Publicado em 16/11/2016 as 12:00am

Prefeitos se unem para combater propostas anti-imigrantes de Trump

Os prefeitos de Boston, Chicago, Los Angeles, San Francisco e New York afirmaram que não mudarão suas leis e não ajudarão os agentes federais de imigração

Diante da eleição de Donald Trump e as ameaças de repressão aos imigrantes indocumentados, os prefeitos de Boston, Chicago, Los Angeles e New York reafirmaram suas promessas de continuar as políticas para contra as deportações e continuarem a serem conhecidas como “Cidades Santuários”.

Em uma entrevista ao programa “60 Minutes”, a primeira como presidente eleito, Trump confirmou que pretende deportar de 2 a 3 milhões de imigrantes com registros criminais. “O que nós faremos é pegar as pessoas que são criminosas e possuem registros criminais, membros de gangues, traficantes de drogas. Provavelmente dois milhões de pessoas ou até mesmo três milhões. Estaremos tirando-as do nosso país”, disse à CBS.

As ameaças feitas durante a campanha e após a eleição de acabar com as “Cidades Santuários” levaram as autoridades destas localidades, em todo o país, a reiterar seus papéis de proporcionar “um santuário aos imigrantes”.

O prefeito de Los Angeles, Eric Garcetti, disse que ele evita usa a expressão “Cidade Santuário” e que ela é mal entendida. “Nós colaboramos o tempo todo com os agentes federais de imigração quando há imigrantes criminosos que estão em nosso meio e precisam ser deportados”, disse. “Nós somos uma cidade acolhedora aos homens de bem, onde os policiais não andam por aí pedindo o status de imigração das pessoas”, continuou.

O chefe de polícia da cidade, Charlie Beck, disse na segunda-feira (14) que seu departamento não pretende se envolver e nem ajudar a promover a deportação e que continuará a lutar para que seus policiais não abordem as pessoas pelo simples fato de querer exigir o status imigratório.

Os prefeitos de Chicago, Boston e New York também reafirmaram suas posições em relação à deportação dos imigrantes.

“Nós estamos seguros em Chicago. Você está seguro em Chicago. Você tem apoio em Chicago”, disse o prefeito Rahm Emanuel. “Agora, as administrações podem mudar, mas valores e princípios relacionados à inclusão não”, continuou. “Chicago sempre será uma Cidade Santuário”, finalizou.

Uma cidade ganha status de "santuário" ao passar uma portaria proibindo os oficiais da cidade e a polícia de perguntar sobre o status de imigração de uma pessoa. Los Angeles tornou-se a primeira cidade santuária em 1979.

O prefeito de Boston, Marty Walsh disse que no dia seguinte a eleição de Trump, ele vai trabalhar para proteger os imigrantes indocumentados e “não deixará ninguém mudar as políticas da cidade”, no quem diz respeitos aos caminhos para a cidadania.

San Francisco foi mais longe e se recusou a cooperar com as autoridades federais de imigração. Declarou-se uma cidade santuário em 1989 e reforçou sua postura em 2003 com a portaria "Due Process for All". A lei declarou que as autoridades locais não podem deter imigrantes para funcionários de imigração se eles não têm crimes de violência em seus registros e não enfrentam acusações.

De acordo com o Center for Immigration Studies, um grupo filantrópico que defende a aplicação restrita das leis de imigração, existem 300 “Cidades Santuários” nos Estados Unidos. Estima-se que haja 11 milhões de imigrantes indocumentados em todo o país.

Nem todos concordam com a postura assumida por esses prefeitos. "Não é segredo que imigrantes criminosos e terroristas estão procurando lugares para ir onde eles são menos susceptíveis de serem apanhados", disse Thomas Hodgson , xerife do Condado de Bristol, em Massachusetts.

Ele afirma que as “Cidades Santuários” quebram a lei federal.

Fonte: Brazilian Times