Publicado em 14/03/2016 as 6:00pm

Ativistas pró-imigração impedem comício de Trump

Quase todos os restantes candidatos republicanos responsabilizaram magnata do imobiliário pelo que aconteceu em Chicago

Algumas milhares de pessoas irromperam em aplausos e gritos de entusiasmo ao ser anunciado o cancelamento de um comício com a presença de Donald Trump num pavilhão universitário em Chicago. Os manifestantes encontravam-se no interior e no exterior do recinto onde, pouco antes, se tinham envolvido em confrontos com apoiantes do candidato às primárias republicanas que se encontravam no mesmo local.

Os incidentes, que sucederam por volta das 00.00 de sábado (hora portuguesa; 18.00 em Chicago, no estado de Illinois), foram os mais violentos até agora na campanha, sendo protagonizados por elementos ligados a grupos pró-imigração e das comunidades afro-americana e latina. Trump tem-se pronunciado contra a entrada de imigrantes nos EUA e defendido a construção de uma barreira na fronteira comum com o México, para impedir a entrada de ilegais. Tem igualmente advogado a proibição de entrada, ainda que numa base temporária, de muçulmanos no país.

A presença de contestatários tem sido uma quase constante desde o início das deslocações de Trump, mas esta foi a primeira vez em que sua presença chegou aos milhares e levou à suspensão de uma ação de campanha. Ainda na sexta-feira, numa outra ação em Saint Louis, alguns manifestantes tinham interrompido um discurso do candidato republicano.

A dimensão do protesto em Chicago pode explicar-se, em parte, pela circunstância de ser um bastião democrata. Foi aqui que, nos anos 1980, o presidente Barack Obama iniciou a sua ação pública como advogado de direitos cívicos.

Os confrontos sucederam antes da chegada do magnata do imobiliário, em vantagem nas primárias republicanas, e forçaram a intervenção das forças policiais, tendo estas efetuado cinco detenções.

Após cancelar o comício, que iria decorrer a três dias de primárias no Illinois, Florida, Missouri, Carolina do Norte e Ohio, Trump disse tê-lo feito para garantir a "segurança" das pessoas e responsabilizou os apoiantes do candidato democrata e senador do Vermont, Bernie Sanders, a quem chamou "nosso amigo comunista". Sanders defende o acesso gratuito à educação e saúde públicas, aumento de impostos para empresas e pessoas de maiores rendimentos, além da expansão dos encargos da segurança social.

Falando mais tarde em Dayton, no Ohio, Trump disse que o protesto em Chicago foi um "ataque planeado" e obra de "arruaceiros". Para o candidato republicano, o sucedido em Chicago é "um desenvolvimento perturbador, grotesco e assustador na política americana".

Os restantes candidatos republicanos já se pronunciaram sobre os acontecimentos em Chicago. Para Marco Rubio, senador pela Florida, a responsabilidade do sucedido cabe, pelo menos parcialmente, ao próprio Trump, que tem feito uma campanha assente na manipulação do descontentamento popular. No mesmo sentido falou John Kasich, governador do Ohio, para quem o milionário está a criar "uma atmosfera tóxica" ao manipular o "medo das pessoas". Só Ted Cruz, senador pelo Texas, não responsabilizou Trump, descrevendo o sucedido como um momento "triste" e criticando a atuação dos manifestantes.

Obama comentou o sucedido, pedindo que não haja violência de "americanos contra americanos", deixando implícita uma crítica a Trump, ao dizer que os candidatos devem evitar "insultos" com base "na raça ou na religião".

Também fora dos EUA, Trump permanece controverso. Ontem, o presidente do Parlamento Europeu, o socialista Martin Schulz, afirmou que o republicano tem sempre "um bode expiatório, mas nunca uma solução concreta" para os problemas. Schulz pensa que, com Trump na Casa Branca, abrir-se-ia "a porta a decisões extremamente perigosas".

 

Fonte: braziliantimes.com