Publicado em 13/04/2016 as 10:00am

Brasileiros falam sobre importância da comunidade na Florida

Apesar de uma comunidade forte comercialmente, alguns afirmam que ainda falta união para se tornar mais representativa

A comunidade brasileira na Florida cresceu muito nos últimos meses. Grande parte desse acréscimo foi motivado pela atual crise econômica e social que o Brasil atravessa. Mas uma vez em terras norte-americanas, o imigrante passa a fazer parte de uma sociedade totalmente diferente da que vivia em seu país de origem e busca formas de se integrar e ajudar no desenvolvimento social.

Outra vantagem que tem atraídos muitos brasileiros para a Florida, é o clima quente semelhante ao do Brasil. O jornal Brazilian Times conversou com algumas pessoas que moram neste estado ensolarado e procurou saber qual a opinião deles sobre a presença da comunidade brasileira na região.

O produtor de eventos e editor da TiTiTi News Magazine, Carlos Salles, reafirma que a comunidade brasileira no sul da Flórida está sempre crescendo e cita o “agradável clima sempre ensolarado” como um dos atrativos. Ele disse que realmente nos últimos meses o crescimento foi maior, mas afirma que ainda existem alguns pontos que precisam mudar para que ela se torne melhor e mais forte.

Carlos, que vive na Florida há 22 anos, fala que é preciso haver mais união entre os brasileiros, pois infelizmente a comunidade brasileira é muito diferente de outras neste aspecto. “Mas estamos no caminho certo, só precisamos mudar um pouco os nossos conceitos”, afirma.

Em relação ao comércio brasileiro, Carlos fala que é bastante diversificado e a comunidade encontra todos os tipos de produtos e serviços. “Isso nos torna um povo forte, pois somos vistos pelas demais comunidades como um importante polo comercial”, fala ressaltando não falta absolutamente nada na área comercial. “Isso também nos torna um importante colaborar da economia local”, acrescenta.

O vendedor especializado em granito, Francisco Rodrigues, afirma que 2015 foi um ano complicado para a comunidade brasileira. Ele afirma que muito acontecimentos desagradáveis envolvendo brasileiros e brasileiras, principalmente no noticiário policial. “No cotidiano tivemos famílias dilaceradas com acidentes fatais, principalmente com os garotos que pela facilidade e um sonho de adolescente, compravam suas possantes motos, (um atestado de óbito ao portador)”, disse ressaltando que que várias notícias deixaram a comunidade perplexa e muito triste.

Mas em contra partida, Francisco cita que muitos jovens e famílias inteiras chegaram à Terra da Oportunidade. “Mas não podemos deixar de lembrar que brasileiros mal informados abrindo empresas e fechando muito rápido por falta de conhecimento”, fala. “De um modo geral os que chegaram não tinham outra alternativa do que partir para a limpezas de casas ou escritórios, maneira de sobreviver de imediato”, continua.

Francisco ressalta que é impressionante o que tem chegado de famílias inteiras na Florida. Para ele, o esforço de cada um está fazendo com que a comunidade na Flórida consiga o seu espaço. “Temos muitas pessoas estabelecidas e bem sucedidas em todas as áreas”, fala em relação ao comércio e prestadores de serviços brasileiros que vêm se fortalecendo no estado.

Mas o “Papai Noel”, como ficou conhecido, também critica o fato de a comunidade brasileira ser desunida e que não pensa no futuro. “É muito imediatista, do tipo salve-se quem puder”, afirma. Para ele, esta desunião é que não deixou a imagem do brasileiro se fortalecer diante das demais comunidades. “Você pode observar que até hoje não temos, por exemplo, um Clube Social. Condições existem, mas falta a união, tipo das dos Cubanos”, fala. “Do outro lado, onde está a "Elite" que vive em outro mundo, não se mistura”, acrescenta.

Já nas questões culturais, Francisco destaca a qualidade e empenho dos envolvidos. “Temos o lado cultural que funciona muito bem, o ‘Vamos falar Português’ é um bom exemplo disso”, fala. “Existem muitas entidades que buscam ajudar a comunidade de uma maneira ou de outra e isso é muito importante, mas ressalto que ainda falta união entre as pessoas”, disse.

O mundo evangélico, segundo ele, tem prestado serviços relevantes, principalmente o Pastor Silair da Primeira Igreja Batista da Florida, que tem sido um grande apoio para os brasileiros que chegam e também para quem já está aqui há muito tempo e precisam de algum tipo de ajuda.

