Publicado em 9/05/2016 as 5:00pm

Mais uma loja no Centro de Framingham é denunciada por não finalizar transferência de dinheiro para o Brasil

Denúncia no Facebook fez com que diversas vítimas relatassem problemas que tiveram ao tentar enviar dinheiro para o Brasil na mesma loja

Mais uma loja no centro Framingham está sendo alvo de denúncias da comunidade brasileira, ao fazer envio dinheiro para o Brasil, sem que o valor chegue corretamente ao destino final. Desta vez trata-se de uma loja muito conhecida e antiga na região, a Expresso Valadares, situada na Concord Street há mais de vinte anos. Só este ano, esta já é a segunda loja em Framingham denunciada devido ao mesmo problema. Uma denúncia foi feita nas redes sociais, através do grupo Mara`s List no Facebook. Semana passada um casal de brasileiros fez um post alertando os demais membros sobre o ocorrido com eles. O brasileiro Rony (que prefere manter o sobrenome em sigilo) relatou que fez três remessas de dinheiro há cerca de quase um mês e que apenas parte do valor chegou nas contas do Brasil. Em algumas horas, diversas pessoas fizeram comentários, deram conselhos e também relataram terem passado pela mesma situação na mesma loja. Entramos em contato por telefone com Rony que confirmou a história que relatou na rede social e nos deu mais detalhes da situação. “ Fiz três envios, totalizando quase R$50.000,00. Apenas parte do valor chegou nas contas. Esse dinheiro eu peguei emprestado a juros para quitar dívidas no Brasil. Já fui pessoalmente na loja, conversei para saber o que aconteceu.... Eles dizem que o doleiro que trabalha para eles fazendo o movimento no Brasil não repassou o dinheiro.... Me pediram um prazo, até terça-feira, dia 10 para que o restante do valor seja creditado na conta lá no Brasil, caso isso não aconteça até essa data, ficaram de me devolver o valor aqui em dólares. Nunca imaginei passar por isso”, relata.

Outra pessoa que também teve prejuízo na mesma loja, só que há quase três anos e ainda não teve sua situação resolvida, foi o mineiro Neura Alves de Souza, que em 2013 antes de retornar ao Brasil, deixou US$25,000.00 aos cuidados do proprietário da loja, para que o valor pudesse ser repassado em parcelas. Como garantia, foi dado um cheque em nome da filha do idoso (que prefere não se identificar) que permanece morando aqui e ficou responsável por fazer o envio para o Brasil através da Expresso Valadares. “As primeiras parcelas não tive problemas. Ele chegou a acertar US$13,720, mas agora já vai fazer um ano que não me devolvem mais nenhum centavo. Meu pai já é de idade, trabalhou muito aqui para juntar esse dinheiro. Ele fez esse trato com o Luizinho (proprietário da loja) pois confiava nele.... Quando consigo falar com ele por telefone, ele diz que não tem dinheiro, que não tem como pagar.... Ainda faltam US$11.280 para ele quitar com o meu pai, mas tenho certeza que ele nunca irá pagar, já que deve para muitas pessoas. Isso tudo é muito revoltante. ”, conta.

Outra brasileira que relata estar com o mesmo problema com a Expresso Valadares é a gaúcha Patricia Mullich, moradora de Framingham, que também esta inconformada com a situação. No final do mês de abril, ela foi até a loja para efetuar um envio de US$450,00 com a promessa que o valor estaria em conta no Brasil no máximo em 48 horas. Para sua surpresa o valor não chegou e quando ligou para a loja para cobrar uma satisfação e pedir a restituição do valor, disseram que não podiam fazer nada e que não tinham o dinheiro para devolver. “Fiz uma ocorrência na polícia e quando cheguei com os policiais uma mulher, que se identificou como Carmem disse aos policiais que não tinha o dinheiro para me devolver, então os policias me disseram que não tinham o que fazer, pois o comprovante que tenho não tem os dados da loja”, relata. “Não quero que eles saiam ilesos disso tudo, isso é um absurdo! ”, finaliza. 

A paulista Fatima Neves Heath, de 56 anos, era cliente da loja há cerca de seis anos e também teve problemas ao enviar US$250,00 no dia 21 de abril. Mensalmente ela fazia envios nesse valor, para ajudar o irmão a pagar a faculdade no Brasil. “Sempre fiz lá pela praticidade. Algumas vezes chegava com atraso, mas chegava. Dessa vez não chegou e pelo jeito não vai chegar mesmo. Ninguém atende o telefone na loja, ninguém dá uma satisfação.  Fui diversas vezes no local e a loja esta fechada. Não é pelo valor, mas isso não pode ficar desse jeito. Onde estão os órgãos fiscalizadores dessas lojas? Temos que fazer alguma coisa para que isso não continue acontecendo e envergonhando a nossa comunidade”, desabafa.

As pessoas que relatam serem vítimas deste mesmo estabelecimento, estão se organizando para entrarem com um processo contra a loja para tentarem reaver os valores perdidos.

Outras pessoas entraram em contato conosco relatando histórias semelhantes, mas preferem não expor a situação. Como nosso jornal é imparcial, desde de sexta-feira a tarde procuramos ouvir o que os responsáveis pela loja têm a dizer em sua defesa, mas até o fechamento desta edição ninguém atendeu as ligações e a loja permaneceu fechada. Conversamos com alguns comerciantes vizinhos (que preferiram ter suas identidades não reveladas), que confirmaram que diversas pessoas já estiveram no local a procura de uma satisfação e que não sabem informar se a loja será reaberta.

Fonte: braziliantimes.com

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