Publicado em 7/11/2016 as 6:00pm

EUA: Mórmon e ex-CIA, candidato que morou no Brasil embola eleição em Estado 'republicano'

Evan McMullin divide votos de eleitorado do partido em Utah e representa ameaça a Trump em região que vota em republicanos desde 1968

Ex-agente da CIA, mórmon e antigo morador do Brasil: praticamente desconhecido até entrar na disputa pela Presidência dos EUA, o candidato conservador anti-Donald Trump Evan McMullin está obrigando o Partido Republicano a fazer campanha em um Estado que, até 2012, era dado como voto seguro: o desértico Utah, que tem seis votos eleitorais e pode virar o fiel da balança no colégio eleitoral que vai escolher o próximo mandatário.

A poucos dias da eleição, McMullin se aproxima do magnata nas pesquisas no Estado do oeste norte-americano, onde 60% da população se declara mórmon e que vota no Partido Republicano há várias décadas. Nas últimas eleições, Utah escolheu Mitt Romney - ele mesmo, um mórmon.

Nascido em Provo, terceira maior cidade de Utah, McMullin teve uma formação tipicamente mórmon: se formou em direito pela Brigham Young University, de propriedade da Igreja Mórmon, e viveu dois anos no Brasil, onde cumpriu sua "missão"  – espécie de voluntariado incentivado pela igreja, durante a qual jovens missionários são enviados a outros países. Como agente da CIA, serviu no Oriente Médio, no norte da África e na Ásia em operações antiterroristas.

A decisão tardia em concorrer à presidência fez com que ele mal conseguisse se inscrever em todos os Estados: cada um deles possui regras e prazos para que os candidatos enviem seus nomes para serem colocados nas cédulas que serão utilizadas no dia da eleição. Em muitos, o prazo já havia se encerrado, de modo que McMullin poderá ser votado apenas em 34 dos 50 Estados.

“Em um ano em que os norte-americanos perderam fé nos candidatos dos dois principais partidos, é a hora de uma geração de novas lideranças surgir”. Com essas palavras, Evan McMullin lançou sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos às pressas, em 8 de agosto de 2016, mais de um ano depois de os candidatos republicano e democrata, Donald Trump e Hillary Clinton, terem feito o mesmo.

O ex-agente tem criticado Donald Trump e busca o apoio de republicanos que partilhem da sua opinião sobre o empresário. “Acredito que ele seja alguém que não entende a Constituição. Acho que ele é alguém que não respeita a separação dos poderes. Ele é uma pessoa que seria muito perigosa para o país”, declarou em entrevista ao jornal americano The Washington Post.

Na comunidade mórmon, mais flexível em relação a temas como imigração e liberdade religiosa, o discurso de Trump e as acusações de agressões sexuais são os temas que mais causam descontentamento. Graças a isso, em Utah, berço da religião mórmon, McMullin tem chances reais de dividir os republicanos e roubar os votos de Trump.

Independente

Caso McMullin supere Trump em Utah e conquiste os seis votos eleitorais, será a primeira vez em 48 anos que um candidato independente ganha em um Estado – na última vez, em 1968, quando Nixon foi eleito presidente dos EUA, George Wallace triunfou em 5 Estados.

Uma possível vitória de McMullin em Utah quebraria outro recorde: o Estado, historicamente conservador e ligado aos mórmons – dos quais 70% se identificam com o Partido Republicano, segundo pesquisa do Pew Research Center de fevereiro de 2016 – não elege um candidato democrata ou independente desde 1968.

McMullin também pode chegar a ser presidente com a vitória em um só Estado, na possibilidade de um empate entre Republicanos e Democratas. Neste caso, a decisão seria do Congresso.

Fonte: Da redação