Publicado em 9/05/2016 as 3:00pm

Brasileira leva para Cannes filme sobre o Brasil

Nossa redação entrevistou a artista que nos dá detalhes sobre essa nova empreitada e fala mais sobre a obra.

A diretora do filme “Brasil Meu amor”, Debora Reis Totton, estará no 69º Festival de Cannes que acontece de 11 a 22 de Maio de 2016 em Cannes, com o intuito de divulgar sua produção.

Carioca que atualmente mora nos EUA, Debora cursou cinema aqui na América, é graduada em Estudos de Cinema pela Universidade de Washington e possui Master of Arts in Cinema & Media Studies pela Universidade da Califórnia.

Além de “Brasil meu amor” a diretora também está com novos projetos em andamento, porém sua viagem à França será voltada à divulgação desta obra e as possibilidades de distribuição do filme em dimensões internacionais.

Nossa redação entrevistou a artista que nos dá detalhes sobre essa nova empreitada e fala mais sobre a obra.

 

Para Cannes, o que você propõe e o que espera?

Cannes, sendo um dos maiores mercados de filme do mundo e um passo natural. Tenho algumas reuniões agendadas pra discutir distribuição do filme “Brasil Meu amor” bem como apresentar outros projetos que já estão em desenvolvimento. Entre eles, “Feliz Ano Novo Copacabana” e "Rachel".


De quem foi a ideia de produzir o filme? Brazil my love é visto sob o ponto de vista de brasileiros no exterior. Como foi a escolha dos temas abordados no filme?

O projeto Brasil Meu Amor nasceu de um jantar oferecido na minha casa para celebrar o início de um momento super importante dentro da política brasileira em junho de 2013. Nesse momento, vivia em Los Angeles juntos com outros tantos brasileiros que viam do lado de fora e muitos com olhares já americanizados os acontecimentos no Brasil. Se em junho de 2013, um descontentamento coletivo faz com que milhões de brasileiros invadam as ruas de todo o Brasil pedindo mudanças urgentes. Muitos reivindicavam o boicote à Copa do Mundo e às Olímpiadas que seriam sediadas no país respectivamente em 2014 e 2016. De lá até os dias, o rumo da prosa assumiu um contexto bem diferente. Desde de o final de 2014, me mudei para o Brasil em ordem de acompanhar esse movimento e também finalizar o filme.

 

Qual a base do enredo?

Como todo o contexto político mudou, a forma e a estética do filme também mudou. O que seria de início, um documentário, resolvi fazer uma mescla de ficção. Parte documentário, parte romance, “BRASIL MEU AMOR” é um filme experimental, mas de cunho político com uma estória de amor de fundo.  Um retrato ficcional de brasileiros que moram nos Estados Unidos e tem que testemunhar uma das maiores revoltas da história do Brasil por meio dos olhos estrangeiros da nação a qual eles agora fazem parte e chamam de lar.

BBRASIL MEU AMOR combina questões sobre pátria, cultura, nostalgia, identidade e revolução.


Fale detalhes sobre o filme.

BRASIL MEU AMOR anda pelo viés equilibrista do relacionamento amoroso entre Morena Brasil e Osvaldo. Ambos moram nos Estados Unidos e vivem de desejos opostos em relação a nação de origem, que é o Brasil. Esse relacionamento conturbado é posto em contraste com um jantar organizado por brasileiros que vivem fora do país sob o pretexto de discutir os protestos que acontecem no Brasil desde junho de 2013.

 

Toda produção tem seus momentos críticos e outros deliciosos de lidar. Quais foram estes momentos em Brazil My Love?

Não diria momentos difíceis nem fáceis. A complexidade reside- se nas transformações do processo das intenções políticas no período entre 2013 e 2015, quando o filme foi finalizado. O filme foi acontecendo aos poucos.  Como mencionado, começou com um jantar bem na ordem documental, se transformou em ficção com a adição da estória de amor, e a difusão das manifestações das ruas dentro do processo de edição. Vale ressaltar, a importância da colaboração da poeta e escritora Luciana Costa Mendes com o Poema “A Flor da Pele”, costurando as entrelinhas do filme e reforçando os mais diferentes mixes de imagens.

 

 

“Querido Osvaldo, entendo que é possível viver exilada no lugar de origem, isto é, estar em casa e desejar outros lugares. É possível viver eternamente em exílio, ainda mesmo que estejamos em casa. É possível, compreender que está do lado de fora e não ser possível voltar pra casa. É até possível voltar pra casa e perceber que ali já não é mais a casa que se sonhava. Também é possível transitar num constante vai e vem, mas nunca estar nem aqui e nem lá – ser um nômade e ainda assim se sentir um exilado em todos os lugares. Entretanto, nunca pude entender porque pessoas inteligentes como você não conseguem ajudar pessoas como eu, que são supostamente “burras”, e assim, incapazes de lutar pelos próprios direitos e por uma vida melhor. Você e as pessoas iguais a você são covardes!”

(fala de Morena, uma das peças do romance, vociferando contra o amante que não quis voltar ao Brasil para participar das manifestações)

Fonte: Marisa Abel

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