Publicado em 19/10/2016 as 9:00pm

Savannah Film Festival: "Indivisible" mostra histórias humanas no coração do debate sobre imigração

Entre as histórias contadas no filme está a de Renata Teodoro, uma jovem imigrante brasileira que conta a sua história pela sua legalização e poder seguir com os seus estudos

O documentário “Indivisível” explora histórias de três “Dreamers”, jovens imigrantes indocumentados que buscam um caminho para a cidadania e educação. Eles não fazem parte completamente dos Estados Unidos e tampouco de seus países de origem, dos quais nem se lembram como eram.

A diretora e produtora, Hilary Linder, disse que muitos falam sobre a coincidência de lançar o documentário nesta época de eleição presidencial, onde o assunto “imigração ilegal” tem sido bastante discutido pelos principais candidatos, onde o Republicano Donald Trump é figurado como o inimigo dos imigrantes. “Meu documentário nem sequer menciona o nome dele. Nós terminamos de filmar antes de Trump ser aclamado candidato”, explica. “Sei que existem opiniões diferentes sobre esta questão, mas no centro existem 11 milhões de pessoas e esperamos que você gaste 78 minutos do seu tempo assistindo e aprendendo sobre a vida destes três imigrantes”, continua.

Hilary ressalta que o filme não trata da política e afirma que as pessoas estão cansadas de debates politizados e divididos sobre o assunto. “Mas buscamos ouvir as histórias humanas de pessoas que estão no centro desta questão. Nosso objetivo era fazer um filme sobre algo que todos possam se identificar”, fala.

Os três imigrantes escolhidos para contarem suas histórias são do Brasil, Colômbia e México. A diretora fala que o debate sobre a imigração ilegal é mais amplo do que apenas três histórias. “Eu esperava mostrar um pouco mais da diversidade, mas as cenas que o telespectador verá no documentário vai tocar e emocionar todas as nações do mundo”, afirma.

A brasileira é Renata Teodoro, que ficou conhecida na comunidade pela intensa luta que travou em busca de seus direitos. Ela é natural de Santa Catarina e foi beneficiada pelo Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA).

Renata é a jovem brasileira imigrante que virou capa do “New York Times” em junho de 2013, quando foi até a fronteira dos Estados Unidos com o México e conseguiu abraçar parcialmente a sua mãe. As duas estavam separadas por uma cerca feita em madeira. A cena emocionou o mundo.

Segundo a diretora, os jovens no documentário foram trazidos, por seus pais, para os Estados Unidos quando eram crianças, “sem a sua própria autorização”. Todos eles cresceram-no país em situação irregular. “Começamos a fazer este filme quando o Congresso estava introduzindo um projeto de lei importante para a Reforma de Imigração”, disse. “Na época todos estavam otimistas que a lei iria ser aprovada, mas alguns meses depois recebemos a notícia de que ela não teria sucesso”, continuou.

Os “dreamers” do documentário contam como é a luta para conseguir uma autorização de viagem para sair do país e entrar legalmente. “Uma jornada incrível e difícil e eles não desistem. O filme termina onde começa, sem soluções para a questão e nossos personagens continuam no limbo”, disse.

Hilary explica que a educação é um assunto bastante discutido no documentário e que a maioria dos pais se mudaram para os EUA em busca de oportunidades e proporcionar uma educação melhor aos seus filhos. Cada um dos três jovens sabia desde pequeno que queria ir para a faculdade. “Mas é muito difícil pagar uma universidade se você estiver em situação irregular e o estudante não consegue obter ajuda financeira federal ou empréstimos estudantis de bancos”, segue.

Uma jovem do documentário começou a economizar cada centavo desde os 13 anos de idade e a economia conseguiu pagar apenas um ano na UMass Boston. “Ironicamente, enquanto muitos jovens cidadãos parecem desistir do ‘sonho americano’ estes imigrantes parecem manter a esperança cada vez mais forte”, afirma a diretora.

O documentário também mostra que muitos dos jovens “dreamers” só descobrem que estão ilegais no país quando chegam à adolescência. Muitos deles nem se lembram sobre o país nasceram.

Para Hilary, estes jovens são americanos em todos os sentidos da palavra, com exceção de um pedaço de papel. “Eles amam a América, eles amam o que ela representa, eles sabem que nos países de onde vieram não têm empregos para eles”, conclui.

Fonte: Da redação