Publicado em 26/11/2015 as 12:00am

Brasileiros em MA falam sobre corrupção no Brasil

Alguns defendem a volta do militarismo como a única solução

Mais uma página da corrupção na política brasileira é escrita esta semana, manchando ainda mais a confiança que a maioria da população tem nas autoridades. Com isso têm surgido problemas nas áreas de saúde, educação e outras, deixando a comunidade à mercê da sorte. Mas será que os brasileiros que vivem nos Estados Unidos acompanham o que acontece no Brasil? Até que ponto, estando longe, eles se deixam influenciar?

O Brazilian Times conversou com algumas pessoas para saber o que pensam sobre o assunto, se acreditam em dias melhores para o Brasil e o que realmente esperam dos governos. O descontentamento é quase que unânime e alguns ainda defendem que as forças armadas deveriam assumir o comando do país.

É assim que pensa o palestrante Edgar Borelli. Ele é natural de Curitiba (Paraná) e vive há 14 anos nos Estados Unidos, na cidade de Weymouth (Massachusetts). Para o paranaense, a situação política brasileira se tornou um caos, tanto moral quanto espiritual e institucional. “O melho9r caminho seria a retomada das forças armadas, mas acredito que isso não acontecerá, porque ela também está corrompida”, afirma.

Ele também não acredita que um “impeachment” da Presidenta Dilma Rousseff possa resolver alguma coisa. “Isso só dará continuidade ao atual sistema político do Brasil, que já ficou claro estar quebrado e entregue à lama de corrupção”, disse. “Mas o próprio povo brasileiro é cem por cento culpado por tudo isso, pois é conivente, alienado e acomodado”, finaliza.

O Pastor Walter Mourisso, que foi candidato a deputado federal por Minas Gerais nas últimas eleições, disse que sabe muito bem o quanto o eleitor é alienado e descompromissado com o futuro do Brasil. Ele, que é natural de Galiléia e mora em Abington (MA), disse que a maior parte do eleitorado vende o voto em troca de uma camisa, cestas básicas ou outros tipos de esquemas. “Agora me diz uma coisa. Um eleitor que corrompe o seu voto, pode reclamar da corrupção?”, indaga.

Para ele o erro do Brasil começa embaixo. “Como podemos reclamar de um sistema de esgoto, se jogamos latas de refrigerantes nas ruas ou criticar as ruas esburacadas se andamos em alta velocidade com nossos carros”, continua.

Mourisso defende uma reformulação completa em todas as esferas do Governo (Federal, Estadual e Municipal). “Mas isso jamais acontecerá, portanto o Brasil só mudará quando o brasileiro começar a ter realmente preocupação e responsabilidade com o futuro do país. Até lá, seremos sempre um país envolto nesta podridão quase sem fim”, acrescenta.

O pastor ressalta, ainda, que o povo ir às ruas e fazer manifestos nas ruas não é o suficiente. “Se eles não tiverem o apoio dos políticos, jamais conseguirão o que quere. Caso contrário o único caminho são as urnas”, conclui.

O carioca Jesse Branth, 47 anos, também acha que o Brasil precisa de um Governo sério, mas isso acontecerá somente quando o brasileiro aprender a votar. Ele mora nos Estados Unidos há 14 anos e vive em South End Boston. Especialista de Marketing e Mestre em Saúde Pública e Informática, acredita que o país passa por um momento de transição, onde muitos brasileiros deixaram o país e a cultura “está mudando muito apesar da crise financeira”.

Para ele, a culpa também está no brasileiro que troca o voto e não assume o compromisso de ajudar nas mudanças. “É hora do eleitor votar em pessoas comprometidas com a sociedade e não trocar o voto por saco de pipoca e um suco, como acontece na maioria do nordeste”, disse.

Ele também não quer “impeachment”, pois afirma que a culpa não é da presidente Dilma e sim de quem colocou ela no poder pela segunda vez. “Se tirar ela, quem assumirá? O vice, que foi escolhido por ela? A época do Color já passou. Vamos acordar Brasil”, fala.

Para o carioca todos os brasileiros são culpados, até mesmo ele que é membro do Partido Democrata Trabalhista (PDT) e não votou na Dilma e nem no Lula. “Temos que assumir o nosso erro. Que venha o Regime militar, ai sim a coisa anda”, finaliza.

A housecleaner Adriana Martins, 32 anos, é natural de Governador Valadares (Minas Gerais) e mora nos EUA há 11 anos. Ela, que atualmente reside e Saugus (MA), disse que é completamente a favor do “impeachment” da presidenta Dilma, “mas afirma que o povo brasileiro reclama mais do que age”.

Para ela, os manifestantes estão indo às ruas protestar, mas não tem surtido os efeitos esperados. “Isso porque não basta apenas levantar uma bandeira, pintar o rosto ou gritar palavres de ordem. É preciso que as pessoas tomem conhecimento de que entre as ações que devem ser valorizadas está o de votar consciente”, disse.

Adriana acrescenta que é necessário que mais pessoas vão para as ruas e lutem pela queda da Presidenta. “Se nada for feito a tendência do nosso Brasil é só piorar e cada vez mais decadente”, disse. “O Brasil tem tudo para ser um dos países mais ricos do mundo, mas ultimamente está entrando para a lista dos países em decadência. Isso é muito triste”, lamenta.

Fonte: Brazilian Times