Publicado em 25/01/2016 as 12:00am

Médico brasileiro é chamado de 'Doutor Milagroso' nos EUA

Ele teve passagem pelo Massachusetts General Hospital e Faculdade de Medicina da Harvard University, em Boston (MA)

No ramo da medicina, muitos pacientes se queixam, principalmente, do atendimento nos Estados Unidos, onde os médicos lhes dão pouca atenção, são "frios" ¬ e, muitas vezes, "prepotentes".

Dura crítica para uma profissão cuja missão, dizem os médicos antigos, é "curar; se não for possível, melhorar a saúde do paciente, e, em última instancia, confortá-lo".  Nem todos lembram¬-se desse lema, mas é esse senso de ofício que vem destacando o trabalho de alguns brasileiros nos Estados Unidos.

Um deles é o Dr. Guilherme Dabus, que três anos atrás, cerca de dois depois de se mudar para Miami, foi chamado de "miracle doctor" (doutor milagroso) por uma paciente que teve cinco episódios de aneurisma cerebral.

Após três aneurismas tratados em 2002, a paciente Olivia Hernandez foi diagnosticada dez anos depois no Baptist Hospital com dois novos aneurismas.  O sucesso do procedimento endovascular intervencionista minimamente invasivo do Dr. Guilherme fez com que ela escrevesse uma carta editorial ao diário local, Miami Herald.

"Esse homem [Dr. Guilherme Dabus] é um médico milagroso. Ninguém acredita que saí dessa tão rápido e tão bem", escreveu Olivia, com 60 anos na época. "Tantas coisas negativas que ouvimos, queria compartilhar minha história, tão rara. A maioria das pessoas morre de um aneurisma, tive cinco e estou aqui para contar, graças aos grandes médicos de Miami".

Hoje, aos 38 anos, diretor do programa de "fellow" do Miami Cardiac & Vascular Institute e Centro de Neurociência do Baptist Hospital, além de muito querido pelos seus pacientes como dona Olivia, Dr. Guilherme tem vários trabalhos publicados, é muito premiado e um dos mais respeitados neurorradiologistas intervencionistas dos Estados Unidos.

Ele é um de poucos "proctors" nos Estados Unidos, ou especialistas que orientam colegas num procedimento relativamente novo com "diversor de fluxo", um tipo especial de "stent", desenvolvido para o tratamento de aneurismas cerebrais.

"Com o tempo, você basicamente redireciona o fluxo sanguíneo. Ao invés de entrar no aneurisma, ele continua no vaso sanguíneo, e porque o fluxo sanguíneo diminui, esse aneurisma forma um trombo que faz com que o sangue não entre no aneurisma", explica Dr. Gulherme, que viaja muito pelos Estados Unidos e outros países, inclusive o Brasil, ensinando outros médicos a usar o dispositivo. "São aneurismas geralmente difíceis de tratar.

O médico nos Estados Unidos tem que fazer dez casos com supervisão de um especialista antes de poder usar sozinho o dispositivo

Mas a medicina não foi a sua primeira escolha. Guilherme pensou em estudar engenharia aeronáutica ou mecânica, mas no primeiro ano colegial no Colégio Dante Alighieri, o paulistano mudou de ideia. "Meu pai é médico, radiologista também", diz. "Foi minha maior influência".

Assim, entrou na Faculdade de Ciências Médicas de Santos com 17 anos, em 2000 se formou e fez residência em radiologia na Unicamp. Casou-se em abril de 2004 e, em junho, o casal seguiu para Chicago, onde ele fez treinamento em neurorradiologia como "fellow" na Universidade Northwestern ¬ Feinberg School of Medicine. De lá, foi convidado para um outro treinamento na especialização em neurorradiologia intervencionista na Universidade de Washington em St. Louis, e depois no Massachusetts General Hospital e Faculdade de Medicina da Harvard University, em Boston. Retornou a Chicago, efetivado como diretor da neuro¬angiografia no Hospital Northwestern Memorial, onde ficou até seis anos atrás, quando se mudou para Miami com a família.

No Baptist, sua equipe faz cerca de 700 procedimentos anualmente, mais da metade por ele. Os tratamentos que mais realiza são em pacientes com aneurisma cerebral e AVC isquêmico.

Anualmente, há cerca de 800 mil casos de acidente vascular cerebral nos Estados Unidos. É a quinta principal causa de morte no país, onde, atualmente, 129 mil pessoas morrem por ano por AVC. Mas segundo as mais novas estatísticas da Associação Americana do Coração, nos últimos 10 anos a taxa de mortalidade por AVC caiu em 34%, graças a cuidados preventivos, novas pesquisas e novas técnicas de tratamento, diz Dr. Guilherme, sempre na vanguarda de sua especialidade.

Ele é membro do comitê de intervenção do estudo "Carotid Revascularization and Medical Management for Asymptomatic Carotid Stenosis", de revascularização da carótida para prevenção de AVC, conhecido como CREST¬2. São cerca de 2.500 participantes, vindo de 120 centros médicos, entre eles o Instituto Cardiovascular do hospital Baptist onde o neurorradiologista intervencionista opera.

Dr. Guilherme disse que o estudo, iniciado há poucos meses, continua aceitando novos pacientes para participar da pesquisa. "Ainda vai demorar um bom tempo para terminar", comentou o brasileiro que se diz muito satisfeito com o trabalho em Miami, onde vive com a mulher e três filhos.

Fonte: estadao.com.br