Publicado em 24/02/2016 as 12:00am

Em Miami, médica brasileira apresenta pesquisa sobre zika vírus

O evento, que começou nesta quarta-feira, 17, em Miami, na Flórida, reuniu especialistas em medicina fetal de todo o mundo e seguiu até o dia 20.

Reconhecida mundialmente pelo pioneirismo da pesquisa que estabeleceu a relação dos casos de microcefalia com o “zika vírus”, a médica campinense Adriana Melo apresentou pesquisa sobre a doença, nos Estados Unidos.

Responsável pela primeira pesquisa que estabeleceu a relação entre o vírus e o surto de casos de microcefalia, a médica Adriana Melo, do Instituto de Saúde Elpídio de Almeida – Isea vai apresentar os resultados dos estudos desenvolvidos em Campina Grande no 12º Simpósio Internacional de Ultrassonografia em Obstetrícia e Ginecologia.

O evento, que começou nesta quarta-feira, 17, em Miami, na Flórida, reuniu especialistas em medicina fetal de todo o mundo e seguiu até o dia 20.

A médica paraibana ficou com a missão de participar de um simpósio com outros três especialistas. Com o tema “Infecção Intrauterina por zika vírus”. Durante o evento, a Dra. Adriana Melo também apresentou os avanços das descobertas da equipe liderada por ela em relação à síndrome congênita do zika e mostrou como funciona o serviço municipal criado em Campina Grande que oferece atendimento às gestantes e aos bebês com malformações em decorrência do vírus.

Adriana Melo ganhou notoriedade em todo o mundo pelas descobertas acerca desse novo problema mundial de saúde. Ela acompanha gestantes de Campina Grande no próprio Isea e conseguiu detectar a presença do zika em gestantes com bebês com microcefalia e nos próprios bebês.

Além disso, a especialista em medicina fetal identificou que os danos causados pela doença nas crianças são maiores que a microcefalia. Ela observou o aparecimento de calcificações e de líquido existentes nos cérebros, responsáveis por restringir o desenvolvimento de várias funções do corpo, a exemplo da artrogripose e ventriculomegalia.

A médica possui dois doutorados pela Universidade de São Paulo e participa do Instituto de Pesquisa Joaquim Amorim Neto, Ipesq.

A especialista também vai receber uma bolsa mensal dar continuidade à pesquisa sobre malformações associadas ao zika que vem desenvolvendo em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, a UniFacisa e o Instituto de Pesquisa Joaquim Amorim Neto – Ipesq.

Em entrevistas a jornais do mundo inteiro a médica paraibana tem relatado as dificuldades dos pesquisadores brasileiros para conseguir financiamento para estudos. Adriana Melo disse que o incentivo que a Prefeitura está concedendo é mais uma demonstração de que o município está conseguindo se sobressair no enfrentamento das doenças neurológicas associadas ao zika. “Não é à toa que nós estamos sendo vistos e ouvidos pelo mundo inteiro. Mesmo com poucos recursos, da nossa maneira simples nós estamos dando uma lição ao mundo”, reconheceu.

 

Fonte: PBAgora