Publicado em 13/04/2016 as 7:00pm

Brasileiro que serviu em MA é condecorado por ajudar a salvar 121 turistas no Rio Hudson, em NY

Luis Henrique atuou na Guarda Costeira e Resgate de Boston, mas está atualmente lotado em New York

A história de Luís Henrique Santos, natural de Belo Horizonte, radicado em New Jersey há quase 21 anos, reflete a saga de inúmeros imigrantes que deixaram seus países de origem em busca do sonho americano. Em 1995, ele chegou aos Estados Unidos aos 10 anos de idade para viver com a mãe no bairro do Ironbound, em Newark. Enquanto frequentava a escola secundária (East Side High School), Luís também trabalhou em pizzarias, entrega de comida a domicílio e gerente de um bar no estilo Tapas, também no Ironbound.

Ida para Massachusetts:

Após conquistar a residência permanente (Green card), Santos alistou-se na Guarda Costeira dos EUA, realizando um desejo que nutria desde a adolescência, detalhou na terça-feira (12). Depois de 10 semanas de treinamento físico e psicológico árduos em Cape May, ele foi inicialmente lotado em Boston (MA), na estação da Guarda Costeira e Resgate.

Na ocasião, sua função consistia basicamente em vigiar o litoral e realizar ações de resgate. Ele recorda-se da passageira de um barco que estava a 9 milhas náuticas de Massachusetts, quando o seu marca-passo parou de funcionar. A Guarda Costeira foi acionada e o atendimento de emergência realizado no local, antes que ela fosse levada de helicóptero ao hospital mais próximo. Graças a rapidez e dedicação dos agentes de resgate, a mulher sobreviveu.

Mudança para Nova York:

Posteriormente, Santos foi transferido para Nova York, onde ficou lotado até completar quase 4 anos e meio de serviço, antes de tornar-se reservista. Enquanto patrulhou as águas do rio Hudson, que banham a Big Apple, ele participou de diversos resgates, alguns deles heroicos. O brasileiro destacou um galeão com 121 turistas que realizava um passeio (cruise) pelo Hudson e encalhou em um banco de areia. A embarcação quase virou e a água entrou pelo lado, ameaçando naufragá-la. O resgate contou com a ajuda de agentes do Corpo de Bombeiros e da Polícia de Nova York (NYPD) e todos os passageiros foram retirados do barco com segurança e rapidez.

Durante o plantão de 72 horas de trabalho e 48 horas de folga, a rotina dos agentes em Nova York também envolvia o combate ao terrorismo, especialmente após os ataques terroristas de 11 de setembro ao World Trade Center, e o tráfico de drogas. Ele detalhou que, durante o seu tempo em serviço, não chegou a deter imigrantes clandestinos.

“Água Benta” vinda do Hudson:

Ainda em Nova York, Luís participou da segurança de personalidades e chefes de Estado, entre eles o Presidente Barack Obama e o Papa Bento, durante suas visitas à Capital do Mundo. Um fato curioso: O brasileiro recorda-se que durante a visita do pontífice, foi utilizado o helicóptero presidencial, uma aeronave de alta potência que pousou em um terreno vazio entre o Pier 17 e a Ponte do Brooklyn, às margens do rio Hudson. A potência das hélices fez com que as águas sujas do rio espirrassem nos agentes responsáveis pela segurança do Papa. Nesse momento, encharcado, Luís pensou: “Estou sendo abençoado pela água benta da Sua Santidade, então, tudo bem, ele limpa”, brincou.

Índice alarmante de suicídios:

Durante a entrevista, Santos destacou um lado trágico da profissão: O expressivo número de pessoas que pulam para a morte do topo das pontes Verrazano e George Washington, ambas as estruturas mais altas da região. Ele detalhou uma jovem de 22 anos que tirou a própria vida, mas ainda foi resgatada com vida e levada ao hospital local. Posteriormente, os agentes leram nos jornais que a vítima sofria de câncer cerebral em estágio 4. O brasileiro acrescentou que nunca presenciou alguém ter pulado de uma dessas pontes e sobrevivido, pois a altura imensa de ambas as estruturas torna o impacto do corpo com o espelho d’água fatal. Segundo ele, possivelmente, essa é uma das razões pelas quais a Verrazano e a George Washington são as pontes escolhidas pelos suicidas.

Brasileiro é homenageado:

No domingo (10), Luís recebeu a “Medalha por Conquistas na Guarda Costeira”, assinada pelo Capitão Michael H. Day, comandante do Setor de Nova York. O diploma menciona a “atuação superior do dever” enquanto serviu a Estação da Guarda Costeira de Nova York entre março de 2013 e outubro de 2015. O documento também destaca a sua participação em 2 Assembleias nas Nações Unidas (ONU), 2 celebrações do desfile da Macy’s, o SuperBowl XLVIII, a visita do Papa à Nova York, 3 celebrações Fleetweek e 15 seguranças presidenciais (Obama), além do trabalho de resgate após a passagem do furacão Sandy.

Vida de reservista:

Após deixar a Guarda Costeira, Santos tornou-se reservista e aluno integral da Universidade Fordham, em Nova York, onde se formará em Comunicação. Como reservista, durante 1 final de semana por mês ele tem que comparecer a um centro de treinamento da Guarda Costeira para se manter atualizado. Entre seus planos para o futuro, está possivelmente graduar-se em Direito e até retornar à ativa.

Fonte: BV