Publicado em 4/05/2016 as 3:00pm

Adolescente de 16 anos lança campanha para arrecadar dinheiro e tratar leucemia nos EUA

Família conta com a solidariedade dos brasileiros para tratar Romerinho. Em 15 dias será preciso arrecadar cerca de US$ 250 mil

Quinze dias separam Romerinho, como o garoto de 16 anos é conhecido pelos amigos, de um tratamento inovador de leucemia nos Estados Unidos. Desde que completou sete anos, Romero Júnio Silva do Espírito Santo enfrenta recidivas da doença e agora a chance de cura depende uma vaga para participar de pesquisa clínica na cidade de Duarte, na Califórnia. Como o estado de saúde do adolescente não pode se alterar até o início dos exames, a família corre contra o tempo e estipulou o prazo máximo de duas semanas para a viagem.

A estimativa é de que o tratamento custará US$ 250 mil (cerca de R$ 875 mil), o que levou amigos a lançar ontem uma campanha na internet, batizada de "Somos todos Romerinho" para arrecadar doações. Em vídeo publicado no Facebook, que já tem quase 5 mil visualizações, o adolescente, como sempre, se mostra tranquilo e confiante. "Vou voltar curado e depois quero estudar lá fora. Penso em fazer medicina para retribuir tudo que já fizeram por mim." A dona de casa Simone Silva do Espírito Santo, de 48, mãe de Romerinho, confirma que ele nunca desanimou. "Já são 10 anos de luta e, toda vez que a doença volta, ele se restabelece com mais facilidade. A felicidade nunca acabou."

Romerinho tem leucemia linfoblástica aguda, tipo mais comum da doença na infância. Normalmente, 80% das crianças alcançam a cura, mas o adolescente já enfrentou cinco recidivas do câncer. Em 2014, o garoto chegou a fazer um transplante de medula óssea, que foi doada por Carolina, sua irmã mais nova, de 8 anos, mas a leucemia apareceu logo depois no sistema nervoso central. "Como médica, posso dizer que a única esperança é o tratamento nos Estados Unidos", sentencia a hematologista Cláudia de Bessa Solmucci, que acompanha Romerinho desde o início e hoje é madrinha dele de crisma.

A especialista explica que, quando a doença volta depois de um transplante, a perspectiva de cura é muito pequena. Além disso, o coração de Romerinho já está sofrido por causa de tantos tratamentos realizados e qualquer outra exposição a toxicidade pode provocar um problema cardíaco, além da leucemia. "Procuramos um tratamento que não fosse tão tóxico e garantisse sobrevida para ele", informa Cláudia. A pesquisa, que começou há cerca de quatro anos na Filadélfia, testa a eficácia de uma mutação genética no sistema imunológico, de forma que o organismo do paciente consiga reconhecer as células doentes.

Romerinho tem pressa. A equipe médica do Brasil já conseguiu negativar a leucemia na medula óssea e no sistema nervoso, mas, se a doença retornar antes do início do tratamento, ele pode ser impedido de participar da pesquisa. "Quanto mais rápido ele chegar lá, menor o risco de a doença voltar", alerta Cláudia.

Pai, mãe e a irmã vão se mudar para os Estados Unidos para acompanhar o tratamento de Romerinho. A hematologista vai acompanhar a família, não apenas para dar apoio, mas para tentar trazer a tecnologia para o Brasil.

Fonte: braziliantimes.com

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