Publicado em 30/04/2016 as 10:58am

Golpe da viagem para os EUA faz 13 vítimas em Ipatinga (MG)

Deportada por tráfico de crianças, mulher foi presa no Bom Jardim, agora acusada de estelionato

Da redação

No começo da noite de quarta-feira a Polícia Militar foi acionada por diversas pessoas, indicando que uma moradora da rua Dália, no bairro Bom Jardim, enganava as pessoas com a promessa de levá-las para os Estados Unidos.

Em troca, as pessoas interessadas na viagem tinham que pagar determinadas quantias. Uma das vítimas informou para a Polícia Militar que preparava o repasse de R$ 5 mil, mas desconfiou que era um golpe e voltou atrás.

Uma equipe da Polícia Militar foi ao local indicado como residência da mulher e a flagrou no momento em que saía do imóvel. Vânia Maria Plasse, de 51 anos, natural de Vargem Alegre permitiu que os policiais fizessem buscas no interior do imóvel e encontraram grande quantidade de documentos, muitos deles rasgados e jogados numa lixeira.

A mulher negava que estivesse agenciando viagem de pessoas interessadas em embarcar para os Estados Unidos. Entretanto, ao perceber a polícia nas porta, diversas pessoas foram chegando e se apresentaram como vítimas do golpe da viagem para os EUA.

Para vender a promessa da viagem, Vânia Maria contava com o trabalho de um homem, identificado como Diego, que indicava a mulher para agilizar o processo burocrático da viagem internacional. 

As vítimas todas têm a mesma história. Pagavam valores em espécie à mulher, assinavam um documento em inglês e deixavam cópias de documentos pessoais, além de fotos. O documento em inglês, explicava a agenciadora, era um contrato de trabalho no exterior.

Valores

A polícia relacionou os nomes de 13 vítimas da promessa da viagem, que pagaram valores entre R$ 4 mil e R$ 5 mil cada um. Uma das vítimas disse que já pagou R$ 8 mil. Esse grupo chegou a ir a Belo Horizonte para fazer o passaporte para a viagem. A alegação dela, para juntar tantas vítimas, conforme uma das pessoas que fez o pagamento, é que seria necessário um grupo de 16 pessoas para a viagem.

Em uma pesquisa no Sistema Informatizado de Segurança Pública, policiais descobriram que Vânia Maria tem uma condenação por tráfico internacional de crianças.

A reportagem do Diário do Aço acompanhou o desenrolar do caso na Delegacia de Polícia Civil até tarde da noite de quarta-feira (27). As pessoas reafirmaram as acusações e detalharam como foram contatadas, quanto pagaram e o que a agenciadora da viagem prometia.

Demonstrando irritação, Vânia Maria negou-se a gravar entrevista, mas alegou, informalmente, que as pessoas mentiam e insistiu na negava da autoria do golpe. A delegada Amanda Morais, no Plantão da DPC, confirmou que atuou a mulher por estelionato.

Deportada

Em julho de 2012 Vânia Maria Plasse foi presa ao desembarcar no Aeroporto de Guarulhos, São Paulo, depois de ter sido deportada pelo Departamento de Imigração (ICE) e do Departamento de Justiça e Operações de Remoções em Phoenix (EUA), em cooperação com a Justiça Brasileira, onde Vânia responde por tráfico de crianças para o exterior.

Ela estava detida em uma penitenciária do Arizona desde janeiro de 2011 e recebeu ordem de prisão assim que pisou em solo brasileiro. Em liberdade atualmente, Vânia responde processos na Justiça Federal e no Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

No plantão da Delegacia de Polícia Civil nesta quinta-feira, a delegada Amanda Morais informou ao Diário do Aço que autuou Vânia Maria Plasse por estelionato. 

Fonte: Diário do Aço