Publicado em 16/03/2016 as 12:30pm

Tomich ? 55 anos de muita história com a comunidade

"Prefiro viver dez anos a mil do que mil anos a dez"

“Prefiro viver dez anos a mil do que mil anos a dez”, atribuída a Raul Seixas, esta frase cai como uma luva na vida do colunista social Wolfgang Tomich, que com coragem, deixou a vida acontecer e fez o que muitos tinham vontade de fazer, sem convenções sociais ou medo de ser criticado por isso.

Começou como quase todos os brasileiros que vieram para os Estados Unidos, há mais de 30 anos. Ele nasceu no interior de Minas Gerais, na pequena cidade de Nanuque, e naquela época foi registrado com o nome de Lúcio Drago Tomich, que ele mudaria para Wolfgang Tomich quando da aquisição da cidadania americana anos mais tarde, em homenagem ao pai que perdeu aos nove anos de idade.

Seguindo a história de quase todas as famílias imigrantes, ele ficou com os avós enquanto sua mãe vinha tentar o “sonho americano”. Em 1978, sua mãe finalmente foi buscá-lo no Brasil, e aos 17 anos de idade, ele foi cursar a Madison Park High School em Boston. Mas foi o trabalho na rede Hilton de hotéis que começou a mudar a vida de Tomich.

Aproveitando as facilidades de viajar dos funcionários da rede, ele foi para a Europa e se esbaldou no velho continente, percorrendo quase trinta países e se identificando com a então louca Holanda, onde tudo era permitido. O clima de liberdade do país das Tulipas, com os tempos modernos vividos pela juventude nos anos 80, teve forte influência sobre Tomich, e ele voltou aos Estados Unidos disposto a se tornar um “bon vivant” convicto. “Circulou no meio dos artistas como se eu estivesse em minha cozinha, somos iguais, e eles gostam deste tratamento sem afetação”.

 

No lugar certo na hora certa

Com as facilidades da América naquela época, o ainda desconhecido Tomich pegou a administração de um estacionamento, junto com Greg d’Andrea, da mais famosa boate de Boston, e este foi o divisor de águas na vida dele, pois de um lado o colocava com muito dinheiro no bolso, e por outro o colocava em contato com o mundo da alta sociedade, tanto americana quanto brasileira, já que a boate era o destino de muitos artistas e socialites brasileiras que vinham à Boston.

Nesta época, Tomich relembra que conheceu muito bem, a hoje famosa atriz global, Guilermina Guinle e depois seu marido Fábio Júnior. Na porta da boate, Tomich era “o cara” que dava as cartas, aquele que todo mundo queria conhecer, o que sabia tudo que estava acontecendo, e muito mais importante, “quem” estava acontecendo.

Com sua espontânea simpatia para cativar e dinheiro no bolso para acompanhar, Tomich se sentia mais do que à vontade ao lado das celebridades, e no mundo do Jet Set, a farra corria solta. “Éramos todos muito safados”, relembra Tomich.

 

Virando o “Colunista das Estrelas”

Quando sua mãe (in memorian) e o Carlos montaram o restaurante Ipanema, ele se mudou para Framingham e começou a ter mais contato com a comunidade brasileira. Tomich ia ao Brazilian Times fazer a promoção dos shows e eventos do restaurante, e um dia, por acaso, Alaim de Paula o indicou para ser colunista social, pois segundo ele “ali estava um cara que sabia de tudo que estava acontecendo de importante”.

Guiado à função, Tomich não decepcionou e começou a escrever com estilo próprio, misturando integrantes da realeza do Palácio de Buckingham, com o mecânico brasileiro de Framingham na mesma página, uma loucura organizada que mostra gente de todos os tipos, e que agradou a comunidade e o transformou em celebridade.

Ele só nunca soube de onde veio o rótulo de “Colunista das Estrelas”, e nem quem foi que sugeriu o nome da coluna social mais lida pelos brasileiros na América. Mas o estigma ficou e fez parte de sua vida, e claro, dos leitores.

 

NO MEIO ARTISTICO

Convidado a recepcionar os principais artistas brasileiros que vem aos EUA, Tomich teve contato com inúmeras estrelas brasileiras de primeira grandeza, mas destaca três em especial: O cantor Daniel por fazer questão de ter sempre o pai junto, a cantora Cláudia Leite, por sua simplicidade, e Ivete Sangalo, pelo carinho e atenção com ele e com o público.

Tomich diz que a receita para sua convivência com estes artistas é tratá-los de igual para igual. Ele não se afetava com estrelismo e levava a Cláudia para fazer compras sem se preocupar se ela é a famosa Cláudia Leite, e isso faz, segundo ele, com que a artista se sinta à vontade.

 

Bem resolvido em todos os aspectos

Sem filhos e solteiro, Tomich hoje vive sozinho e sofria de obesidade mórbida há vários anos. Ele tentou, sem sucesso, uma cirurgia de redução de estômago em 2001. Com o avanço da medicina, tentou novamente fazer a cirurgia recentemente, mas problemas de coração e pressão o impediram de operar.

Debilitado fisicamente, ele não perdeu a companhia do bom humor, e nem do copo. “Tô nem aí” era uma frase dita com frequência por Tomich, e que longe de representar o descaso pela vida, mostra que ele compreendia e aceitava sua situação.

No quesito família, Tomich também é definitivo e segundo ele mesmo afirmou: “Tenho uma família sensacional e da qual gosto muito. Aposentado pelo governo dos EUA, Tomich passa a impressão de que está com os principais pontos de sua vida bem resolvidos, e que viveu 55 anos muito bem vividos. Palmas pra ele. (texto: Murilo Silva)

Fonte: braziliantimes.com

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