Publicado em 26/01/2016 as 12:00am

Agente do ICE é acusado de cobrar sexo para não deportar mulheres imigrantes

Arnaldo é acusado de coagir três mulheres a fazerem sexo com ele para não serem deportadas. Em um dos casos, uma delas engravidou dele em 2011.

As autoridades dos Estados Unidos divulgaram na segunda-feira (22) que o agente especial do Immigration and Customs Enforcement (ICE), Arnaldo Echevarria, foi acusado por cobrar propinas de imigrantes indocumentados em troca de protegê-los contra deportações.

Segundo a acusação, o agente que mora em Somerset (New Jersey) teria recebidoUS$78 mil provenientes de sete imigrantes que ele teria explorado. Mas as denúncias não param por aí e Arnaldo é acusado de coagir três mulheres a fazerem sexo com ele para não serem deportadas. Em um dos casos, uma delas engravidou dele em 2011.

Na lei norte-americana, imigrantes indocumentados que estão em processo de comparecer às audiências de deportação, alguns de determinados países que enfrentam desastres naturais, conflitos armados e outras condições extraordinárias, podem conseguir permissões que os permita trabalhar legalmente nos EUA durante um ano. Era justamente neste ponto que se aproveitava o tal agente.

Logo que recebia as propinas ou os favores sexuais, Arnaldo incluía os casos de suas vítimas na lista de status de proteção temporária. Logo após a mulher ter engravidado dele, conforme documentos apresentados no Tribunal, ele a encorajou a realizar um aborto, mas ela se recusou. O agente continuou a renovar a permissão de trabalho da mulher em troca de sexo.

Além disso, Echevarria teria ajudado sua namorada, uma indocumentada residente em Newark, e, utilizando documentação falsa, abrir um salão de beleza em West Orange. Echevarria era o proprietário do estabelecimento, promoveu a namorada a gerente e pagava a ela e outros funcionários em dinheiro. O réu é defendido pelo advogado Michael Koribanics, com escritório em Clifton.

Cada uma das 7 acusações que pesam contra ele são sujeitas à pena máxima de 15 anos de detenção e US$ 250 mil em multas. As acusações por abrigar clandestinamente estrangeiros indocumentados e mentir para as autoridades do ICE acarretam em até 5 anos de prisão e multas de US$ 250 mil.

COMO TUDO ACONTECIA

Echevarria trabalhava como agente de deportações no ICE, um órgão subordinado ao Departamento de Segurança Interna (DHS). Em dezembro de 2012, seu chefe concedeu-lhe permissão para abrir um salão de beleza em West Orange, depois de ele ter prometido que o negócio não conflitaria com o seu trabalho e ele não empregaria trabalhadores indocumentados, segundo promotores públicos.

Apesar disso, as autoridades alegam que o agente colocou sua namorada a cargo do salão, mesmo sabendo que ela havia entrado clandestinamente no país utilizando o nome de um cidadão nascido em Porto Rico para obter uma cédula de identificação na Pensilvânia. As autoridades que Echevarria e a mulher mantinham um relacionamento amoroso após verificarem a página dela no Facebook, segundo uma ação judicial apresentada na Corte Distrital dos EUA.

“Eu te amo, Etch”, postou a mulher sob uma fotografia de ambos em março de 2013, conforme a ação.

Antes de abrir o salão, o agente vasculhou o nome da namorada em vários bancos de dados federais e, segundo os promotores, Echevarria tentou esconder o status irregular da mulher ao assinar o contrato de aluguel do apartamento dela em Newark (NJ) e colocando as contas de luz e gás em seu nome. Os funcionários do salão eram pagos em dinheiro e o agente não exigia que eles preenchessem formulários que atestassem sua estadia legal no país, acrescentaram os promotores.

Durante o outono de 2013, agentes federais instalaram uma câmera de segurança próxima ao salão de beleza, que registrou Echevarria deixando e pegando a namorada no salão. Num interrogatório realizado em dezembro de 2014, a mulher admitiu às autoridades que ela havia dito a Echevarria que havia entrado clandestinamente no país e usava um nome falso, segundo a ação judicial.

 

Fonte: braziliantimes.com