Publicado em 11/04/2016 as 11:00am

Locação de quarto se transforma em briga judicial

A CEO da Total Help, Regiane Luna, explica que, neste caso, as leis protegem o inquilino, mais do que o proprietário.

Ter ou ser um roommate nos Estados Unidos é muito comum, mas para encontrar um lar que ambos estejam felizes tem sido uma dificuldade para muitos brasileiros, sejam locatários ou locadores. Ambos os lados têm sofrido com a questão de ter de dividir um teto.

Rosangela Alves conta que passou momentos de muito sofrimento que lhe renderam uma prisão temporária e uma briga judicial.

“Depois de anos vivendo nos EUA passei por momentos que me deixaram de boca aberta. Conheci uma brasileira através da minha irmã, alguns anos depois a encontrei em uma festa, eu estava à procura de um quarto para alugar em NYC e ela tinha um disponível em Astoria. Combinamos $900 dólares pelo espaço. No dia da minha mudança, 16 de março, fui com um pequeno caminhão com minhas coisas, quando cheguei ela começou a brigar dizendo que eu tinha muita coisa. Eram nove da noite, estávamos na rua, ela sabia que muitas das coisas não iam ficar naquele local, que era só temporário até nosso amigo em comum buscar para colocar na garagem dele, mesmo assim começou a gritar me chamando de mentirosa. Eu tinha passagem marcada para o Brasil, minha mãe estava lutando contra o câncer. Ela não teve o mínimo e compaixão, sabia que meu filho precisava do quarto. Ela tentou me agredir, chamamos a polícia que levou ambas algemadas para delegacia”, conta Rosângela.

Depois de duas horas presas a polícia liberou ambas e, como nos relatou a brasileira, iniciou a luta na justiça, marcada para o último 8 de abril. Neste tempo Rosângela ficou hospedada na casa da ex-cunhada, dormindo na sala junto com o filho e somente irá se mudar para seu novo espaço no início desta semana.

Mas não é só entre brasileiros que esse tormento acontece, recentemente uma brasileira que prefere não expor os nomes, nem dela nem da locatária, encontrou uma roommate no Craiglist, a americana além de não colaborar com a limpeza ainda a tem agredido verbalmente e não está pagando o aluguel e infelizmente, de acordo com as leis americanas, a brasileira não pode fazer nada neste momento a não ser entrar com ação na justiça para tirar a inquilina, e isso ainda vai demorar mais alguns meses.

A CEO da Total Help, Regiane Luna, explica que, neste caso, as leis protegem o inquilino, mais do que o proprietário. “Este deve enviar uma notificação ao inquilino, caso o aluguel não seja pago por três meses, entra-se com uma ação de despejo e só quando esta sair é que o dono do espaço pode retirar o inquilino e trocar as fechaduras, antes deste tempo é proibido esse tipo de atitude”. Enquanto o inquilino não é retirado quem se encarrega dos prejuízos financeiros e emocionais é quem abriu as portas para o novo morador.

Há anos recebendo brasileiros em sua casa, Lana O’Keefe e Juliana Silva, mãe e filha, contam que nem tudo são flores, porém nem tudo são espinhos. "É uma faca de dois gumes, muitas vezes alugamos quartos e convivemos com pessoas de caráter duvidosos, como também aparecem pessoas de ótima índole. Na maioria das vezes quem sai no benefício é quem alugou o quarto, pois já encontra uma casa pronta.  O ‘anfitrião’ perde muita liberdade dentro de sua própria casa, e a outra pessoa pode também sentir como um invasor.  Muitos não contribuem com a limpeza, e acabam achando que alugou quarto com empregada, como se fosse uma pensão e não uma residência de família.  Por outro lado, fazemos amizades que perduram anos, a pessoa, fica muito grata pelo acolhimento (quando ela tem gratidão no coração) e retribui da maneira que Deus lhe toca no âmago da alma.  Já tivemos experiências negativas e positivas. Já tivemos que pedir pessoas para se retirarem de nossa residência, como também choramos feito irmãos ao nos despedir de outros. Conviver com outras pessoas acaba sendo uma grande e indispensável lição de vida para ambos, de muito crescimento. Conviver com o outro nos mostra nossos limites, nos ensina a ter paciência, e tolerância, como também a ser humilde e aceitar ajuda alheia. Em geral seria melhor não alugar o quarto por questões financeiras, e sim abrir a porta da casa, junto com o coração.

 

Fonte: Marisa Abel