Publicado em 4/10/2016 as 10:00pm

Sujeira deixada por evento brasileiro em Lawrence (MA) rotula brasileiros como "porcos"

A Prefeitura avisou que vai processar a organização do "Festeja Boston" e pode exigir no mínimo US$200 mil em multas, a troca do gramado e da pista de atletismo que foram danificados

Toda a grama e a pista de corrida do Veterans Memorial Stadium, em Lawrence (Massachusetts), possivelmente será preciso ser substituída depois que a área foi deixada suja e danificada após um festival de música brasileira ocorrido no domingo (02).

O prefeito Daniel Rivera disse que ainda não foi informado do valor total dos prejuízos e quanto custará o trabalho, caso seja preciso a substituição. No entanto ele prometeu uma ação judicial rápida contra a empresa que produziu o show, a Floripa Productions, da brasileira Rita Mondardo.

Na manhã de segunda-feira (03), os estudantes e professores chegaram à escola, que fica bem próxima ao estádio, e encontraram a área completamente suja, garrafas de cerveja, bebidas destiladas, papéis, caixas de papelão, entre outros detritos e um forte cheiro de urina. Um caminhão da Cerveja Coors também foi deixado estacionado em frente ao local.

Em uma entrevista a um canal de televisão de língua hispana, o prefeito afirmou que não acreditava no que estava vendo. Os advogados da Cidade estão a reaver o contrato de aluguel que foi feito em nome do evento “Festeja Boston” de Floripa Productions de Malden (MA).

No dia após o show, os organizadores não procuraram a direção do estádio para oferecer ajuda e foi a prefeitura quem forneceu o equipamento e trabalhadores para realizar a limpeza e sanitização do local. O prefeito deixou claro que vai exigir na justiça todos os direitos previstos na cláusula de danificação do espaço alugado.

Apesar de valores não terem sido relevados pela Prefeitura, estima-se que no mínimo multa seja de US$200 mil a serem pagos para a escola e a Prefeitura. Mas este valor pode ficar maior caso haja a necessidade de substituir o gramado e a pista de corrida.

Segundo algumas publicações feitas no Facebook e em outras redes sociais, a organização deixou a desejar, pois havia somente duas lixeiras e estavam na entrada do estádio. Ou seja, muitos que estavam no local do show não queriam deixar a frente do palco para jogar o lixo.

As autoridades informaram que um público em torno de oito mil pessoas esteve no evento, que foi realizado do meio-dia até ás 9 p.m.

O jornal Brazilian Times ligou para o celular de Rita Mondardo, mas ele não atendeu a ligação. Também não foi possível deixar uma mensagem, pois a caixa de voz estava cheia, segundo a gravação. Joanna Schimitz, porta-voz da Floripa, conversou com a mídia norte-americana e disse que a organização do evento foi informada de que “poderia deixar o estádio no final do show e retornar na segunda-feira para limpá-lo”.

Ela ainda ressaltou que ninguém tinha alertado que o estádio era usado, diariamente, para a prática de atletismo e treinos do time de futebol da high School de Lawrence.

Segundo o Eagle Tribune, Joanna teria dito que entrara em contato com o advogado da empresa, mas se recusou a fornecer o nome dele.

A Floripa pagou US$ 20.000 pelo aluguel do estádio e a Cidade concedeu uma licença de licor de um dia. Os ingressos foram vendidos nos valores de US$100 eUS180, segundo o próprio site evento. "Eles ganharam um monte de dinheiro e nós queremos usar esses fundos antes que eles desapareçam", disse o prefeito.

O festival foi anunciado na mídia como o “maior evento country do Brasil” em Massachusetts e contou com artistas populares no Brasil como Henrique e Juliano, Marília Mendonça, Zé Neto e Christiano, Maiara e Maraisa. Mas apenas Henrique e Juliano, Marília Mendonça se apresentaram.

ENQUETE: O que pensam os brasileiros sobre o que aconteceu após o “Festeja Boston”

Toda a polêmica após a realização do “Festeja Boston”, evento realizado no domingo (02), na cidade de Lawrence (Massachusetts), gerou divergência de opiniões entre algumas pessoas da comunidade. As redes sociais foram invadidas com os mais diversos comentários, alguns acusando a organização de ter sido a responsável pela sujeira deixada no local, bem como os prejuízos causados ao gramado do Lawrence Memorial Stadium.

O radialista Alfredo Plazi, 48 anos, disse que “a comunidade brasileira não pode pagar pelo erro de outras pessoas”. Ele afirma que o erro não está nos brasileiros e que se existem culpados nesta história, as autoridades com certeza tomarão as providencias cabíveis.

Alfredo lamenta que a comunidade brasileira esteja sendo massacrada nas redes sociais norte-americanas e brasileiras. “Quem não tem pecado que atire a primeira pedra”, finaliza.

