Publicado em 18/07/2016 as 12:00pm

Solução do caso JJ está longe do fim

Cíntia Pereira, mãe que luta pela guarda do filho, fala ao Brazilian Times

No domingo, 10 de julho, brasileiros solidários à causa da jovem paulista Cíntia Pereira estiveram presentes no Washington Square Park, em Manhattan, para uma manistação pacífica solicitando o encerramento do caso e a devolução de JJ à mãe.

Como relatamos anteriormente, o menino, Joseph Lorenzo Heaton, é filho de Cíntia Pereira com o americano Gary Lee Heaton. Eles se conheceram em São Paulo, casaram na cidade de Salt Lake City, mudaram para São Paulo e tempo depois se separaram. Em visita ao Brasil ele pediu o divórcio e em seguida fugiu com a criança, a trazendo para Utah.

Após localizar seu filho aqui nos EUA, Cíntia veio para reaver a criança, porém o pai entrou com um processo na justiça pela guarda total de Joseph. Ele acusa que o menino sofreu maus tratos e abuso sexual na casa da mãe. A justiça americana está analisando o caso.

Entrevistamos Cíntia essa semana e ela comenta o pesadelo que está vivendo e pede mais atenção da justiça.

Você estava confiante que levaria seu filho de volta ao Brasil e agora está enfrentando algumas restrições. Como está o processo neste momento e como vc está se sentindo?

Cíntia Pereira: Sim, eu estava muito confiante que voltaríamos para o Brasil. Porque eu já sabia que havia acontecido a mesma coisa, "acusações”, no Brasil e depois de um ano de investigação enfim nós ficaríamos juntos para sempre. E achei que fosse apenas encontrar meu filho e ir.

É possível traduzir em palavras seus sentimentos neste caso?

Cíntia Pereira: Eu tenho uma mistura de sentimentos, injustiças, humilhação, estou angustiada por não poder fazer nada diante da vontade do meu filho e minha de ir embora, impotente, mas ainda assim tendo manter a esperança, o amor que recebo das pessoas faz com que eu cai e levante dia após dia.

Como você analisa a ajuda da justiça brasileira neste caso?

Cíntia Pereira: Sobre a justiça brasileira: eles "Consulado Brasileiro de Los Angeles" Gisele e "Advogados Gerais da União Brasil" Natalia. Tentam explicar como funciona, mas na verdade eu não ouço nada exatamente claro sobre o que eles realmente estão fazendo. Sinceramente, eu me sinto abandonada pelo meu próprio País. Quero me desculpar se eu estiver enganada sobre a ajuda deles. Talvez possam estar fazendo algo em silêncio, mas sinceramente, eu não sei.

Claro que sabemos que você espera ter seu filho de volta, mas diante desta situação toda o que você pensa?

Cíntia Pereira: Sim, eu espero ter meu filho de volta e diante da atual situação não cabe outro pensamento a não ser esse, ficarmos juntos e ir embora para o nosso País. Procuro não pensar em outras possibilidades contrárias à essas, porque no momento não fazem parte de mim. Afinal, eu fui correta perante a lei, respeitei as autoridades tanto no Brasil e estou respeitando nos EUA por isso que seja essa situação, não posso pela minha cabeça fazer o que meu ex marido fez. Fugir com meu filho o colocando em risco em uma viagem longa e ilegal.

O apoio da comunidade brasileira que vive nos EUA

Um grupo de mais de 3.500 mães brasileiras que vivem em Estados Unidos está apoiando Cintia Pereira em sua luta para obter a custódia de seu filho, além delas, centenas de brasileiros estão compartilhando o caso nas redes sociais e se colocam solidários à causa.

A jornalista Claudineia Cardinalli tem oferecido seus conhecimentos em comunicação para chamar a atenção da mídia em geral e da população americana. ‘Eu fiquei sabendo do caso e entrei em contato com a administração do Grupo: “Clube das mamães e bebês de NY’. Vi que, eles precisavam de legendas em inglês para a entrevista da Cíntia Na Rede Record. Pedi ao meu produtor para fazer isto. Em seguida me propus a fazer a assessoria de imprensa para o Grupo e para Cintia em NY . Em Seguida contactei a Ester Sanches, de Connecticut, que é lider Comunitária. Ela já entrou de cabeca no caso. E vem ajudando no que pode”, comenta Claudineia.

Ester Sanches comenta como ela analisa essa situação. “Acho que está sendo uma grande ofensa para o nosso governo e a nossa legislação o que o juiz de Salt Lake City está fazendo. Em primeiro lugar não respeitou a decisão de uma juíza brasileira no julgamento de um cidadão brasileiro; Joseph é brasileiro! Segundo Acoitou um sequestrador porque o pai tinha tanta certeza e era conhecedor do erro que estava cometendo, por isso saiu com a criança pelas fronteiras com o Paraguai. Ele sequestrou o filho! Toda criança menor de 18 anos tem que ter autorização dos pais ou juiz para viajar até mesmo dentro do país. Terceiro ele confiscou o passaporte da Sra. Cintia Pereira sem nenhuma razão: ela não é criminosa, não está aqui ilegalmente e é mãe! O passaporte é um documento internacional e somente o dono ou o país que o emite tem direito de ter posse. Ninguém mais! A não ser que seja ordem de uma autoridade federal em casos de crime! Quarto, a proibiu de comunicar-se com seu filho o idioma de sua pátria. Ambos não são fluentes em inglês e agora que foram permitidos a falar português, e tudo monitorado”.

Sobre o apoio de brasileiros ao caso Estella Pratta fala sobre o caso e sua repercussão. “O caso gerou muita revolta na Comunidade, mas em especifico, gerou um repúdio muito forte dentro do ‘O Clube das Mães NY’. Os membros deste grupo se uniram em compaixão e solidariedade, e prestaram o suporte social que Cintia precisava. As mães se organizaram e traçaram um plano de apoio ao caso. Elas organizaram inúmeros eventos, tais como jantares, leilões, vendas de produtos, bazares, brindes doados, etc afim de serem arrecadadas verbas para as despesas jurídicas. O Clube lutou por licenças e permissões junto à Cidade de NY, para realizar uma passeata pacífica, em um dos Parques ícones de Nova Iorque. Vídeos, materiais de fotojornalismo, cartazes e fotos foram minuciosamente preparados para entrarem numa afiada campanha de divulgação, tanto na mídia social, quanto nos veículos de telecomunicação. A campanha continua! A comunidade pode seguir esse modelo de solidariedade e contribuir! Cíntia ainda precisa pagar os advogados; e-mails podem ser mandados para as autoridades cabíveis, afim de que estas possam dar mais atenção ao caso. O consulado, o Itamaraty e o Governo Brasileiro precisam intervir neste caso, pedindo um acordo diplomático a uma lei que foi descumprida: a Lei de Haia . O tratado da Convenção de Haia precisa ser prontamente cumprido nesse momento. Essa morosidade burocrática do Brasil e dos Estados Unidos é infame e deve ser apurada o mais rápido possível. A comunidade brasileira não deveria aceitar esses moldes de resgate do nosso Governo. Por isso devemos dar voz a nossa indignação e propagar este caso”, finaliza.

Fonte: Marisa Abel