Publicado em 7/09/2016 as 3:00pm

Violência: Ladrões rendem brasileira e roubam oficina no Ironbound

Atendente de bar é rendida à mira de arma e oficina mecânica tem caminhonete roubada na mesma madrugada na Chestnut Street

A onda de violência no bairro do Ironbound, em Newark, fizeram duas vítimas na madrugada de quinta-feira (1). Aproximadamente, às 4:40 da madrugada, a atendente de bar Rosana Almeida, natural de Rondônia, abria o portão do estabelecimento onde trabalha, na esquina das ruas Hennessy e Chestnut, quando foi rendida por um assaltante. Segundo ela, um indivíduo afro-americano, magro, de aproximadamente 16 anos, com um pano vermelho tapando a boca, saiu do interior de um Hyundai, de cor prata, e apontou uma arma para sua cabeça quando estava agachada e abria o cadeado do portão. O incidente ocorreu no momento em que ela recolhia o pão e o jornal deixados do lado de fora do bar e o veículo fazia a curva na Hennessy St. e entrava na Chestnut St. O motorista do carro parou e deu a ré até a frente do bar, após ver a atendente.

Rosana detalhou que o indivíduo a jogou ao chão, apalpou seu corpo em busca de dinheiro e  exigia o tempo todo, em inglês, que ela entregasse-lhe o dinheiro. Aparentando nervosismo, o ladrão sacudia a pistola o tempo todo em direção à cabeça da vítima.

“Eu só entendi ele dizer: ‘dinheiro, dinheiro’. Eu pensei, eu não quero morrer agora. A minha família está longe. Eu pensei que ele fosse me matar. Toda a minha vida passou na minha frente. Naquela hora, pensei na minha mãe e nos meus filhos”, relatou emocionada.

“Ele poderia levar tudo, menos a minha vida. A vida não tem preço”, acrescentou.

Ainda na calçada, a atendente pôs as mãos em frente ao rosto para se proteger. Na tentativa de acalmar o assaltante e assim salvar sua vida, a brasileira disse-lhe que tinha dinheiro no interior do bar e que o entregaria. Ao entrar no estabelecimento, sob a mira de arma, ela foi até o caixa, quando ouviu o barulho da queda de uma peça de metal. Ao correr até à porta, percebeu que o ladrão havia ido embora sem levar nada.

“Ele ficou próximo à porta de vidro apontando a arma para mim e, quando caiu o pedaço da pistola, o bandido fugiu”, detalhou a vítima, que trabalha no bar há aproximadamente 4 anos e mora há 13 anos nos EUA. Rosana acrescentou que essa foi a primeira vez que foi abordada por um criminoso em sua vida.

Após o susto, a brasileira, que também mora na Chestnut St. e já residiu em cima do próprio bar, pensa até em mudar de profissão. Ainda abalada, ela foi interrogada por policiais na redação do BV e, posteriormente, os levou ao local onde ocorreu ao incidente. Os agentes recolheram o pedaço da arma deixado pelo assaltante.

Na mesma madrugada, ladrões cortaram a corrente do portão principal e roubaram uma caminhonete Ford que estava estacionada no pátio de uma oficina mecânica. O incidente ocorreu também na Chestnut St., quase em frente ao bar onde a brasileira foi rendida. As autoridades não informaram se há relação entre os crimes.

Segundo o português Sidônio Lima, proprietário da oficina, os ladrões arrombaram o portão, avariaram uma BMW e derrubaram uma cerca de arame ao levar a caminhonete, avaliada em US$ 25 mil. O veículo roubado não estava registrado e não tinha seguro. Assim que descobriu o roubo, às 8 horas da manhã, o Sr. Lima, como é conhecido, ligou para a polícia, mas foi informado que deveria ir à delegacia local, na Market St., para preencher o boletim de ocorrência (BO). Durante toda a manhã de quinta-feira, nenhuma viatura policial compareceu ao local para averiguar a denúncia ou sequer recolher pistas. Consternado, ele comentou que incidentes dessa natureza fazem com que as pessoas “sintam vontade de ir embora daqui”.

. Onda de violência:

Há aproximadamente um mês, outra atendente de bar foi brutalmente agredida por assaltantes na Pacific St., também no bairro do Ironbound. Segundo relatos de moradores, a vítima, que é brasileira, abria o estabelecimento ainda de madrugada, quando foi surpreendida pelos ladrões que a espancaram covardemente.

Diariamente, inúmeros estabelecimentos comerciais no Ironbound, especialmente bares e padarias, abrem ainda de madrugada para atender os clientes a caminho do trabalho na construção civil. A escuridão e ruas desertas do bairro tornam os trabalhadores vulneráveis e os assaltantes em busca de vítimas se aproveitam dessas circunstâncias.

Fonte: Brazilian Voice