No Facebook, a paulista Keila Vieira, 43 anos, disse que "lamenta a falta de profissionalismo, competência e princípios básicos de higiene não respeitados pelos organizadores”. Mas ela ressaltou que sua vergonha maior é em relação ao público que foi uma vergonha total. “Porque não tem lixeira vai jogar lixo na casa do vizinho”, indaga.

Ela seguiu o seu raciocínio: “Aqui não é Brasil. Ou esse povo aprende educação ou volta de onde veio. Se tivessem o mínimo de educação, cada um que cuidasse do seu lixo. Eu, quando tenho lixo, guardo dentro da bolsa até achar uma lixeira ou jogo em casa”, lamenta o comportamento de grande maioria dos brasileiros.

O fotógrafo e videomaker Adilson Rodrigues, que cobriu o evento disse que percebeu que o evento foi mal organizado, principalmente na parte logística por parte da produtora. “Também senti muita falta de educação e rudez por parte dos seguranças. Além disso não houve respeito para com a mídia e muitas pessoas criticaram a organização”, acrescenta.

Adilson fala ainda que viu brasileiras urinando nas arquibancadas e no meio do público porque os banheiros não eram suficientes para comportar a quantidade de pessoas que foi ao evento. “Temos que dar um basta, pois por erros da organização, a comunidade é quem está pagando o pato”, finaliza.

A esposa de Adilson, Helenita Morais publicou um vídeo ao vivo após o evento e mostrou a indignação das pessoas. Ela ainda disse estar decepcionada com a falta de respeito e ressaltou que o ocorrido fez com que ela decidisse encerrar os seus trabalhos na área de cobertura de eventos. “Não faço mais isso. Agora vou me dedicar somente a minha empresa de fotografias”, disse.

No vídeo é possível ver uma mulher que não foi identificada e que afirmou trabalhar para a Floripa vendendo ingressos. Ela criticou a organização e principalmente a maneira como foi tratada por parte de alguns seguranças brasileiros. Um rapaz disse no final do vídeo que saiu da California, gastou com passagem, com os ingressos e quando chegou ficou decepcionado, pois a promessa era de quatro shows e aconteceram apenas dois. “Não venho mais em shows desta produtora”, disse ele.

A ativista comunitária Lídia Sousa publicou em sua página no Facebook que “ao me deparar com o locutor de emissora de rádio norte-americana expressando seu repúdio perante o acontecido no Festeja Boston, conseguiu juntar os ponteiros da situação”. Ela, que não é fã de festas como essa, mas não critica quem gostam, disse que lembrou que há alguns anos foi a este local para um concerto também produzido pela mesma produtora. “Acabei saindo deste local dizendo e reafirmando que não voltaria mais. O meu posicionamento sobre este fatídico episódio é: a produção, mais uma vez, mostrou incompetência com logística, pois no mesmo ano em que fui, aconteceram os mesmos problemas tais como cerveja quente, falta de pessoal para vender, falta de banheiros químicos e tambores de lixo”.

Lídia ressalta que tudo isso pode ser resolvido quando não se pensa tanto em ganhar e sim em usar do método correto “logística”, organização no aspecto de pessoal trabalhando, terceirizar os locais de venda de alimentos e bebidas, controlar o que entra dentro do local (álcool).

Pelo lixo deixado, Lídia não acredita que tudo aquilo foi comercializado dentro do estádio. “Afinal garrafas de champanhe, garrafas de vodka eram permitidas na licença dada pela cidade”, indaga ela. “Geralmente é usado carros das próprias distribuidoras, não é usado latas ou garrafas e sim copos descartáveis”, continua.

Em relação a sujeira, ela cita que qualquer evento de grande produz uma enorme quantidade de lixo. “Mas certo era ter uma equipe de limpeza trabalhando dentro do evento, o tempo todo, retirando e colocando novas sacolas de lixo”, finaliza.

Para o produtor de eventos, Max William, o evento foi programado para um grande número de pessoas e não foi definido da noite para o dia. “Com certeza houve reuniões, contratos e acordos. Devido ao tamanho do público no dia do evento, seria normal que bastante lixo fosse gerado. Não adianta colocar a culpa nas pessoas que estiveram presentes ou generalizar para a comunidade. A Prefeitura e a Produção do evento terão que se responsabilizar pelos acordos legais previamente estabelecidos nas cláusulas do contrato de locação do estádio”, disse.

Mas ele ressalta que no geral, fica a lição para a comunidade, porque muitas vezes, compromissos são assumidos verbalmente. “Então vale lembrar que quando ocorre algum imprevisto, as batalhas no sistema judicial podem custar mais caro, além da imagem que pode ser prejudicada perante a sociedade”, finaliza.

Fonte: Da redação