Publicado em 29/07/2016 as 12:57pm

Comunidade brasileira de Somerville se revolta com as acusações feitas contra o Padre Ademir Guerini

Após graves denúncias publicadas contra o Padre Ademir Guerini nos últimos dias, a Paróquia Santo Antônio e a comunidade de Somerville pedem espaço para defendê-lo.

Na semana passada a matéria de capa de um jornal da nossa comunidade levantou polêmica ao denunciar diversas práticas, tidas como abusivas, por parte de um padre brasileiro de uma paróquia local. O padre em questão é Ademir Guerini, brasileiro, nascido na cidade de Charqueadas no Rio Grande do Sul, ordenado sacerdote há 29 anos e que estava à frente da Igreja Santo Antônio de Somerville desde fevereiro de 2010.

Segundo a publicação, um grupo de membros da igreja Santo Antônio se reuniram e procuraram a redação do jornal para denunciar as práticas abusivas por parte do pároco.  As denúncias são graves e dão conta de que o sacerdote, por diversas vezes, teria se aproveitado da sua condição de padre para ofender a comunidade brasileira, chegando a gritar com fieis, quebrar o sigilo do confessionário, não prestar contas do dinheiro arrecadado durante as missas, além de denúncias extraoficiais e uma oficial de assédio sexual, que teria sido registrada na Arquidiocese de Boston.

Após essa publicação, a diretoria da igreja procurou a redação do Brazilian Times, pedindo espaço para dar a versão oficial da paróquia quanto aos fatos denunciados. Durante a semana também fomos procurados por vários membros da igreja, que segundo informações, hoje totalizam cerca de 500 pessoas, sendo 10% desses americanos e os outros 90% de brasileiros.

Sobre todas as denúncias feitas, segundo o porta-voz da paróquia, eles afirmam desconhecer tais fatos. “Não é de nosso conhecimento que sejam verdades, pois tudo o que foi dito, na reportagem que foi publicada, são opiniões pessoais sobre o padre”. Perguntamos então sobre a reação dos membros da igreja ao saberem das denúncias. “A reação da comunidade e dos coordenadores de pastorais dentro da igreja foi de espanto, tristeza e revolta por exporem de uma forma mentirosa e vergonhosa o nosso padre e a nossa comunidade. O padre teve muita humildade de chamar todos os coordenadores e pessoas presentes na missa do dia 20, para conversarmos e rezarmos pelas pessoas que não gostam dele”, afirmou um dos representantes da paróquia.

Quando questionados pelo Brazilian Times sobre o motivo pelo qual o padre foi afastado prontamente após as denúncias, a paróquia afirmou, através do seu porta-voz, que nestes casos de escândalos públicos, onde foi usado o nome da diocese, segue-se o protocolo de afastar o padre do local, pois houve uma exposição do sacerdote, para depois averiguar os fatos. “Devido ao tempo que o padre já estava à frente da comunidade (quase 7 anos), em setembro ele já seria transferido para outra igreja. O que a diocese fez diante dessas acusações, foi antecipar a transferência para poupar o padre de mais ataques.”.  Eles afirmaram também que a diretoria da igreja já tinha consciência do desafeto que um grupo de membros tinham em relação ao padre Ademir. “Nós já sabíamos da insatisfação de um pequeno grupo em relação ao padre, mas os motivos dessa insatisfação não condizem com o que foi publicado. Esse grupo de pessoas queriam mandar no padre e estavam bravas, mas nunca foram resolver com ele. O padre Ademir é muito querido pela comunidade brasileira e americana. Isso que fizeram com ele foi um ataque muito cruel”, relatou o porta-voz da diretoria.

Sobre as possíveis denúncias de assédios extraoficiais e uma que teria sido registrado oficialmente na Arquidiocese de Boston, a fonte também afirma não ser verdade. “O padre Guerini não tem nenhuma denúncia na Arquidiocese. Para quem tem entendimento das leis e regras da igreja católica sabe que é impossível ter uma denúncia formal e eles não fazerem nada antes ou averiguarem”.

A diretoria da Paroquia Santo Antônio de Somerville, afirma que independente do resultado das investigações quanto as denúncias, a transferência do Padre Ademir Guerini é definitiva, e que seu substituto é o padre Volmar Scaravelli, que já estava destinado a assumir a paróquia em setembro.

Entramos em contato com o Padre Ademir Guerini através do e-mail particular dele, onde oferecemos a ele espaço para dar a sua versão dos fatos e se defender das graves acusações a ele imputadas. Prontamente ele nos retornou, agradecendo o espaço, porém afirmou que prefere que a comunidade responda por ele. “Obrigado pela possibilidade de responder ao artigo, mas prefiro deixar que a comunidade fale...”, finalizou.

Padre Volmar Scaravelli é apresentado oficialmente

Na noite da última quarta-feira, dia 27, o padre Volmar Scaravelli, que assumiu a igreja no lugar do padre Ademir Guerini, reuniu-se juntamente com cerca de 70 membros da comunidade (entre brasileiros e americanos) que frequentam a paróquia, para se apresentar oficialmente e organizar as pastorais e seus trabalhos, cujo o ano letivo inicia-se agora em setembro. Dentre essas pessoas que estiveram presentes, cinco fazem parte do grupo que fez a denúncia contra o padre Ademir. Segundo informações, devido ao calor dos acontecimentos, houve um início de bate-boca entre os denunciantes e o restante dos membros que os questionaram a veracidade das denúncias. Para evitar um possível tumulto, o padre Volmar Scaravelli, decidiu encerrar a reunião.

