora que o governo, por um bom tempo vai estar em estado de alerta”, afirma.

Ele também defende que o povo deve continuar sua vida normal, pois o que os terroristas querem é espalhar o medo e o terro entre as pessoas. “Eles se sentem realizados quando o pavor toma conta de todos e as pessoas deixam de viver suas vidas”, acrescenta.

Em relação ao ódio aos imigrantes, Linimberg também não vi nenhuma reação explícita, mas acredita que a comunidade muçulmana será o alvo maior. “Mas o povo americano sabe que não se pode generalizar e culpar todos pelos ataques do Estado Islâmico. O excesso e o extremismo não pode ser estendido a todos os outros da mesma religião”, conclui.

Já o pastor evangélico Walter Mourisso, natural de Galiléia (Minas Gerais) e reside em Abington (MA), afirma que as ações terroristas devem estar sendo beneficiadas por pessoas importantes no mundo. “É inaceitável que estes criminosos matem tantas pessoas e ataquem potências mundiais e ninguém consegue detê-los”, disse. Para ele, existe muito por trás de tudo isso.

Outro ponto negativo apontando por ele é o fato dos governos mundiais abandonarem as vítimas e pessoas que estão sofrendo em regiões dominadas por terroristas. “Por isso, muitos acabam indo para o lado deles, pois se sentem mais protegidos. Se os governantes dessem condições de vida para estas pessoas, os grupos de criminosos não aumentariam seus contingentes”, afirma.

Para Mourisso falta interesse verdadeiro dos governos, pois se realmente houvesse vontade, o terro já teria acabado. “Eles estão em um pequeno território. Basta todos se unirem e cercá-los para prendê-los e por um fim a tudo isso”, acrescenta.

Em relação ao medo de um provável ataque nos Estados Unidos, ele afirma que todos temem, mas devem se apegar em orações e na proteção de Deus. “Ficamos preocupados com nossos filhos nas escolas, apreensivos enquanto eles não chegam em casa. Mesmos livres nós não temos mais liberdades e nos tornamos prisioneiros de nós mesmos”, ressalta.

O pastor cita que muitos ficam preocupados em ir a uma lanchonete americana com medo dela ser alvo dos terroristas. “É difícil saber como pensam estes criminosos, logo temos que ficar atentos a tudo e a todos”, afirma. “O mundo vive uma paz superficial, pois ninguém terá paz enquanto este grupo extremista existir”, continua.

Ele ainda cita sua preocupação pelas crianças, “pois tudo que elas vivenciam hoje pode influenciar no crescimento e formação de personalidade”. Para ele, os governos deveriam estar mais preocupados, falar menos e agir mais. “Se tudo caminhar assim, como será o futuro dos nossos filhos”, indaga.

O ativista comunitário Sidney Piras, que é natural de Governador Valadares e mora em Framingham (MA), disse que está apreensivo, pois os atos terroristas foram recentes. Segundo ele, o tempo passará e tudo voltará ao normal, a maioria das pessoas esquecerá e continuarão suas vidas. “Mas eu percebi que o movimento de pessoas, no sábado, em Boston foi bem menor do que o de costume”, afirma.

Sua preocupação é com a filha que mora em New York, onde o movimento de pessoas é maior e pela história é um alvo potencial dos terroristas. “As ameaças deste grupo devem ser levadas a sério sempre, mas precisamos ter fé em Deus e continua a nossa jornada”, fala ressaltando que o povo deve trabalhar e as crianças precisam estudar. “Não podemos nos trancar em casa com medo”, continua.

Para ele, não existe outra opção a não ser se agarrar em Deus, ter muita fé e confiar nas autoridades para proteger as pessoas.

Fonte: Luciano Sodré