Publicado em 22/06/2016 as 8:00pm

Brasileiro preso em hospital psiquiátrico na Florida é liberado e volta ao Brasil

O capixaba ficou 30 dias preso à espera de sua deportação

Após mais de um mês de espera, o brasileiro Wagno Silva retornou para a sua família, na cidade de Serra (Espírito Santo). Ele estava detido em uma cadeia de imigração na Flórida e ficou alguns dias internado em um hospital psiquiátrico. Na época, sua esposa Juliana Silva entrou em contato com o Brazilian Times em busca de relatar a história e denunciar a internação abusiva. “Eles não tinham motivo para internar o meu marido no dia de sua deportação”, disse.

Mas nesta terça-feira, dia 21, Wagno chegou ao Brasil e foi recebido pela esposa e os filhos com muito carinho. Ele ainda quer curtir um pouco a família antes de recomeçar sua vida. Segundo Juliana, o casal tem um caminhão e darão sequencia nos projetos que ambos fizeram antes da detenção.

Em uma foto publicada na página de Juliana, Wagno está em salão de cabelereiro e a mulher explica que é preciso “pois ele chegou com o cabelo muito grande”. Ela também agradeceu a todos oraram pelo retorno dele.

ENTENDA A HISTÓRIA

Depois de ter morado por quatro anos ilegalmente nos Estados Unidos, o capixaba Wagno, de 35 anos, decidiu retornou ao Brasil. Mas sua filha, de nove anos e que nasceu em terras estadunidense, insistia para voltar e estudar em uma escola norte-americana. Diante disso, no dia 19 de março ele saiu de Serra (Espírito Santo) em direção às Bahamas para, novamente, entrar neste país.

Segundo Juliana Francisca Silva, o casal tentou o Visto para voltar de forma legal, mas foi recusado decido ao fato de ter ficado ilegalmente nos EUA. “Estávamos todos angustiado e ele não pensou duas vezes em fazer a perigosa travessia”, fala ressaltando que o Wagno ficou 30 dias nas Bahamas aguardando o capitão do barco que o levaria.

Ainda, conforme ela relatou, no dia 18 de abril o capitão colocou gente demais no barco e a travessia deu errado e foi preso mais de 30 pessoas. Wagno passou mal e como sofre de disritmia cerebral e quando a Guarda Costeira chegou ele estava desmaiado após sofrer um ataque de epilepsia. “Meu marido foi levado a um hospital onde ficou três dias e depois transferido para uma cadeia de imigração chamada Broward Transitional Center (BTC), em Pompano Beach (Florida)”, disse.

O capixaba ficou 30 dias preso à espera de sua deportação, a qual ficou marcada para o dia 23 de maio, mas no dia 19, ele teve uma audiência de imigração, onde foi oferecido a possibilidade dele ficar no país por dos anos sob a condição de ajudar nas investigações sobre imigração ilegal.

Mas Wagno se recusou pelo fato de sua deportação já estar marcada e que não iria ficar longe de sua esposa, “ainda mais expondo a vida dela e da família ao denunciar os traficantes de pessoas”.

No domingo, dia 22 de maio, a esposa conversou com ele, o qual disse que estava bastante feliz em saber que seria deportado e veria sua família novamente. “Mas na noite de segunda-feira, dia 23, um amigo que estava preso com ele me ligou e avisou que o médico da unidade prisional lhe disse que meu esposo pediu para avisar que não tinha sido deportado”, relata ela bastante emocionada.

Ainda, segundo o amigo, Wagno estava internado em na clínica psiquiátrica Atlantic Shore Hospital, localizada em Fort Lauderdale. Segundo as informações que ela obteve no dia seguinte, ao conversar com um representante do Consulado-Geral do Brasil em Miami, identificado como Leonardo, o marido teria sofrido um surto psicótico e estaria ouvindo vozes, no aeroporto enquanto aguardava a liberação para embarcar para o Brasil. “Isso é mentira, pois o amigo dele disse que o viu na tarde de segunda de volta à unidade prisional”, afirma ela.

Bastante preocupada e sem saber o que fazer, a esposa entrou em contato novamente com Leonardo e pediu para que ele conversasse com algum representante do hospital e ouvisse de Wagno o que realmente aconteceu. “Meu esposo relatou que estava no aeroporto e que os oficiais eles estavam sem o papel de deportação, impedindo-o de viajar e por isso deveria retornar à unidade prisional. Ao saber disso, meu marido ficou nervoso e os agentes lhe trouxe remédio.  Mas ele se recusou alegando que se tomasse iria morrer. Os oficiais entenderam que ele queria se matar e decidiram interná-lo”, explica. Desde então ele ficou entre a cadeia de imigração e o hospital psiquiátrico.

Fonte: braziliantimes.com