Comunidade brasileira sai em defesa do Padre Ademir

Após a publicação da denúncia na semana passada, boa parte da comunidade de Somerville e região mostrou-se surpresa nas redes sociais e durante a semana muitas pessoas, ao saberem que a paróquia nos procurou para relatar o outro lado da história, entraram em contato conosco para fazer a defesa do padre.

 “Esse não é o padre Ademir que conheço. Nunca presenciei ele ser grosseiro com ninguém. Nunca ouvi ninguém fazer nenhuma crítica sobre ele. Isso é uma inverdade e um absurdo!”, relatou Joao Paulo de Oliveira, frequentador da igreja e morador da cidade de Somerville.

A brasileira Kelly Consoli, moradora da cidade de Lynn, relata ter ficado surpresa ao saber do ocorrido. “Eu não frequento essa igreja todos os domingos, mas vezes que fui, sempre fui muito bem tratada pelo padre Ademir. Sempre o achei muito gentil e educado. Gosto muito dele. Fiquei assustada com as coisas que falaram. Tomara que tudo passe e que ele fique bem”, afirmou.

Para N. B, membro e voluntário da igreja, morador de Medford, que preferiu ter sua identidade preservada, a igreja passa por um período delicado. “A igreja hoje passa por um momento de inquietação, sendo também golpeada por quem faz parte dela. Quanto ao padre Ademir, eu não tenho nada para falar dele, só que ele é uma pessoa excelente. ”

Para Reinaldo, morador de Malden, o padre sempre foi um homem trabalhador. “Participo da comunidade de Somerville junto com irmãos da paróquia e o padre Ademir.  Para comigo e minha família ele sempre e foi muito educado e também com os demais membros. Penso que uma pessoa que pensa na sua comunidade com respeito e ama a Deus primeiramente, não trataria o seu guia espiritual de tal forma.

Quanto ao nosso padre Ademir, ele é um homem que também tem defeitos, como qualquer outra pessoa, mas ele é um padre bom e muito trabalhador na nossa comunidade. Ele merece o devido respeito de todos. ”

Daiana Rezende, residente em Norwood, também nos procurou para dar o seu depoimento. “Há quase 3 anos frequento a Paróquia Santo Antônio em Somerville. Venho aqui hoje para dar meu testemunho com muita tristeza, e ao mesmo tempo orgulho de poder falar que tipo de pessoa que o padre é, e o que Padre Ademir representa para mim e para nossa comunidade. Tristeza por causa do motivo do afastamento dele, mas orgulho de só ter coisas boas para falar dele. Essa calúnia, ou difamação que alguém está tentando espalhar, talvez seja por uma insatisfação pessoal, ou por inveja e ciúmes do nosso padre tão maravilhoso. A igreja mudou muito desde o início da administração do Padre Ademir. Hoje podemos, com orgulho, dizer que a nossa Festa Junina é a melhor do estado e que está sempre limpa e impecável. Temos muitas oportunidades para confraternizar uns com os outros e ele sempre é muito diligente e preocupado em ajudar a comunidade e a Igreja Católica, nos ensinando o que é realmente ser cristão.  Minha família e eu viajamos uma hora todos os domingos para frequentar a Igreja. Não faríamos isso se não soubéssemos que ao chegar lá, iríamos ouvir a palavra de Deus manifestada por esse homem honesto, digno, realista, bondoso. E que sabe como ninguém, traduzir a palavra de Deus e os ensinamentos de Jesus. Sem o Padre Ademir não seria possível afirmar hoje que a Paróquia Santo Antônio é o nosso lugar. ”

Recebemos também o depoimento de da brasileira Erika Souza, que faz parte ativamente da comunidade católica da igreja de Somerville e que nos procurou para ter seu depoimento publicado. “Participo dessa comunidade faz quase 10 anos. Faço alguns serviços na igreja, tais como: equipe de liturgia, pastoral do dizimo, catequese e também professora de português. Todos trabalhos voluntários, ou seja, sem remuneração. Friso bem esta parte porque tem sido assim ao longo dos anos, todos que ajudam a nossa comunidade o fazem com amor.  Com a vinda do padre a nossa paróquia, criou-se uma expectativa unânime de mudanças as quais aconteceram, mas não com a mesma aceitação que as expectativas. Não é novidade o massacre público a qual foi acometido nosso padre, o que muito me estarrece é que isso partiu de membros ou ex membros de nossa comunidade. Como puderam ir tão longe? Como puderam descer tão baixo? Em quê isso os fizeram melhores do que são? O Padre Ademir é um homem de pulso firme, às vezes intransigente, sim, mas não é nem de longe o que estão afirmando sobre ele. Incrível a facilidade como posso usar uma mágoa ou rancor para atacar e denegrir alguém. Se ele errou, ou mesmo que tenha cometido alguma das faltas por eles atiradas as opiniões públicas, eles não tinham o direito de fazer o que fizeram. Considero que de nada valeu estar e fazer parte de uma igreja se não vive um pressuposto básico para ser chamado filho de Deus que é perdoar. ”

Fonte: braziliantimes.com