Publicado em 11/11/2016 as 3:00pm

Brasileira que ficou em segundo em eleição municipal nos EUA vai ajudar imigrantes

Renata (à esquerda) é envolvida com diversos setores sociais em Margate Foto: Divulgação

O que São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, tem a ver com a eleição nos Estados Unidos? Tudo, a começar pela história de Renata Castro, candidata a um cargo semelhante ao de vereadora no país. Ex-moradora do Mutondo, ela ficou em segundo lugar na briga por uma cadeira na Câmara de Margate, na Flórida.

A ex-candidata (filiada ao partido Democratas, o mesmo da candidata à presidência Hillary Clinton) é também advogada especializada em causas de imigração e parece que terá muito trabalho pela frente.

“Mais do que nunca agora vai ser preciso um brasileiro na política aqui nos Estados Unidos (com a vitória do republicano Donald Trump)”, avaliou Renata, de 34 anos: “O ódio prevaleceu. Estamos mais preocupados com o “eu” do que com o “nós”. Confirmou a xenofobia (ódio a estrangeiros), o racismo, a intolerância”.

A análise decorre de uma série de posicionamentos assumidos pelo presidente eleito dos Estados Unidos, que já falou até na construção de um muro para separar seu país do vizinho México. Essa fronteira é uma das maiores portas para imigrantes ilegais que buscam o sonho americano. Mas Renata não entrou no país ilegalmente e, antes da mudança definitiva, já havia morado lá.

“Quando tinha 12 anos, ela ficou um ano lá com o pai, também brasileiro. Não se adaptou e voltou para o Brasil. Depois, conheceu um rapaz de lá pela internet. Ele veio aqui para conhecê-la e, aos 18, voltou para lá e se casou”, conta Luiza Castro, mãe de Renata, que hoje vive no bairro Porto Velho.

Com 4.722 votos, Renata chamou a atenção de políticos no estado:

“Recebi contato de pessoas que querem me apoiar para 2018. Tenho chances reais. Meu objetivo é chegar a deputada estadual e ajudar nossa comunidade”, garante.

Pouco apoio de brasileiros

A advogada concorreu a uma das duas cadeiras disponíveis na Câmara. A eleita foi a norte-americana Arlene Schwartz, com 6.544 votos. Em 2018, outra eleição será realizada na cidade.

“Concorrer foi ótimo, mas fiquei um pouco decepcionada com o posicionamento dos brasileiros”, disse.

Quem explica é a mãe de Renata, Luiza: “A comunidade brasileira parece não gostar de se envolver em política. É diferente de outros imigrantes, que inclusive já têm representantes em cargos eletivos”.

Enquanto a eleição não vem, Renata segue com seu escritório de direito em Margate, onde trata de processos de pedidos de permanência e orienta as pessoas que por acaso estejam ilegalmente para regularizar seus casos.

“Ela também vem ao Brasil e faz palestras para quem quer ir investir lá. Explica leis como a de que você tem direito a morar lá legalmente quando emprega dez americanos”, explicou Luiza.

Fonte: Da redação