Publicado em 30/11/2016 as 6:00pm

Com 101 anos, brasileiro que vive na Florida, promove "sonho americano mórmon"

No centro mundial da religião, ainda o veterano Cláudio dos Santos embarcou para Salt Lake City em 1955

Ser mórmon no Brasil de 1955 era integrar uma minoria de 500 pessoas, entre as quais estava Cláudio dos Santos. Naquele ano, ele decidiu se mudar com a família para Salt Lake City, o centro mundial da religião fundada nos Estados Unidos na década de 1820. Aos 101 anos, Santos é o veterano dos cerca de 10 mil brasileiros que vivem na cidade, a maioria dos quais integrantes da igreja.

Em 1955, ele embarcou com a mulher e os três filhos para Miami em uma Fortaleza Voadora, um avião militar de quatro motores usado na 2.ª Guerra Mundial. De lá, eles viajaram por uma semana de ônibus até Utah, o Estado do Oeste americano cuja paisagem árida e montanhosa foi um dos cenários preferidos para os clássicos filmes de cowboy hollywoodianos.

Os Pioneiros mórmons foram membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, também conhecidos como Santos dos Últimos Dias, que migraram através dos Estados Unidos seguindo o chamado Mormon Trail, desde o Médio Oeste até o Vale do Lago Salgado, no que é hoje o estado de Utah. A viagem, realizada por aproximadamente 70000 pessoas, se iniciou em abril de 1847 e concluiu com a terminação da primeira linha de caminho-de-ferro transcontinental em 1869.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi fundada em abril de 1830 por Joseph Smith Jr. e um pequeno grupo de seguidores, inaugurando entre o cristianismo do oeste dos Estados Unidos, elementos teológicos novos, com tendências restauracionistas. O constante proselitismo de sua nova fé, sua inclinação para a unidade social e política e suas crenças religiosas fizeram que fossem perseguidos com frequência por seus vizinhos. Com o tempo, as diferenças religiosas, sociais e políticas entre a nova congregação e seus vizinhos tornaram-se confrontos, muitas vezes sangrentos. No termo de 15 anos, milhares de Santos dos Últimos Dias foram expulsos de quatro estados norte-americanos: Nova Iorque, Ohio, Illinois e Missouri.

Segundo a crença da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Deus dirigiu a Brigham Young, sucessor de Joseph Smith como Presidente da Igreja, a reunir a todos os membros para emigrar para o oeste, para além da fronteira ocidental dos Estados Unidos, para o que nesse então era México. No que se considera a revelação divina que dirigiu ao éxodo, se começa dizendo que as instruções constituíam «a palavra e a vontade do Senhor quanto ao Acampamento de Israel» e chegou a ser para os pioneiros, a constituição que governou a jornada. Durante o inverno de 1846-47, os líderes Santos dos Últimos Dias em Winter Quarters, em outras partes de Nebraska, e em Iowa, planearam a migração da maior parte dos membros de sua igreja, seus pertences e ganhado. Esta enorme tarefa resultou ser um desafio significativo para a capacidade de liderança mórmon, bem como para a rede administrativa existente na recentemente reestruturada igreja.

Brigham Young pessoalmente compilou toda a informação disponível sobre o Vale do Grande Lago Salgado e a Grande Bacia norte-americana, consultando Mountain Men e caçadores que frequentavam Winter Quarters, e celebrando reuniões com o reverendo Pierre-Jean De Smet, um missionário jesuíta familiarizado com a área da Grande Cuenca. Brigham Young e seu grupo de fiéis não eram os únicos em viagem para o oeste dos Estados Unidos. Em 1845, já umas 5000 pessoas se tinham estabelecido no Oregon, enquanto muitas outras foram para o Texas ou a Califórnia. O cauteloso Brigham Young fazia questão de que os mórmones povoassem lugares que ninguém mais quisesse e que lhes proporcionassem suficiente isolamento para poder praticar livremente a sua religião: pensou que o Vale do Grande Lago Salgado cumpria esse requisito e que, além disso, teria outras muitas vantagens para os seus seguidores.

Fonte: Brazilian Times