Publicado em 25/11/2015 as 12:00am

Brasileiros voltam a entrar nos EUA pelo México

A queda do fluxo migratório entre os mexicanos não significa que a entrada clandestina de cidadãos de outros países também tenha diminuído

da redação

da redação

Apesar de a imigração clandestina do México ter caído drasticamente, isso não significa que os patrulheiros não tenham trabalho. Os índices mais recentes obtidos pela rádio 1.200 WOAI revelaram que uma verdadeira “Nações Unidas” de imigrantes chegando às fronteiras do EUA. O volume é parecido com fluxo de refugiados do Oriente Médio que invadiram a Europa nos últimos meses. Quase 5 mil crianças desacompanhadas ou em companhia de apenas um adulto foram detidas na fronteira entre os EUA e México em outubro, um período de pouco movimento em geral.

O fluxo migratório mexicano foi substituído, e muito, por imigrantes indocumentados de países como China, Brasil, Índia, Paquistão, América Central e, especialmente, Cuba. O número de imigrantes vindos de Cuba baterá o recorde em 2015. Os cubanos temem que o estreitamento das relações entre Washington-DC e Havana resulte na extinção do que até então tem sido um “passe grátis” para o que é automaticamente classificado como todo imigrante de Cuba é um refugiado político que merece asilo. O benefício é popularmente conhecido como a política do “pé molhado, pé seco”, pois qualquer cubano que chegue à terra seca nos EUA automaticamente recebe o status de refugiado, tendo como base o argumento de que o regime imposto por Castro é violador dos direitos humanos.

Analistas avaliam que a verdadeira “Nações Unidas” que entram no Texas é na grande maioria o resultado de gangues traficantes de seres humanos, que descobriram outra forma de lucrar, uma vez que os mexicanos não querem mais cruzar a fronteira norte. Os traficantes continuam a dizer a seus “clientes” desesperados que, se estiverem acompanhados de uma criança, tudo que precisam é entrar em solo americano que receberão a permissão para ficar. Muitas dessas quadrilhas cobram até US$ 8 mil para uma viagem de mão única, emprestando o dinheiro e frequentemente cobrando com trabalho escravo, prostituição ou exigindo que um dos membros das famílias junte-se à gangue.

Também há indicações de que as conversações sobre o relaxamento a política fronteiriça dos EUA, como a pressão atual por parte da administração Obama de permitir que milhares de refugiados sírios entrem no país. O tema sempre leva ao aumento nas entradas clandestinas, pois os traficantes tentam convencer aos seus clientes em potencial que essa é a “última oportunidade” de fazer a viagem.

Nos últimos anos, cada vez menos imigrantes tentaram entrar clandestinamente nos Estados Unidos. No pico da onda migratória em 2000, 1.6 milhão de indocumentados entraram no país. Desde 2012, o número caiu para 400 mil e, durante o último ano fiscal, caiu mais 28%. Apesar da queda, inúmeros conservadores ainda temem que a “invasão de indocumentados” ameace seu estilo de vida. Medir o fluxo de indocumentados é difícil, portanto, os especialistas não chegam a um acordo.

Há poucos anos, haviam pessoas que alegavam haver 30 milhões de imigrantes indocumentados no país, quando demógrafos calculavam haver pouco mais de 12 milhões. A maioria dos especialistas utilizam dados colhidos pelo Censo, que especificam o país de nascimento do entrevistado e comparam com o número de pessoas nascidas no exterior. Eles analisam o número de residentes permanentes (green card), trabalhadores temporários, asilados e cidadãos naturalizados e o subtrai do total dos residentes nascidos no exterior, sendo o resíduo o número de indocumentados.

Esses estudos revelaram uma queda drástica não somente no número de imigrantes mexicanos indocumentados, mas também na quantidade daqueles que desejam imigrar. A mudança demográfica também é outro fator. Os mexicanos estão tendo muito menos filhos que no passado. Em 1960, a média de fertilidade das mulheres mexicanas era de 7.3 crianças; atualmente é de 2.4 crianças, pouco acima da média de 2 crianças nos EUA. Além disso, os mexicanos são melhores educados que antes, permitindo o surgimento de mais oportunidades em seu país de origem, onde a economia cresceu mais rapidamente que nos EUA depois da recessão econômica. Entretanto, a mais razão para a queda da imigração indocumentada é a melhoria da segurança na fronteira. Mesmo com a melhora da economia, a imigração clandestina continua a cair. Atualmente, o número de patrulheiros na fronteira dos EUA com o México dobrou para mais de 18 mil.

Fonte: Brazilian Voice