Publicado em 10/08/2016 as 4:00pm

Conheça o corretor brasileiro de Miami que aposta em títulos de US$ 0,01 da falida OAS

O brasileiro incentiva o investimento em empresas consideradas falidas

Carlos Gribel, chefe da área de renda fixa da Andbanc Brokerage em Miami, tem uma espécie de mão boa para escolher os vencedores no mercado de bonds do Brasil. Neste ano ele disse a seus clientes que acumulassem os CoCos do Banco do Brasil e também os bonds das siderúrgicas Usiminas e Gerdau. Quem seguiu seu conselho foi recompensado com retornos de pelo menos 34 por cento.

Neste ano ele disse a seus clientes que acumulassem os CoCos do Banco do Brasil e também os bonds das siderúrgicas Usiminas e Gerdau. Quem seguiu o seu conselho foi recompensado com retornos de pelo menos 34%.

Agora, o brasileiro de 54 anos está fazendo sua projeção mais audaciosa: ele recomendou a seus clientes a compra de US$ 1,8 bilhão de títulos emitidos pela empreiteira falida OAS. As notas estão sendo negociadas atualmente entre 1 e 2 centavos de dólar, um reflexo do quanto elas são vistas como desprezíveis. Para Gribel, os detentores de notas estão subestimando o valor da dívida. Segundo seus cálculos, esses títulos podem valer até 20 centavos de dólar se os credores venderem a fatia de 24 por cento na operadora de aeroportos Invepar que receberam na atual reestruturação da dívida.

“A OAS é realmente uma aposta arriscada, mas qualquer sucesso com uma venda da Invepar só trará ganhos a essa altura”, disse Gribel, que trabalha na Andbanc Brokerage nos últimos dois anos, em entrevista, de São Paulo. “Acho que esses títulos estão baratos demais e bons demais para ignorar”.

A corretora é uma unidade da Andbank, que administra US$ 26 bilhões mundialmente. Gribel entrou na empresa -- que foi fundada em 1930 no microestado de quase 469 quilômetros quadrados nos Pirineus Orientais onde se fala catalão -- após um período de dois anos na INTL FC Stone. No ano passado, ele iniciou a unidade de corretagem, voltada para indivíduos ricos que investem na América Latina.

A fatia na Investimentos e Participações em Infraestrutura SA, que opera o principal aeroporto internacional de São Paulo, está avaliada entre R$ 1 bilhão (US$ 324 milhões) e R$ 2,5 bilhões, de acordo com os cálculos de Gribel.

A Brookfield Asset Management tinha oferecido R$ 1,35 bilhão (US$ 420 milhões) pela participação na Invepar, mas retirou a oferta em fevereiro citando tentativas malsucedidas de chegar a um acordo com acionistas. Entre os credores que serão proprietários estão os hedge funds Aurelius Capital Management e King Street Capital Management, além de três fundos públicos de pensão brasileiros.

Para David Tawil, um dos fundadores da Maglan Capital, há demasiadas perguntas sem resposta neste momento para apostar na OAS.

“Será que os hedge funds trabalharão bem com os fundos públicos de pensão? Será que os hedge funds serão mais agressivos nas iniciativas de cortar custos? Será que eles vão discordar? Isso é um bilhete de loteria”.

Brian Schaffer, da Prosek Partners, porta-voz do Aurelius, que tem sede em Nova York, e Shawn Pattison, da Abernathy MacGregor Group, que é porta-voz do King Street, preferiram não comentar. O Funcef, o fundo de pensão do banco estatal Caixa Econômica Federal, não quis comentar, e os outros dois fundos de pensão não responderam a pedidos de comentários feitos por e-mail e telefone.

Gribel reconhece esses riscos, mas argumenta que os hedge funds e os fundos de pensão encontrarão pontos em comum. A participação só se tornará mais valiosa se a economia brasileira se recuperar, disse ele.

“Embora pareça extremamente arriscado, e de fato existem desafios à frente, não consigo imaginar que os detentores de notas e os fundos de pensão não façam todo o esforço do mundo para que essa parceria funcione”, disse Gribel. “Quando a economia do Brasil se recuperar, eles poderão vender e serem recompensados por seus esforços”.

Fonte: Da redação