Publicado em 16/06/2016 as 8:56pm

Continua polêmica sobre brasileiro, "chefe de polícia", em Carolina do Norte

O Brazilian Times conversou com os dois envolvidos para tentar entender a história e esclarecer para a comunidade

Na edição anterior, o jornal Brazilian Times publicou uma matéria sobre a polêmica envolvendo dois brasileiros que atuam como policiais nos Estados Unidos. O carioca Marco Bomfim publicou um vídeo rebatendo acusações de que ele não é chefe de polícia de polícia em Carolina do Norte. A denúncia chegou às redes sociais através de um grupo criado no Facebook chamado “Comunidade Marlborough”.

Em uma publicação, Bomfim é acusado de se passar por chefe de polícia, “função esta que ele não exerce”, segundo o autor do texto. Bomfim usou a sua página no Facebook, que tem cerca de 50 mil seguidores, para rebater a acusação e citou o nome do policial Rafael Faria, que é lotado no Departamento de Polícia de Marlborough (Massachusetts). Ele o chamou de covarde e fofoqueiro e ressaltou que o, também brasileiro, estava querendo se promover em cima dele.

A história continua gerando polêmica nas redes sociais, pois Bomfim tem um grupo grande de seguidores devido aos seus vídeos instrutivos e as orientações que fornece sobre leis norte-americanas. A redação do jornal Brazilian Times procurou os dois policiais para conversar e tentar esclarecer a história.

Rafael não pode dar entrevista ao jornal alegando que como policial deve receber ordens dos superiores e eles é quem devem decidir. Com poucas palavras, ele alegou que a intenção não é denegrir e nem atacar Bomfim. “O que eu quero apenas é saber porque ele deixa transparecer que é chefe de polícia, sendo que na verdade ele é chefe de polícia de uma companhia de segurança”, disse.

Em uma nova publicação, o grupo “Comunidade Marlboro”, que supostamente segundo Bomfim estaria sendo usado por Rafael, publicou o seguinte texto: “Marcos Bomfim, o meu objetivo nunca foi de te humilhar, mais sim informar aos brasileiros da comunidade onde moro que os seus vídeos não são 100% corretos. O senhor se passa por chefe de polícia, mas aqui é a realidade.  Para esclarecer um pouco. Na Carolina do Norte ‘Special’ police officers, tem poderes policiais que somente podem ser executados em propriedades particulares como shopping, apartamentos ou hospitais. O senhor recebe o salário da loja que te contratou, quando um policial recebe o salário do estado/cidade. Aqui no norte do Estados Unidos e no Brasil, chamamos esta posição de segurança armado. E na Carolina do Norte, chamam de ‘Special Police’ ou ‘Company Police’. O senhor não responde chamadas de emergência, não investiga casos, não para carros ou trabalha para um departamento de polícia, onde as pessoas ligam para pedir ajuda.

O senhor trabalha, sim, para uma companhia de segurança chamada de ‘King Special Police’ na qual o senhor é o ‘Chief’. E as lojas, podem ligar para contratá-lo. O senhor me chamou de fofoqueiro, mas foi o senhor que ligou para o meu departamento para reclamar do meu post. O senhor me chamou de mentiroso, mas de acordo com os registros do jornal local de Charlotte, o senhor teve que sair da academia de polícia por ter colado na prova (www.freerepublic.com/focus/f-news/1114096/posts). O senhor me chamou de covarde, mas o senhor nunca prendeu um traficante, um membro de gang, nunca brigou com uma pessoa duas vezes o seu tamanho para proteger uma pessoa, nunca entrou em um prédio pegando fogo para salvar uma vida, nunca passou-se noites sem dormir tentando entender como uma pessoa pode abusar de uma criança, esposa, filha, nunca salvou a vida de uma ou mais pessoas durante o seu dia de trabalho. Eu sim. O meu uniforme não foi comprado e sim adquirido com suor, sangue e honestidade e todo dia tenho que provar que mereço ele. Esta é a última mensagem que te mando ou me esclareço publicamente. Este não é o meu objetivo é não é o tipo de pessoa que sou. Mais se o senhor quiser me mandar uma mensagem em particular pode ficar à vontade. Para quem estiver duvidando de mim, faça a sua própria pesquisa. Comparem o website dele com de qualquer departamento de polícia”.

Em uma breve conversa com o BT, Bomfim disse que não entende os motivos desta acusação e ressaltou que Rafael está se escondendo atrás de uma publicação que mão tem nomes de pessoas. “Repito que ser criticado e atacado por pessoas comuns eu já estou acostumado, mas de um policial que conhece o sistema, eu jamais espertava”, disse. “Nas leis da Carolina do Norte, se você carregar uma luz azul dentro de seu veículo é motivo de prisão. Imagina se passar por chefe de polícia? Já era para eu estar preso há muito tempo”, continua.

Bomfim ressalta que não é novidade estes ataques que ele sofre, pois alguns delegados do Brasil também o atacaram recentemente pelo fato dele estar denunciando irregularidades na polícia brasileira e propor mudanças. “Quem sabe esta pessoa não está sendo orientada por algum destes delegados”, fala.

Ainda durante a conversa, Bomfim disse que “Rafael poderá perder o emprego” e que está sendo infantil em fazer perguntas como as citadas acima. “Eu estou encaminhando ao Procurador-Geral de Massachusetts e ao de Carolina do Norte uma carta reportando a calúnia e difamação que está sofrendo”, afirmou.

O BT perguntou a Bomfim quais são os poderes policiais que possui e ele confirmou que tem total poder de polícia somente nos locais em que é contratado, tais como hospitais, mall, escolas, eventos e outros. “Eu posso servir como special police para o governador enquanto outros não podem”, disse. “Se acha que eu estou errado, porque não liga para as autoridades e me denuncia”, indaga.

Bomfim ressalta ainda que é certificado pelo estado e já foi instrutor sobre uso de armas em alguns locais. “O meu currículo fala por si só”, finaliza.

SPECIAL POLICE

O Brazilian Times conversou com especialistas e através de algumas pesquisas descobriu que um “special police” na maioria dos casos, não é um membro de uma força policial. Um “special police” é um membro voluntário de uma força policial nacional ou local ou uma pessoa envolvida na aplicação da lei, que não é um policial, mas tem alguns poderes de policial.

Na Carolina do Norte, algumas empresas privadas têm suas próprias forças especiais da polícia. Eles trabalham em hospitais, hotéis, pistas de corrida e shopping centers e são mais propriamente referidos como "Companhia de Polícia". Há também empresas que oferecem contrato de serviços especiais da polícia para quem tem a propriedade que deseja proteger. No estado da Carolina do Norte, a “Special Police” diferem muito de empresas de segurança.

Um “Special Police” tem poderes total para realizar prisões dentro de qualquer propriedade para a qual ele é contratado para proteger. Ele também deve comparecer e passar em treinamentos como todos os outros policiais. Agentes de segurança não tem poderes de prisão e o seu trabalho é observar e relatar principalmente o que acontece.

Fonte: braziliantimes.com