Publicado em 12/09/2016 as 3:00pm

Brasileiro, pai de três filhos, comete suicídio em Beverly (MA)

"Ano passado ele já tentou se matar", afirma a internauta Fernanda Moura

Na tarde de quarta-feira (07), mais um caso de suicídio abalou a comunidade brasileira em Massachusetts. O corpo de Rodrigo Schimidt, 30 anos, foi encontrado, pela sua esposa, o basement da casa da família, em Beverly. Nas redes sociais de brasileiros que moram nos Estados Unidos, o assunto foi o mais discutido e novamente a depressão voltou a ser o tema central.

Segundo informações, assim que viu o corpo, a esposa ligou para o número de emergência e os paramédicos fizeram os procedimentos de primeiros socorros e ainda tentaram reanimá-lo, no local. Rodrigo foi levado para o hospital da cidade enquanto os médicos tentavam ressuscitá-lo, mas não obtiveram êxito.

Ele trabalhava na área de construção civil, instalação e manutenção de ar-condicionado e há alguns anos retornou ao Brasil (Barra de São Francisco - Espírito Santo). Lá, ele ficou três anos e voltou para Massachusetts há cerca de um ano e meio.

O brasileiro tinha três filhos e era considerado uma pessoa trabalhadora, divertida e amiga. Os familiares não divulgaram os motivos e como ele se suicidou, mas nas redes sociais, pessoas que o conhecia afirmaram que o rapaz sofria de depressão.

Uma internauta identificada por Fernanda Moura, que mora em Framingham (MA), disse que "conhecia o brasileiro e que ele era muito trabalhador". Mas ela deixou uma polêmica no ar, afirmando que Rodrigo já havia tentado se matar no ano passado. "Que Deus dê forças à família dele", finalizou.

Além da esposa Ana Paula Santana, duas filhas e um filho.

DEPRESSÃO

O jornal Brazilian Times publicou dezenas de matérias sobre a depressão, pois nos últimos anos vários casais de suicídio foram registrados na comunidade brasileira em Massachusetts. O BT conversou com a ativista Lídia Souza, que criou o grupo Solidariedade para ajudar pessoas que estão nesta situação. Ela explicou que o problema é mais comum do que as pessoas pensam. Em uma entrevista basta te esclarecedora, ela detalha o assunto e faz alertas importantes para familiares de pessoas com depressão.

Lídia explica que para combater a depressão é preciso, primeiro, saber do que se trata e como ela surge. “Isso é fundamental para que em primeiro lugar saibamos o que temos e aí sim ver todas as possibilidades que temos para o tratamento”, explica.

A ativista ressalta que depressão é uma tristeza profunda, a qual é um estado emocional normal em todos os seres humanos. “Pois é através deste sentimento que enxergamos o que venha ser a alegria. Acontece algo desagradável e que muitas das vezes não esperávamos. Com isso surge a tristeza, o medo, a culpa e o desespero”, continua.

Ela explica que as emoções são, resumidamente, os motores que buscam restaurar o equilíbrio e a harmonia perdida por instantes, pelo organismo. Depressão é uma doença psiquiátrica, crônica e recorrente, que produz uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite.

Lídia afirma que todos já conviveram com a “depressão” e com outras emoções negativas (medo, raiva, ansiedade, pânico, vergonha, ciúme, etc.), seja por horas, dias, meses ou anos. “A maior parte das pessoas entra e sai da “depressão” e de outras emoções desagradáveis com relativa facilidade, utilizando recursos próprios, quase sempre de maneira automática”, acrescenta.

Atualmente, a depressão é uma doença incapacitante que atinge por volta de 350 milhões de pessoas no mundo. Os quadros variam de intensidade e duração e podem ser classificados em três diferentes graus: leves, moderados e graves.

A ativistas explica que para combater a depressão é preciso que a pessoa tenha um posicionamento positivo, buscando fazer exercícios físicos, terapias ocupacionais, trabalhos manuais, ioga, natação, ouvir música e dançar. “Estas são algumas maneiras de amenizar a depressão sem precisar de medicamentos”, fala.

Já em relação a quem está em estágio avançado, é preciso um acompanhamento com psicólogos e psiquiatras, tendo a necessidade de ingestão de medicamentos.

Lídia explica que, geralmente, as pessoas não dão muita importância a exames de sangue como intuito de checar níveis hormonais e vitamínicos. “A falta da vitamina D no organismo pode acarretar diversas doenças, inclusive a depressão”, acrescenta.

Nos Estados Unidos, especificamente em Massachusetts, existem vários órgãos que trabalham para ajudar pessoas com depressão. Lídia cita o National Suicide Prevention Hot LIne (telefone 1-800-273-8255), Samaritans (1-877 8704673) e o Brockton Multi Services (1-877-670-9957). “Esses são os lugares preparados para ajudar uma pessoa que está pensando em tirar a sua vida”, continua.

Lídia cita ainda o site www.dbsaboston.com, como um dos importantes grupos destinados a ajudar pessoas com transtornos mentais. “O grande problema da enfrentado pela comunidade brasileira é a barreira do idioma. É muito difícil conseguir profissionais que possam falar português em lugares como estes, mas o Consulado-geral do Brasil em Boston tem um psicólogo brasileiro que atende gratuitamente toda as segundas-feiras, por agendamento”, explica.

Lídia acrescenta que um de seus grandes sonhos é criar um grupo, em português, para ajudar pessoas com problemas de depressão.

Em relação aos brasileiros que moram nos EUA, Lídia fala que “o fato de saírem de sua terra, encontrar outra cultura, um clima diferente é tudo diferente e desafiador e por extinto, todos desenvolvemos as emoções já citadas, como medo, ansiedade, desespero, entre outros”. Ela explica que falta de sol é um ponto muito sério também. Outro grande vilão, segundo ela, e que muitos acham “bobeira, é a ingestão de álcool.

Lídia fala que o álcool é um grande depressor e atua diretamente no sistema nervoso central, além do uso de drogas como a maconha, cocaína e outras. “Todos estes pontos acionado em pessoas que já possuem um desequilíbrio químico e com tendência a serem ou se sentires culpadas, gera um quadro depressivo e outros transtornos mentais que se não forem diagnosticado no início, acabam trazendo um grande sofrimento”, explica.

Ela deixa como conselho para que a família transborde o seu amor ao paciente, mas sempre tendo o equilíbrio e a firmeza para saber lidar com cada etapa do tratamento. “Pois é necessário um acompanhamento da família, apoio religioso e psicológico em prol do positivismo”, conclui.

Fonte: Da redação