Publicado em 15/04/2016 as 10:00am

Brasileiros em MA falam sobre o "impeachment" de Dilma

Votação no Congresso começa neste domingo (17) e os deputados do sul do país iniciarão o processo

No domingo, às 15 horas (horário de Brasília), a Câmara de Deputados começara a votação do processo de “Impeachment” da presidente Dilma Rousseff. Segundo informações da assessoria de imprensa da Casa, a reunião deve se estender por todo o fim de semana.

A agenda dos parlamentares funcionará da seguinte maneira: Na manhã de sexta-feira, inicia-se a discussão do processo no Plenário. A princípio, serão ouvidos os autores do pedido de impeachment e a defesa da Presidente Dilma. Além disso, cada uma das 25 legendas partidárias terá direito de uma hora para se pronunciar. Os líderes podem indicar cinco representantes para falar dentro do prazo limite.

No sábado (16), a discussão que começou na sexta continua no dia seguinte e os deputados terão a oportunidade de se manifestarem individualmente. Cada um terá p direito de falar durante três minutos.  O relator do processo, Jovair Arante, tem o direito de falar após cada orador.

No domingo (17), a sessão será aberta às 14 horas e o processo de votação começará às 15h.

Mas vale salientar que para que o debate de sexta aconteça, é necessário que haja quórum, ou seja o mínimo exigido é a presença de 51 deputados. No caso da votação, faz-se necessário maioria absoluta, o que quer dizer 257 deputados. As expetativas é que a votação avance a noite de domingo, sendo que não existe prazo limite para o final da votação.

Para que o processo siga para o Senado, são necessários 342 votos dos 513 deputados. Isso significa dois terços da Casa precisam dar voto em favor do Impeachment.

O jornal Brazilian Times conversou com alguns brasileiros para saber a opinião deles sobre o processo de impeachment e avaliação da atual situação política do país.

O Pastor Walter Mourisso, que sempre este envolvido na vida pública, disse que tudo não passa de um jogo político. Para ele, apesar de todos os erros do Governo, o Impeachment se tornou-se um momento de oportunismo para a oposição. “A Dilma saindo ou não do Governo, nada vai mudar nada no Brasil”, fala. “O que precisa mudar é a mente dos brasileiros em relação à política”, continuou.

Mourisso afirma que não há como evitar e que Dilma deixará o Poder. “Esse é o preço que se paga por trabalhar da maneira errada. Só lamento pois quem realmente paga pelos erros da política brasileira é o povo”, acrescentou.

O pastor, que mora em Weymouth e foi candidato a Deputado Federal por Minas Gerais nas eleições anteriores, ressaltou que a união da oposição estámuito forte e o PT dificilmente vai se segurar no Governo. “É como plantar e não ter como colher. “Só a união do povo que nos tornará um povo forte sobre qualquer crise”, finaliza.

Quem também defende o afastamento da presidente é o ativista político e social Dário Galvão. Em conversa com o BT, ele se mostrou empolgado com o processo e disse estar confiante de que o processo passará na Câmara dos deputados. Ele também acredita que o Senado vai aprovar o Impeachment com rapidez. “Domingo será um dia decisivo e uma coisa que vai pesar muito no resultado da votação será a voz do povo nas ruas”, disse.

Dário afirma que o deputado que votar contra o impeachment estará assinando um termo de suicídio político, “pois ficou claro que não é a oposição nem grupos partidários que querem o afastamento e sim a população que se cansou de ser explorada e viver em um país de mentiras”.

O ativista acredita que a saída de Dilma pode não mudar muita coisa no cenário político, mas pode iniciar um processo de mudança, onde o povo perceberá que ele é a peça chave para um Brasil melhor e mais forte. “Somos muitos e unidos podemos muito”, fala. “Nós, aqui dos EUA, devemos usar as redes sociais dar o nosso apoio ao Impeachment”, finaliza.

O sociólogo, poeta e ativista de direitos humanos, Caio Ferraz, afirma que não haverá Impeachment e que tudo não passa de um “golpe” da elite branca, escravocrata, racista e machista. Para ele, não existem provas de que Dilma ou Lula estão envolvidos nas delações premiadas. “Uma pessoa citar o seu nome, não significa que você é culpado”, disse.

Mas Ferraz vai mais além do impeachment e cita uma de suas preocupações maior que é uma provável crise social, em caso de Dilma ser afastada do cargo. “Você acha que os movimentos sociais que estão com o PT desde o início vão se calar”, indaga afirmando que pode haver até agressões físicas nas ruas”, afirmou.

Ele ressalta que Lula é a única pessoa que consegue mobilizar milhões de pessoas para irem ás ruas e ainda não é vaiada. “Se a história seguir como a oposição quer, com certeza ele vai chamar a todos para se manifestarem”, continua.

Outro ponto citado pelo sociólogo, que mora nos Estados Unidos há 20 anos e ganhou seis prêmios de direitos humanos no Brasil, é que 80% dos Congressistas de hoje são homens brancos com mais de 60 anos de idade, fugindo totalmente do perfil da minoria. “Você acha que eles vão realmente legislar pelo povo?”, indaga novamente. “Tudo não passa de golpe e uma questão política”, continua. “Nem impeachment nem novas eleições resolvem os problemas do Brasil”, acrescenta,

Em seu posicionamento, Ferraz ainda afirma que muitos brasileiros que vivem nos Estados Unidos baseiam suas opiniões na mídia brasileira. “Muitos não vão ao Brasil há anos e porque um jornal ou uma televisão fala que Dilma é corrupta, acreditam”, fala ressaltando que a maior parte da imprensa brasileira está interessada em si própria e “como o governo do PT cortou verbas milionárias que iam para elas, seus donos se indignaram”.

A produtora de eventos e responsável pelo Brazilian Expo, Suely DiBara, também acredita que o processo de impeachment passará na Câmara.  “Os aliados que, até então apoiavam o Governo da Presidente Dilma, se tornaram a favor do Impeachment, porque perceberam que o Governo não tem poder de decisão e nem credibilidade devido aos erros políticos e crimes de responsabilidade pública”, disse.

Para ela, Dilma abriu as portas do Palácio Planalto para movimentos sociais no sentido de mostrar um apoio e força revolucionária na tentativa de intimidar a classe política que está a favor do Impeachment. “Houve até ameaças de invasão de propriedades rurais, direcionadas é claro, aos deputados, muitos deles grandes latifundiários”, acrescentou.

DiBara ressalta que a maioria dos cidadãos brasileiros estão inconformados com a atual situação do País. “Muitos estão desejosos que tenha uma outra eleição para que a chapa PT e PMDB saia do governo definitivamente”, afirma. “Assim, quem se candidatar deverá cumprir as promessas feitas em suas campanhas”, segue.

A produtora cita, ainda que “o que se vê nos últimos dois anos é o governo Dilma se defendendo de acusações pela destruição de empresas como a Petrobrás e tantas outras”. Mas para DiBara, outro ponto crucial foram os empréstimos que a Presidente fez para governos de ditadores, como a Venezuela e Cuba, além da África, tirando do BNDS, sem juros reais. “Sabe-se lá quando esse dinheiro volta para os cofres do Governo”, fala.

Ela acredita que se houvesse uma nova eleição no Brasil, o povo votaria mais consciente e não se deixaria enganar por falsas promessas e não trocaria mais o voto por benefícios. “Uma nova eleição também seria a melhor opção do país recuperar sua credibilidade e apoio no mercado exterior”, acrescenta.

Fonte: Luciano Sodré