Publicado em 21/09/2016 as 12:00pm

Brasileira que conseguiu reaver a guarda do filho dá entrevista exclusiva ao BT

Em audiência, após dez horas de depoimentos, a Justiça cancelou a guarda emergencial concedida ao pai norte-americano

Após dois meses e meio de angústia e muita saudade, Cheyenne Menegassi e o seu filho Gustavo Gaskin, de 13 anos, puderam retornar para o Brasil. Em 27 de junho o adolescente, que reside com a mãe e a irmã na pacata cidade de Santa Rosa de Biterbo, interior de São Paulo, embarcou sozinho em um avião com destino ao estado do Tennessee, para passar 30 dias de férias escolares na companhia do pai, o americano Samuel Gaskin. Passaram-se as férias e o adolescente não retornou, conforme o combinado. O caso comoveu mães brasileiras de todo o mundo através das redes sócias e grande mídia.

Após inúmeras tentativas frustradas de falar com o filho e com o pai dele, Cheyenne soube através de parentes de Samuel nos EUA que, há três anos, o ex-marido vive com a mãe em uma fazenda, e que desde então se tornou uma pessoa agressiva.

O pai conseguiu que a Justiça norte-americana concedesse a guarda emergencial a ele. Cheyenne viajou e permaneceu nos EUA até conseguir o cancelamento do pedido de guarda emergencial A mãe de Guga, Cheyenne Menegassi, acusou o ex-marido de sequestro internacional do adolescente.

Em audiência no dia 8 de setembro, após dez horas de depoimentos, a Justiça cancelou a guarda emergencial concedida a Samuel, dando a Cheyenne o esperado momento de retornar ao Brasil com o filho. "O maior medo que já tive na minha vida, foi o de poder perder o meu filho, de não poder vê-lo nunca mais", diz.

Cheyenne retornou para a Brasil na semana passada, em companhia do filho Gustavo. Feliz da vida com a conquista e curtindo ao máximo a presença do filho, essa semana Cheyenne concedeu uma entrevista exclusiva ao BT que você confere agora:

BT: Em algum momento você desanimou pensando que poderia perder de vez a guarda do seu filho?

Cheyenne Menegassi: Pensar em perder a guarda dele pensei sim, mas não desanimei! Eu tinha que tentar tudo.

BT: Nesses dois meses e meio qual foi o pior momento?

Cheyenne Menegassi: Quando eu soube de outras histórias de mães que estavam passando o que eu estava passando; e como já estavam nessa luta 5, 8, 10 meses e até anos... A minha luta estava apenas começando.

BT: Quando e como você soube da a decisão de que seu filho poderia retornar para o Brasil com você?

Cheyenne Menegassi: Na audiência do dia 8 de setembro. O juiz começou a elogiar meu filho e disse, "mas ele ainda é imaturo" quando ele disse essa palavra "imaturo" eu sabia que havia ganho a causa!

BT: Qual foi a reação do pai ao saber da decisão?

Cheyenne Menegassi: Ficou como uma estátua... Sentado no lugar em que esteve por horas a fio (durante a audiência), emburradinho e olhando para o nada. (super estranho!). Ficou assim por uns 45 minutos, sem se mexer! Credo...

BT: Qual foi a reação do seu filho ao te reencontrar após saber que iria retornar para o Brasil?

Cheyenne Menegassi: Estava bravo, e não queria vir comigo.

BT: Qual foi a primeira coisa que vocês fizeram juntos ao chegarem no Brasil?

Cheyenne Menegassi: Fomos visitar o tio-avô favorito com o tio favorito e os primos! Fomos nadar na piscina da casa do tio avô!

BT: Como será daqui para frente?

Cheyenne Menegassi: Retomaremos nossa rotina normal. Muita terapia para nós dois (risos). A cada dia ele acorda mais como ele sempre foi!

BT: Qual o recado que você dá para mães que hoje passam por uma situação como a que você passou?

Cheyenne Menegassi: Vão atrás de ajuda do sistema judiciário, mas também leia e estudem tudo sobre seu caso. Não fiquem dependendo apenas do estudo do advogado. Estude para poder opinar e discutir estratégias ao nível deles! E falem o que está acontecendo em redes sociais, tem sempre alguém que conhece alguém que conhece alguém.... Isso me ajudou muito mesmo!

Fonte: Thais Partamian Victorello