Publicado em 26/04/2016 as 9:30pm

Brasileira denuncia caso de abuso sexual em ambiente de trabalho

Funcionária foi assediada e humilhada diversas vezes pelo manager e acabou sendo demitida por fazer a denúncia.

Após 14 anos de serviços prestados para a rede de restaurantes Mccormick Schmick’s, na unidade em Fanueil Hall Boston (que pertence a Landrys) a carioca Fabiana Yanes, de 44 anos (segurando o cartaz) foi demitida por ter denunciado um dos managers por abuso sexual.

A funcionária relata os momentos de terror psicológico, humilhação e abuso sexual que ela e suas colegas de trabalho passaram durante quase um mês no ano passado, quando houve uma mudança de manager na unidade em que trabalhava. Um jovem rapaz americano, de pouco mais de 25 anos era o novo gerente. “Assim que ele assumiu o cargo percebemos que se tratava de um rapaz prepotente, que colocava um funcionário contra o outro”, relembra a ex-funcionária. Em poucos dias não só a brasileira, como também as outras quatro funcionárias oriundas de El Salvador, perceberam que o problema que iriam enfrentar com o novo chefe seria muito pior. “Ele começou a se insinuar para nós... Fazia brincadeiras de conotação sexual, usando palavras e termos de baixo calão. Por diversas vezes ele tocou uma das funcionárias de forma abusiva, se aproveitando de algum momento em que os outros funcionários não estavam por perto. Eu sempre fui mais arredia, mas as outras funcionárias, por não entenderem muito bem o inglês e por medo de perderem o trabalho, ficavam sem muita ação. Como as defendia dele, ele foi ficando com muita raiva de mim. Começou a diminuir minha carga horaria de trabalho e reclamava de tudo que eu fazia. Sofri muita humilhação”, relata Fabiana.

Certa vez a ex funcionária chegou seis minutos atrasada e isso foi motivo para quase ser agredida fisicamente “Ele me xingou muito, a saliva dele saia na minha cara e eu chorava muito.”, relembra. Tanta humilhação que Fabiana e as demais funcionárias não conseguiam trabalhar em paz, tamanha a perseguição e pressão diária com xingamentos e abusos. Elas se sentiam coagidas pelo rapaz. “Cheguei e levar um tombo, me machuquei e ele me fez trabalhar mesmo sentido muita dor. Trabalhávamos de 14 a 15 horas por dia sem direito a um período de break.”

Fabiana conta que nessa época a empresa enviou um documento para a unidade em que queriam obrigar as funcionárias a assinarem, onde dizia que em caso de abusos sexuais, morais ou psicológicos entre funcionários, a empresa não poderia ser responsabilizada. Revoltada Fabiana não assinou o documento, orientou as demais colegas a também não assinarem e procurou uma associação para orienta-las quanto a que providencias deveriam tomar. Ao descobrirem que tal coação a assinar era ilícita, elas começaram a sofrer represálias ainda piores por parte do manager. “Teve uma vez que ele me olhou com uma faca na mão, como tom de ameaça. Estávamos só eu e ele. Sai correndo desesperada”, conta.

Elas chegaram a reportar para a área de Recursos Humanos da empresa o que estava acontecendo no ambiente de trabalho e dias depois a empresa disse ter aberto uma investigação para apurar os fatos.  Passado um período, elas cobraram uma posição, porém não houve nenhuma mudança, as funcionárias continuavam a sofrer assédio verbal por parte do mesmo funcionário que, em nenhum momento, foi afastado do cargo e continuaram a ter suas horas de trabalho reduzidas. Foi então que elas resolveram buscar ajuda de fora, através de uma denúncia feita em uma comissão de descriminação, desde então ela está engajada em campanhas em prol de mulheres que sofrem abusos de qualquer espécie.

Mesmo após a denúncia ser formalizada diretamente na empresa e também na comissão, além de não ter tomado as medidas cabíveis para punir o manager, a empresa ainda arrumou uma desculpa qualquer para demitir Fabiana e sua colega de trabalho Marta Romero, que também estava envolvida no caso.  Desapontada com o desfecho da situação, pois além de não ver uma punição devida, ainda perdeu seu emprego, hoje, mesmo precisando de ajuda profissional para esquecer tudo o que passou e de fazer uso de medicamentos, ela não desiste de ver a justiça ser feita e por isso aguarda o resultado da investigação da denúncia por elas feita na comissão. “Não quero que outras mulheres passem pelo o que eu e minhas colegas passamos”, finaliza.

Fonte: braziliantimes.com