Publicado em 7/11/2016 as 8:00am

Brasileiros falam sobre expectativas das eleições presidenciais

O tema imigração esteve presente quase todos os comícios e debates e alguns especialistas acreditam que o assunto pode ser o diferencial no resultado

Na terça-feira, dia 08, os Estados Unidos irão parar em virtude das eleições presidenciais que escolherão o próximo presidente que vai administrar a nação mais poderosa do mundo. Muitos assuntos foram discutidos ao longo da campanha pelos dois principais candidatos, Hillary Clinton (Democrata) e Donald Trump (Republicano). O tema imigração esteve presente quase todos os comícios e debates e alguns especialistas acreditam que o assunto pode ser o diferencial no resultado.

Mas e a comunidade brasileira. O que ela pensa sobre o assunto e quem é o melhor para assumir a presidência do país? O jornal Brazilian Times conversou com alguns brasileiros, abrindo oportunidade para que cada um expusesse as suas opiniões e tentasse convencer o eleitorado a seguir suas dicas.

Alessandro Flauzino, mineiro de Mantena, tem 40 anos de idade e mora em Hudson (Massachusetts). Ele, que trabalha com transporte de carros, acredita que Hillary será eleita e mesmo a polêmica criada em torno dos e-mails, a vitória não será abalada. “Estas especulações deu uma balançada e prejudicou um pouco a campanha, mas não a ponto de tirar dela a presidência do país”, disse.

A maior qualidade de Hillary, para o mineiro, é o fato dela ter sempre mostra empenho em fazer uma revisão nas leis de imigração. “Ela pelo menos tem falado a nossa língua e se colocado à disposição para ajudar”, continua.

Flauzino afirma que Hillary é a melhor candidata para os imigrantes e dá um conselho aos eleitores que comparecerão nas urnas no dia 08: “ainda não posso votar, mas peço aos conterrâneos que são legalizados que não esqueçam seus princípios e principalmente das famílias que hoje estão separadas e que só estão nessa situação pelo fato de correr atrás de uma vida melhor como provavelmente todos fizeram quando se mudaram os EUA”.

Já a carioca Rebeca Santiago, 40 anos, a melhor opção é o Republicano Donald Trump. Ela, que é proprietária de um viveiro de plantas em Loxahatchee (Florida), decidiu votar nele em razão das boas propostas apresentadas, principalmente a “cobrança de impostos por igual”.

Ela ainda gostou da posição do candidato em prometer eliminar as regalias dos imigrantes indocumentados, “favorecendo os cidadãos norte-americanos”, assim como ela. “Eu voto e sou Trump”, finaliza.

O ex-oficial de imigração (Homeland Security), Ricardo De Brito, escolheu votar na Democrata Hillary e explicou ao BT que sua decisão foi motivada por alguns fatores. Os principais, segundo ele, é a educação e a carreira política que a candidata possui.

Em relação a polêmica gerada em torno dos e-mails da Democrata, De Brito, que é do Rio de Janeiro e mora na Florida, acredita que prejudicou um pouco a campanha, mas não vai atrapalhar a vitória. Ele aponta a inteligência como uma das principais qualidades de Hillary e aponta Trump como um excelente marqueteiro.

O único ponto negativo que ele aponta em sua candidata, Hillary, é o fato dela “saber que não podia usar o network pessoal para fins relacionados à segurança nacional, informação de segurança nacional em um computador privado. Para De Brito, ela foi muito infeliz nessa atitude.  “Mesmo assim, para mim a melhor escolha para os imigrantes é a Democrata, com certeza”, afirma. “O voto é a ação mais importante do cidadão, por isso a exerça com discernimento”, conclui.

Natural de Belo Horizonte (Minas Gerais), a advogada licenciada na Florida e New York, Iara Morton, acredita que pela primeira vez os Estados Unidos serão governados por uma mulher. Ela, que mora em Miami, cita várias razões para defender o seu posicionamento e um deles é o fato do adversário de Hillary, o republicano Donald Trump, ser “extremamente bombástico, controverso, perigoso, inadequado, racista, narcisista e extremista”.

Para Iara, a polêmica gerada em torno de Hillary nas últimas semanas, não são piores do que as tantas de seu adversário. “Whitewater, e-mails, Benghazi, etc. revelam para mim um juízo crítico não super afinado, mas ela não vai governar o país sozinha,” explica.

Entre as qualidades de Hillary, a advogada cita o caráter de liderança que é inerente. “Ela começou a brilhar desde adolescente e suas credenciais e experiência são extraordinárias, décadas de serviço público, décadas de consistência lutando pelas mesmas causas e, embora já tenha sido bem arrogante e não tenha o singular carisma do marido, certamente tem mais qualidades que defeitos e seu conhecimento e competência são incomparavelmente superiores aos de Donald Trump”, continua

Para a advogada, não há a menor sombra de dúvidas de que Hillary Clinton é a melhor candidata para os imigrantes. “Eu votarei, claro, exercendo este grande direito e privilégio com imenso prazer e espero que todos os naturalizados façam o mesmo no dia 8”, finaliza.

Já a paulista Júnia Flávia D´Affonseca, que mora em New York, afirma que está muito difícil escolher o lado certo para governar o país. “Eu venho de uma São Paulo que não existe mais e depois de meio século de vida aprendi que não importa quem está no poder e sim onde eu estou, com quem estou e para onde estamos indo”, fala.

Para ela, todos os políticos têm defeitos e qualidades, igual aos eleitores. “Vamos procurar ser felizes. É isso que importa”, acrescenta.

Natural de Belo Horizonte (Minas Gerais), Júlio Morais mora em Everett (Massachusetts) e é empresário e ativista político. Ele também acredita que Hillary ganhará as eleições, “pois está melhor preparada e tem o apoio incondicional do seu partido, o Democrata”. Para ele, o que pesa contra o adversário, Donald Trump, é que muitos republicanos estão contra o bilionário e suas ideias lunáticas.

Júlio afirma que as denúncias contra Hillary prejudicaram a moral dela e demostram o desrespeito para com o regimento interno do governo norte-americano. “Mas dentre os dois candidatos, ela tem mais conhecimento nas políticas internas e internacionais, tem apresentado propostas que beneficiarão todas as classes socioeconômica do país”, disse. “Além disso, a candidata tem ao seu lado o seu marido e ex-presidente Bill Clinton, que fez uma boa administração durante seu mandato”, continua.

O empresário vota em Hillary e ressalta que tem percebido que os brasileiros ficaram mais participativo nestas eleições. “Estou muito feliz em ver isso, mas há sempre espaço para melhorias e peço para os brasileiros que já podem votar que participem”, finaliza.

Fonte: Luciano Sodré