Publicado em 15/02/2016 as 12:00am

Empresário é indiciado em incêndio que matou 5 indocumentados em Michigan

Os imigrantes mexicanos trabalhavam em um restaurante chinês e dormiam no porão de uma casa do patrão

Na sexta-feira (12), as autoridades federais acusaram oficialmente o dono de um restaurante de ser o responsável por um incêndio que resultou na morte de 5 funcionários. Roger Tam, de 55 anos, é acusado de ter contratado os trabalhadores mexicanos e os abrigado em uma casa na cidade de Novi (Michigan), onde eles morreram em 31 de janeiro, segundo o jornal Detroit Free Press.

O réu é acusado de abrigar os cinco imigrantes, incluindo três adolescentes, que morreram em um incêndio que começou em um colchão no porão onde eles dormiam, provavelmente provocado por um cigarro. Os detectores de monóxido de carbono estavam desativados. Tam é proprietário do imóvel localizado na Mystic Forest Drive, onde os imigrantes mexicanos dormiam à noite, sob a condição de trabalharem no restaurante, aberto há 26 anos, onde os indocumentados ganhavam US$ 2 mil ao mês, trabalhando turnos de 12 horas, 6 dias na semana, além de comida chinesa durante o trabalho.

“Ele é um homem bom, um homem realmente bom. Ele tem administrado aquele restaurante há longo tempo”, defendeu Samuel Bennett, um dos advogados de Tam, depois da audiência preliminar na Corte. “Ele realmente gostava desses homens como se eles fossem parte de sua própria família”.

O réu, natural de Hong Kong, imigrou aos EUA em 1986 e tornou-se cidadão americano anos depois, compareceu à audiência, acorrentado e algemado, enquanto seus familiares sentavam em silêncio. Ele permanecerá preso até quarta-feira (17), quando um juiz decidirá se será liberado após pagar fiança. A esposa de Tam, Ada Lei, de 48 anos, natural da China e também cidadã americana, foi acusada no caso. Ela ainda não compareceu à audiência preliminar.

A acusação contra o casal inclui a gravação da ligação feita ao serviço de emergência (911) durante o incêndio, ocorrido na manhã de 31 de janeiro. Durante a chamada, não foi mencionado a presença de pessoas dormindo no porão. Posteriormente, a polícia identificou as vítimas como Leonel Alvarado Rodriguez, de 18 anos, Miguel Nunez Diaz, de 23 anos, Brayan Alexis Medina Contreras, de 16 anos, Simeon Diaz Nunez, de 18 anos, e Pablo Encino, de idade desconhecida. Exames preliminares indicam que os trabalhadores podem ter morrido por inalação de fumaça.

Os arquivos do Departamento de Segurança Interna (DHS) revelaram que os imigrantes eram indocumentados e tinha entrado nos EUA há seis meses.

“Esse caso é um alerta triste dos perigos que os patrões criam quando abrigam imigrantes indocumentados”, argumentou a Promotora Pública Barbara McQuade. “Visando manter vantagem competitiva ao pagar salários baixos e sonegar impostos, alguns empregadores sujeitam os trabalhadores indocumentados a condições de vida precárias e até mesmo situações perigosas”.

Caso seja considerado culpado, o casal pode ser condenado a até 10 anos de prisão.

 

Fonte: braziliantimes.com