Publicado em 26/09/2016 as 5:00pm

15 anos depois, a única sobrevivente brasileira do 11 de setembro lança o livro

Em uma entrevista exclusiva para o Brazilian Times, a paranaense Adriana Maluendas relata os momentos de pânico que viveu naquela trágica manhã de 11 de setembro de 2001

Esse mês completou 15 anos do atentado terrorista que marcou para sempre a história dos Estados Unidos e do mundo. Na manhã de 11 de setembro de 2001 , tudo transcorrida normalmente com a rotina da movimentada cidade de New York, quando dezenove terroristas, coordenados pela organização fundamentalista islâmica al-Qaeda, sequestraram quatro aviões comerciais de passageiros.

Os sequestradores colidiram intencionalmente com dois dos aviões contra as Torres Gêmeas do complexo empresarial do World Trade Center (WTC), na cidade de New York matando todos a bordo e centenas de pessoas que trabalhavam e circulavam nos edifícios e arredores naquela fatídica manhã. Ambos os prédios desmoronaram cerca de duas horas após os impactos, destruindo edifícios vizinhos e causando centenas de vítimas fatais e vários outros danos irreparáveis.

Essa narrativa e as imagens da tragédia ficarão para sempre na memória de quem vivenciou essa época, seja nos EUA ou ao redor do mundo, onde a notícia e as imagens foram amplamente transmitidas.

Certamente, mesmo após 15 anos, quem vivenciou o 11 de setembro em New York tem muitos relatos sobre essa devastadora tragédia.

A paranaense Adriana Maluendas viu sua vida se transformar após os atentados. Ela é a única brasileira sobrevivente dos atentados. No dia dos ataques estava hospedada no Marriott World Trade Center Hotel, conhecido também como “a terceira torre do WTC”. Formada em Administração de Empresas com ênfase em Trade Market (Comercio Exterior) e pós-graduada em Sistema de Controle de Qualidades, Adriana, que hoje é casada e reside nos Estados Unidos, se diz feliz em adicionar em meu currículo que também é escritora. Ela está lançando o livro “Além das explosões”, relatando o que vivenciou naquela fatídica manhã. Os momentos de dor, angústia, medo, os traumas e as consequências, sob a ótica de quem foi testemunha ocular da tragédia que dividiu a história dos Estados Unidos em antes e depois do 11 de setembro.               

Em entrevista exclusiva ao Brazilian Times, ela conta um pouco da sua história de superação, adiantando um pouco do que os leitores terão acesso ao lerem o seu livro.

BT: Onde você estava exatamente naquela manhã do dia 11 de setembro de 2001 quando percebeu que havia algo de errado acontecendo?

Adriana Maluendas: Quando o primeiro avião colidiu, eu ainda estava em meu quarto de hotel, porém quando percebi que estava algo muito, muito sério foi quando olhei pela janela a fora, janela panorâmica situada perto dos elevadores do sexto andar do hotel.

BT: Qual foi a sua primeira reação ao se deparar com o que estava acontecendo?

Adriana Maluendas: Senti que me congelei por alguns segundos. Mas imediatamente reagi e com outra hospede do hotel, saímos pelas escadas de emergência.

BT: Quando finalmente você conseguiu se desvencilhar da tragédia, para onde você foi?

Adriana Maluendas: Como era minha primeira vez em NYC, e só havia chegado a cidade há alguns dias, não conhecia ninguém praticamente e não conhecia a cidade. Minha sorte foi ter encontrado na bolsa que estava usando, meu pequeno caderno de notas com endereços de alguns hotéis pois havia decidido ficar mais dias na cidade do que o previsto.  Então quando por volta do meio dia e meio do dia 11 de setembro, após tudo o que aconteceu, fui em busca de um novo hotel. Consegui um novo hotel por volta das 7 da noite horário local.

BT: Como você descreve esse tenebroso dia?

Adriana Maluendas: Descrevo em uma palavra: massacre. Aquele dia fatídico, não só atingiu o maior centro comercial dos USA, atingiu uma cidade, um país, uma geração. Atingiu e marcou o mundo, marcou infelizmente e oficializou uma era, a “Era do terror”.  Pessoalmente, na minha visão hoje do mundo, vejo que todos que valorizam a liberdade e a determinação são combatentes na guerra contra o terror.

BT: A capa do seu livro você está no Memorial em NY. Como foi a sensação de voltar ao local onde tudo aconteceu?

Adriana Maluendas: Sim, a capa mostra me no Memorial, pois ele teve uma enorme influência em minha jornada em busca de mim mesma. O Museu tem um espaço em minha história em meu coração. Além de hoje em dia ter me tornado a única brasileira a ter seus objetos doados e até o final deste inverno, prevista a exibição dos itens para o mundo. A primeira vez, que retornei ao mesmo local que quase havia perdido minha vida foi muito intenso e com muitas emoções. Foi durante a inauguração do museu que foi uma das primeiras vezes após o atentado que percebi que era hora de me levantar me reerguer e abraçar minha vida novamente. Descrevo detalhes no livro.

BT: O que mudou em sua vida de lá para cá?

Adriana Maluendas: Minha vida mudou muito. Minha carreira profissional, minha saúde física com algumas limitações, minhas prioridades também mudaram. Estou mais forte em muitos sentidos ainda sensível em alguns temas. Hoje valorizo muito mais o trabalho humanitário no Mundo. E estou mais alerta sobre perigos que vivemos na “Era do terror”. 

BT: Você precisou fazer algum tipo de acompanhamento psicológico após o atentado?

Adriana Maluendas: Sim, fiz por anos. Sofri e fui diagnosticada com PTSD (Pós Traumatic Stress Disorder) no Brasil conhecido como Transtorno de Estresse Pós Traumático (TEPT).

BT: Como está sua vida hoje?

Adriana Maluendas: Muito, muito diferente de como um dia eu aspirava, porém, estou viva e hoje graças a Deus, consigo abraçar a oportunidade que tive de ainda estar aqui. E sempre tentando fazer o melhor ao próximo.  Me sinto mais forte em muitas áreas, mas ainda sensível a tanto ódio que ainda há no mundo. 

BT: Você tem contato com sobreviventes do atentado?

Adriana Maluendas: Sim. E participo de algumas instituições não governamentais para famílias e vítimas do WTC.

BT: Como surgiu a ideia de escrever o livro?

Adriana Maluendas: Eu sempre tive um pequeno diário após os atentados, porém a ideia de escrever e dividir minha história somente após alguns eventos que participei, o qual ficou claro para mim que era hora de começar a viver novamente. Costumo dizer que por anos após os ataques eu sobrevivia. Este livro é a afirmação do amor a vida e a minha segunda chance de ainda estar aqui.

Para mais informações sobre o livro, acesse o site www.alemdasexplosoes.com.br.

Fonte: Thais Partamian Victorello