Para Francisco, se a comunidade se unir pode formar uma entidade forte e representativa, tornando-se uma formadora de opiniões”.

O pastor da Primeira Igreja Batista da Florida, Silair Almeida, disse que Depois da crise de 2008, muitos brasileiros retornaram ao Brasil e a comunidade brasileira da Flórida sofreu muito. As pessoas perderam seus trabalhos, imóveis e estavam sem documentação. “De 2012 pra cá começamos a viver um tempo novo e bem peculiar, onde empresários começaram a chegar do Brasil em grande quantidade para fazer investimentos na Flórida”, fala.

Ele cita novos empreendimentos que foram iniciados e as muitas pessoas que chegaram com visto de estudante e muitas famílias se mudaram do Brasil para morar na Florida. “Além disso, tivemos o retorno de muitas pessoas vindas do Brasil que já moraram aqui e naturalmente estavam com a documentação em dia”, continua.

Para ele, houve um aquecimento muito grande da comunidade do ponto de vista financeiro, pois os trabalhos voltaram, especialmente os da construção civil. “Com isso pessoas encontraram um lugar para trabalhar, e o seu espaço na Flórida”, acrescenta.

Silair cita, ainda, que falta uma melhor integração entre os brasileiros que chegaram nos últimos meses, e que são milhares, com os brasileiros que já estão aqui há algum tempo. “Essa integração precisa acontecer. É preciso haver instrumentos que consigam apresentar esses dois grupos”, fala ressaltando que em sua igreja criou um ministério novo chamado “Abrace”, onde pessoas especializadas em várias áreas (escola, trabalho, vistos, empreendedorismo) ajudam as pessoas que estão chegando.

“O comércio está aquecido, está forte, muitos negócios brasileiros estão nascendo e a Flórida vive um momento bem parecido ao que vivia em 2003 e 2004, onde podemos ver um grande crescimento da comunidade brasileira. Precisamos nos unir mais, pois juntos somos melhores e podemos resolver os problemas que nós temos”, finaliza.

Para a advogada Iara Morton, os brasileiros têm uma presença muito significativa na Flórida. Segundo ela, eles são marcantes em seus investimentos em imóveis, tanto de porte pequeno, médio e de luxo. “Além disso, os seus investimentos em centros regionais (investimentos passivos de 500 mil dólares para obtenção de Green Card) têm crescido e, permanecem ativos e crescente também seus investimentos em empreendimentos comerciais para obtenção de Visto L-1A (transferência de executivos ou gerentes) bem também como para Visto E-2, para aqueles portadores de passaportes europeus)”, explica.

Para ela, é frutífera e valiosa a injeção de capital dos brasileiros nas indústrias da Flórida, mas há como melhorar, especialmente no que tange aos hábitos e comportamento desta comunidade. “Lamento dizer, mas é bem criticado pelos americanos em geral a forma hedionda como os latinos dirigem em Miami, pois são motoristas extremamente agressivos (para não falar mal-educados), o que difere de forma dramática dos hábitos polidos e respeito aos pedestres e aos outros motoristas que se vê de praxe em todas as cidades americanas”, afirma.

Ela cita que é preciso falar deste tema pois é altamente vergonhoso a marca registrada dos latinos neste aspecto, e é bem sabido que muitos deles são brasileiros. O comportamento dos brasileiros ao volante, em geral, polariza dramaticamente com a forma educada dos americanos, dando sempre direito aos pedestres, observando todas as sinalizações no trânsito e as obedecendo de acordo. “Morando em Miami e caminhando diariamente do meu condomínio para meu trabalho em plena Brickell, de fato é deplorável e hediondo ver que muitos dentre estes motoristas extremamente agressivos são nossos compatriotas (muitos exibem algum adesivo ou algo na placa deixando claro serem brasileiros)”, continua.

Iara ainda fala que é vital aculturar, aclimatar e abraçar vários dos conceitos americanos para que a comunidade brasileira não seja criticada por trazer maus hábitos para um país que não é o nosso e que no entanto tem nos acolhido em todas as formas. “É indispensável adaptar à cultura americana para se evitar discriminação e para fazer com que os americanos engrandeçam e apreciem o que trazemos de positivo, fazendo da Flórida o estado vibrante que é”, afirma.

Fonte: Luciano Sodré