Publicado em 9/12/2016 as 2:00pm

Filha de brasileiros indocumentados participa de movimento pela proteção dos "dreamers"

Filha de brasileiros indocumentados participa de movimento pela proteção dos "dreamers"

Centenas de estudantes universitários da Filadélfia saíram das salas de aulas na quarta-feira (07) como parte de um dia nacional de ação instando as universidades a protegerem os estudantes indocumentados, declarando-se "campus santuário".

Os protestos acontecem quando o presidente eleito Donald Trump confirmou sua determinação para reprimir os imigrantes indocumentados, dizendo em uma entrevista que deportaria 2 a 3 milhões de pessoas que têm registros criminais imediatamente após sua posse.

Durante sua campanha, Trump também disse que revogaria o programa DACA, ação executiva de 2012 assinada pelo presidente Barack Obama que isenta os jovens imigrantes indocumentados trazidos para os Estados Unidos quando ainda eram crianças.

O grupo de imigrantes do Movimiento Cosecha coordenou as manifestações em massa e cerca de 80 escolas se inscreveram oficialmente para participar. Entre elas as Faculdades de Swarthmore, de Haverford, e de Bryn Mawr, universidades de Temple e de Rutgers, e a Universidade de Pensilvânia.

Mas a organizadora da Cosecha, Vera Parra, disse que muitas outras escolas se juntaram à cruzada de forma não oficial, e o grupo espera que as paralisações continuem nas próximas semanas, à medida que a nação debate o destino de mais de 11 milhões de imigrantes indocumentados que vivem no país.

"Na esteira da eleição, há razões muito reais para que os estudantes imigrantes e suas famílias tenham medo", disse Parra. "Mas eles ainda têm esperança e vão lutar por dignidade e respeito, e eles estão pedindo aliados para ficar com eles. Eles não vão permitir que Trump oficialize a deportação em massa", continuou.

No Swarthmore College, Dalia Castro deixou sua aula ao meio-dia para mostrar solidariedade aos imigrantes indocumentados. Castro, de 21 anos, é de El Paso, Texas. "A área que eu moro é bem na fronteira, então eu vejo um monte de pessoas entrando e saindo de diferentes países", disse. "Participar deste evento foi muito importante para mim, porque eu quero ver todos desfrutando de algo em um ambiente onde não haja nenhuma dificuldade", afirmou.

Natasha Nogueira, 22, de Santa Cruz, Califórnia, disse que seus pais, que são imigrantes brasileiros, inspiraram sua participação. Ela se lembra do terror que sua mãe, que é indocumentada, sentiu durante uma abordagem rotineira da polícia há alguns anos.

"Eu [inicialmente] não tinha ideia porque minha mãe sentiu tanto desespero, mas eu descobri alguns anos mais tarde que minha ela é uma imigrante indocumentada. E esse mesmo desespero, que eu realmente não entendi o que era naquela época, voltei a sentir na quarta-feira", disse Nogueira. "Sabendo que minha família poderia ser separada. Sabendo que minha mãe não está segura neste país por causa de seu status, diante do governo Trump", continuou.

Outras paralisações estão previstas acontecer e alunos de outros estados pretendem aderir ao movimento.

Fonte: Brazilian Times